<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748</id><updated>2012-02-18T10:07:56.742-08:00</updated><title type='text'>altamente derivativo</title><subtitle type='html'>desculpa qualquer coisa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>203</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3069378708336020600</id><published>2012-02-18T09:47:00.002-08:00</published><updated>2012-02-18T09:53:24.173-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Marriage Plot, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt; DFW como personagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Jeffrey Eugenides é um  desses casos curiosos de autores que escrevem bem, são bastante espertos  e conscientes, tem uma vontade expressiva genuína e uma preocupação  formal decente, mas que são muito claramente não-brilhantes.  Diferentemente de um Richard Powers ou Safran Foer, que tem problemas  genuínos na sua retórica ficcional, nas vozes que eles tentam montar e  nos mundinhos morais de que eles tentam nos convencer, Eugenides não tem  nenhuma deficiência séria (exceto, talvez, quanto ao ritmo, mas isso  parece praticamente superado nesse último livro). A sua única  deficiência, se é que podemos chamar isso de deficiência, é a de não ser  genial. De nunca ter metáforas, imagens, personagens ou artimanhas que  te forneçam algo que você nunca viu antes, que mal pareciam possíveis  antes de você encontrá-los. E eu não estou falando aqui de truques ou  espertezas formais, escritores ostensivamente conservadores como  Marilynne Robinson e Alice Munro são capazes de oferecer visões morais  ou construções narrativas que nós nunca encontramos antes. Estou falando  de uma carência imaginativa qualquer que não tem nem a ver, exatamente,  com inteligência, e que é muito mais difícil de se precisar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez em parte pela sua não-genialidade, Eugenides tenta sempre montar  seus livros em cima de assuntos e premissas interessantes. Middlesex tem  a muitíssimo interessante premissa de acompanhar a vida de uma pessoa  intersexo e de apresentá-la com todo um aparato simbólico e mítico que a  tradição literária já emprestava às ambiguidades de gênero, enquanto  esse seu último romance, The Marriage Plot, é baseado em pelo menos duas  premissas espertas. Uma delas é a reformulação ou revisão da ficção  inglesa do século dezoito e dezenove, dos romances que tinham o  casamento como o seu telos narrativo, uma reformulação espertinha que  tenta reestabelecer esse tipo de narrativa convencional como válida ao  mesmo tempo que dá piscadelas pro fato de que aquela é uma reformulação  auto-consciente e pós-moderna de uma estrutura convencional (Eugenides  espertamente querendo ter as vantagens da narrativa convencional sem  parecer que está sendo ingênuo ou antiquado ao usá-las).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra premissa esperta é a escolha de tomar &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dallas_Fort_Worth"&gt;DFW &lt;/a&gt;como modelo para  um dos personagens principais. O Eugenides em entrevistas nega que fez  isso, mas ele deve dizê-lo apenas para evitar acusações de se aproveitar  da imagem midiática de um autor morto, porque a inspiração para o seu Leonard  Bankhead é absolutamente evidente e nem parece fazer muito esforço de  se esconder (masca tabaco, usa bandana, sofre de depressão, é um cara  fisicamente grande, brilhante e interessado em humanas e exatas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, David Foster Wallace já era um personagem literário, claro. Você pode  tanto argumentar que a obra e a persona literária e midiática do DFW  compõe um todo retórico muito deliberado, uma voz muito específica que  quer configurar uma presença muito específica (compassiva, atenta,  erudita, gentil, não-irônica e onívoramente informada) quanto dizer que  os críticos, leitores, fãs incondicionais e colegas e amigos se meteram a  criar e reforçar esse personagem, principalmente depois de sua morte,  com uma enchurrada de relatos, testemunhos pessoais e memoriais que  montavam uma imagem semelhante de quase um santo literato secular (um  Beckett que tentava dar lição de moral pros nossos tempos tão irônicos),  algo que claramente incomoda alguns amigos mais próximos, como Franzen  (tanto pelos motivos certos quanto pelos errados, dá pra dizer).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que Eugenides entendeu (na sua inteligência específica de captar  objetos dramáticos interessantes já-prontos pairando pelo imaginário  comum, digamos) foi o tanto que esse personagem coletivamente criado do  DFW reunia tantos elementos interessantes e, risos, contemporâneos  empacotados dentro de si. Dá pra resumir esses elementos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) A  dificuldade de se lidar com patologias mentais, com o fato de nossos  estados mentais serem também estados químicos e com os limites aí tão  complicados para algumas pessoas entre a vontade de ser você mesmo (o  que quer que isso seja) e a de levar uma vida minimamente suportável  através de remédios que alterem a química do seu cérebro*, (2) a  tendência mais geracional de se manifestar essa depressão como um  torvelinho recursivo de autoconsciência que gira sobre si mesmo até não  aguentar mais e (3) a dificuldade de se lidar com valores e práticas que  consigam talvez tornar a vida mais suportável quando se tem uma  concepção fundamentalmente estética e imediatista da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É um resumo  rude, mas acho que mais ou menos fiel, tanto da imagem que DFW fazia de  si mesmo quanto da imagem coletiva que foi aceita com entusiasmo por  seus fãs mais ardorosos e críticos mais complacentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugenides está certo em fazer de Leonard apenas um terço da trama.  Mesmo com esse espaço reduzido o personagem quase rouba a dramaticidade  toda a história, fincando-a em si mesmo (no que acaba sendo uma boa  imagem para o autoenvolvimento e buraco-negro-ness de uma pessoa  clinicamente deprimida, risos). Eugenides precisa fugir um pouco do  personagem que criou e apresentou tão bem, talvez em parte porque a sua  técnica - que é invejável - não parece comportar exatamente as  necessidades expressivas dos piores momentos de Leonard. Não que a sua  maneira direta e realista de narrar depressão não seja muitíssimo  interessante, ela só acaba parecendo meio pálida diante dos monumentos  literários da obsessão recursiva e da depressão já inscritos pelo  próprio DFW.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o que torna Wallace o autor mais importante das últimas década** não são exatamente os seus &lt;i&gt;temas&lt;/i&gt;.  Por mais que todos esses elementos da sua sensibilidade e obra  capturados pelo personagem de Eugenides sejam de fato urgentes e  importantíssimos, a força expressiva realmente original da sua ficção  vem da forma com que estes elementos (somados ao fantasma  sempre-presente do  solipsismo) estarem sempre terrivelmente mediados pela linguagem. Em  todos os níveis e em todas as instãncias, da sua linguagem ser não só a  ferramenta para descrever essas dificuldades, mas o campo onde elas são  travadas, a sua mídia, não só a música mas também o ruído da agulha e  dos sulcos do vinil.  No final das contas, o estilo de Wallace é o que o torna grande, e o  fato de  que o seu estilo condensa, dramatiza e (sejamos chiques) performa todas  as dificuldades que ele tenta descrever. E isso não dá pra dizer que o  Eugenides faz, por mais que tenha escrito um ótimo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*não sei se essa expressão é adequada. Cérebros são tão  caixa-preta pra mim quanto carros e computadores. Sei que há toda uma  maquinaria aparatosa ali dentro, mas basicamente lido só com a interface  e suas manifestações mais óbvias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**e pra mim ele segura esse posto com confiança independentemente das  limitações sérias da sua obra, trazidas pela circunscrição imaginativa a um  léxico cultural americano específico, a auto-indulgência eventual de sua  histeria e as particularidades da sua linguagem, elementos que irritam  muitos bons leitores&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3069378708336020600?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3069378708336020600/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3069378708336020600' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3069378708336020600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3069378708336020600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2012/02/marriage-plot-ou-dfw-como-personagem.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1698036886873451876</id><published>2012-01-07T09:38:00.000-08:00</published><updated>2012-01-07T09:40:48.530-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;História&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;outro divertimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eles mal haviam chegado na festa e ele já queria ir embora, obviamente queria ir embora, suas expressões faciais muito mal contorcidas na tentativa pouco convincente de parecer que estava interessado em qualquer elemento daquela situação, qualquer daqueles salgadinhos e pessoas com seus assuntos e arranjos momentâneos dos seus rostos e franjas.&lt;br /&gt;    Ela estava claramente irritada com o desinteresse maleducado dele, e redobrava seus já consideráveis esforços em ser simpática com todo mundo e atender à atenção de todos presentes, parecendo quase histérica na sua educação e interesse em tudo que se passava, seus braços com pulseiras balançando audivelmente, rindo de piadas ditas do outro lado da sala e arregalando os olhos com seu interesse onívoro e levemente perturbador numa opinião tão casual e descompromissada sobre algo bem tolo (a Martha Suplicy, digamos).&lt;br /&gt;    No elevador indo embora ela tornou a sua irritação muito óbvia para ele, mas ele mesmo assim não notou, ainda imerso num jogo no seu celular onde ele tinha que coordenar ondas de pássaros migradores de forma a arranjar desenhos complexos em pleno voo. Era uma atividade bastante demandante, que frequentemente envolvia o risco de mais de um dedo na tela e deixava seu rosto quase tragicamente preocupado.&lt;br /&gt;    Ela decidiu (não da forma racional e sistemática que eu sugiro com o verbo ‘decidiu’) tomar um curso mais drástico e dramático, e disse  - com uma dicção que lhe pareceu falsa, de novela - que não aguentava mais aquela merda de inadequação e grosseria dele, não aguentava mais o tanto que ele não se esforçava minimamente pra ter um convívio decente com as pessoas, que não aguentaria aquilo por mais nenhum segundo.&lt;br /&gt;    Mas ela aguentou, sim, por mais quatro anos. No quinto, transou com um homem alto de mãos geladas com quem ela tinha aula de desenho numa casa dividida por quatro artistas diversamente carecas no Lago Norte. Esse ato foi compreendido por ela mesma dentro da narrativa redemunhada e tortuosa que ela fazia da própria vida como um ato bombástico, extremo e necessário na direção de uma resolução satisfatória para diversos dramas interminavelmente sustentados da sua relação com Ele. Ela enunciava mentalmente variações pouco sofisticadas dessa percepção enquanto as coxas também geladas do cara alto batiam nas suas próprias coxas e faziam o único barulho ostensivo denunciatório daquele ato que eles estavam, aparentemente, fazendo. Ela durante o negócio conseguindo ainda ouvir o professor falando lá embaixo de como sugerir profundidade sem ter de utilizar truques de perspectiva óbvios demais e ver lá fora uma piscina com água provavelmente tepida e uma mangueira dentro e algumas poucas folhas secas molhadas boiando e se mexendo devagarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era muito estranho estar traindo seu namorado assim, de tarde, o quarto tão quente, sem nem poder fazer muito barulho, com um cara de mãos tão geladas.&lt;br /&gt;    Chegando em casa ela percebeu que nada havia mudado, que ela nem estava tensa e que nenhuma resolução de nada havia se desenhado. Ele estava no computador reclamando porque havia baixado episódios de um seriado que gosta mas o formato do arquivo tava dando problema e ele não conseguia assisti-los. Exceto que justamente essa teimosia do mundo de fingir que nada havia contecido começou a torná-la tensa, e ela finalmente estoura logo depois de ir ao banheiro e lavar as mãos, chora e conta tudo que havia se passado num tom oficioso, como quem faz um anúncio oficialmente delegado numa coletiva de imprensa, como quem fala de um fato público e impessoal.&lt;br /&gt;    Ele não reagiu, continuou tentando converter o arquivo, conseguindo só depois de meia hora. Assistiu a três episódios do seriado, cuja nova temporada lhe parecia inferior à primeira. Bebeu um garrafa de dois litros de guaraná diet quase toda.&lt;br /&gt;    De madrugada, ele a acordou perguntando qual seria o nome do homem alto de mãos geladas. Ela disse que Rubens Vieira. Ele repetiu o nome quatro vezes como se entre aspas, cada vez mais irônico, a ultima versão soando completamente inaceitável. Ele se levantou e foi ao computador, procurou o seu perfil na internet. Comentou que ele era feio e que ele não sabia construir uma versão aceitável de si mesmo em mídias sociais. Que seu uso de todas as plataformas denunciava uma ingenuidade retórica extraordinária e uma maneira muito banal de se portar diante dos movimentos midiáticos e espirituais do mundo. Ela meio que concordava, mas não falou nada. Os dois (ele no computador e ela deitada na cama com a cabeça apoiada no braço esquerdo) assistiram juntos trinta e cinco fotos de Rubens Vieiras em diversas agremiações sociais. Num churrasco, num show de alguma bandinha, no estacionamento de um supermercado, num festival de teatro.&lt;br /&gt;    No dia seguinte, eles viram um filme muito engraçado e comeram um negócio muito gostoso feito com pesto, confundiram aquilo com o bem estar profundo e sedimentado de uma vida viável.&lt;br /&gt;    Eles ficam juntos mais quatorze anos, durante os quais eles respondem várias vezes que não, não tem filhos, jantam mais de oitenta vezes num mesmo restaurante italiano perto de casa de que nem gostam muito, trocam de número de celular quatro vezes, participam de maneira numericamente irrelevante na economia e na sociedade como um todo, trocam brevemente de corpo através de uma intervenção mística inexplicável com deliciosas consequências cômicas e ganham um carro zero numa promoção do jornal,  até que um dia eles se perdem um do o outro no shopping e acabam retornando pra casa com parceiros diferentes. Ela com uma jornalista muito baixinha e engraçada pernambucana, e ele com uma senhor que narra jogos fictícios do Botafogo enquanto toma banho. O Brasil enfim se livra das amarras da corrupção e se torna uma grande potência mundial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1698036886873451876?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1698036886873451876/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1698036886873451876' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1698036886873451876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1698036886873451876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2012/01/historia-outro-divertimento-eles-mal.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-7115938454415857902</id><published>2012-01-05T10:45:00.000-08:00</published><updated>2012-01-05T11:09:44.501-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TEXTOS QUE ME OCORREM ENQUANTO DIRIJO OU TOMO BANHO OU ASSISTO FUTEBOL E QUE EU NÃO ESCREVO POR PREGUIÇA E POR NÃO TER EXATAMENTE ONDE PUBLICAR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-Um ensaio muito sugestivo e esperto comparando os filmes Blow Up, Blow out, The Conversation e Profondo Rosso e mostrando de que formas diversas todos eles espelham e figuram uma mesma estrutura narrativa básica (que é essencialmente literária e paranoica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uma exposição brilhante e revolucionária de como a crítica de música pop só vai fazer realmente sentido quando compreender a importância tão negligenciada da sua dimensão retórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Um comentário provavelmente desnecessário comparando Flaubert e Cézanne, o tanto que eram artistas auto-conscientes e absurdamente deliberados, sem muito talento espontâneo, acinzelados num esforço dirigido até as formas difíceis que encontraram e que ajudariam a definir praticamente todos os formalismos do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uma resenha de Pale King que levasse a sério a relação do livro com ciência da informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uma análise da imagem/pessoa do Nicolas Cage enquanto figura de linguagem narrativa e figura de pensamento fílmico-conceitual (freestylin’ a partir das tradições clássicas e medievais de análise textual).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uma besteira sobre o tanto que alguns países de primeiro mundo (principalmente os Estados Unidos) narram a si mesmos de incontáveis maneiras o tempo todo e com isso sedimentam uma estabilidade simbólica e um extenso domínio de referências em comum. O tanto que os demais países e tradições culturais não tem. O que pode significar esse déficit de representação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Resenhas amargas, desnecessárias e virulentas de alguns romances brasileiros recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Algo bastante vago sobre elegância em videogames, uma desculpa pra falar sobre Shadow of The Colossus e Super Mario World.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás,&lt;br /&gt;tem uma resenha minha dos últimos romances do Tom Mccarthy e do Houllebecq na última edição da Dicta &amp;amp; Contradicta (que também contém a única resenha do Pale King publicada no Brasil, qu'eu saiba). Saiu um textinho bacana que me cita &lt;a href="http://blogdoims.uol.com.br/ims/coetzee-e-wallace-com-e-contra-o-mundo-academico-%E2%80%93-por-antonio-xerxenesky/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, também. Eu escrevi um romance/novela/conto comprido que está em busca de editora e com esperança deve sair antes da copa 2014. Acho que isso basta de notícias. Ah, sim, tenho um twitter quase desativado no @macacofantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo desde hoje a assinar esse blog com o meu nome-de-verdade. É  bastante estranho fazer isso, mas o pseudônimo já não fazia sentido há  algum tempo e não queria jogaro blog fora e começar outro (sou  sentimental). A voz aqui sempre foi  a de um semi-bogus, não exatamente a  minha mas não artificiosa a ponto de me parecer alheia. Espero não  sofrer nenhuma crise agora que tem meu nome ali, e não uma figurinha  faceira. Quem quiser continuar me chamando de andreis pode continuar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-7115938454415857902?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/7115938454415857902/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=7115938454415857902' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7115938454415857902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7115938454415857902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2012/01/textos-que-me-ocorrem-enquanto-dirijo.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-4376962230756431615</id><published>2011-12-11T19:17:00.000-08:00</published><updated>2011-12-12T05:22:57.446-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A forma teimosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Que o romance continue, meu deus, esse tanto de  tempo depois, essas tantas voltas de sensibilidade tornadas, esse tanto  de coisa empilhada nas suas costas. Tudo bem que ele não seja mais a  forma central  de narrativa da nossa cultura (até porque não existem  mais formas lá tão centrais, né mesmo), mas que ainda seja relativamente  vigorosa dentro de determinadas comunidades, ainda espose algo que só  podemos chamar de uma tradição. É verdade que se há uma coisa que  podemos dizer sobre o mundo-de-hoje é que tudo sobrevive, nada morre de  todo, tudo ecoa indefinidamente tal qual transmissões UHF de filmes do  Steven Seagal pelos infinitos do espaço, ou músicas do Lionel Ritchie em  rádios libanesas*. Mas a sobrevivência do romance não é apenas a  sobrevivência de uma forma pitoresca dentro de uma comunidade insistente  e irredutível. Ela é isso &lt;i&gt;também&lt;/i&gt;, mas nas suas manifestações  mais extraordinárias essa sobrevivência se dá por vontades artísticas  tão genuínas e próprias, esforços tão deliberados e precisos de  reformulação de certas estruturas dentro de novas circunstâncias, que  somos tentados a crer que o romace não sobrevive apenas como uma  convenção-de-representação-da-&lt;wbr&gt;realidade inventado meio  acidentalmente por uma dúzia de senhores mortos, e efetivo apenas por  circunstâncias mesquinhas e limitadas de apreciação artística e social  (uma burguesia ascendente que queria se ver representada e um público  leitor feminino que não tinha lá muito o que fazer, etc). Ele sobrevive  porque a sua forma de fato encerra um poder de representação enorme e  sério, não-trivial, e que chamar esta forma de simplesmente arbitrária e  convencional é no mínimo impreciso. Ela pode não ser &lt;i&gt;natural&lt;/i&gt;,  pode não ter sido encontrada no mundo pronta, mas algumas das soluções  que ela encontra pra vontade de representação do mundo são tão  bem-sucedidas e flexíveis que chega a parecê-lo, em alguns momentos**. Se  toda arte figurativa pode ser compreendida como uma transfiguração de  dados ou impressões da realidade dentro de uma mídia expressiva comum, o  romance acaba sendo a arte figurativa mais completa ao não só narrar  uma versão expressiva do mundo e uma afetação da realidade, mas também  remontar o movimento interpretativo do indivíduo diante dessa realidade,  tentando compreendê-la, tentando viver nela.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;*não só os artefatos culturais permanecem todos quase ridiculamente  recuperáveis e disponíveis, não só qualquer forma artística passível de revitalização e pastiche, mas até as próprias mídias  sobrevivem relativamente à sua desuetude e relativa superação técnica,  as polaroids e os discos de vinil valorizados por uma autenticidade, o  calorzinho de que o analógico se investe pra galera que já cresceu com a  infinita abstração de tudo digitalizado.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;**dá até pra defender isso seriamente, mas claro que (1 ) tenho vergonha (2) não sei do que tou falando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-4376962230756431615?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/4376962230756431615/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=4376962230756431615' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4376962230756431615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4376962230756431615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/12/forma-teimosa-que-o-romance-continue.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2674212539997434171</id><published>2011-11-23T09:27:00.000-08:00</published><updated>2011-11-23T10:40:26.143-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficção científica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Não me parece acidental que tanto Pynchon quanto Delillo, os dois maiores romancistas vivos da língua inglesa*, tenham uma relação tão profunda com tecnologia. E no entanto a crítica parece dedicar pouquíssima atenção a isto, ainda tratando autores que se preocupam um pouco mais com o assunto como pitorescos ou engraçadinhos. Como se o interesse não fosse tão literariamente digno quanto alguns outros. Tanto que o autor do bastante inteligente e igualmente derivativo C, Tom Mccarthy (que é sobre umas quarenta e cinco coisas, mas é principalmente sobre as incipientes tecnologias de informação no começo do século passado) precisou praticamente apresentar sua sensibilidade com um &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/books/2010/jul/24/tom-mccarthy-futurists-novels-technology"&gt;texto &lt;/a&gt;que é quase um manifesto (curiosamente, aliás, admitindo mais a sua linhagem com o modernismo hoje meio esquecido dos Marinettis da vida do que com o Pynchon, que é sua influencia mais óbvia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dos motivos da crítica não dedicar sua atenção à tecnologia (e ciência como um todo) de maneira mais detida ou organizada parecem decorrer simplesmente da pouca promiscuidade entre as humanas e as exatas, a maior parte dos acadêmicos dos dois lados se enxergando como habitantes de mundos distintos onde linguagens irreconciliáveis operam. Não que não hajam figuras híbridas importantíssimas, como nas duas últimas décadas os notáveis assim-chamados teóricos de mídia, os Flussers, Virilios e Kittlers da vida (este último um leitor dedicado e bastante sofisticado de Pynchon, aliás), mas essas figuras ainda parecem ter sua influencia restrita a academia, sem respingar muito na crítica literária tradicional da mesma maneira que os cultural studies da vida, por exemplo, respingaram tão tremendamente. Algumas vaguidões envolvendo hipertexto e Cyborgs pode dar as caras eventualmente, mas não parece haver uma noção de que existe um corpo literário importante dedicado ao assunto, não parece estar no arsenal imediato dos novos escritores e nem no imaginário crítico geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro motivo trivial para essa desatenção talvez seja a divisão rígida de gênero que se enrijeceu com a ficção científica, que apesar de ter algumas obras mais ou menos respeitáveis e ser reconhecidamente um tipo de arte (popular, que seja) com influência extraordinária na imaginação comum, é decididamente considerada como fora do escopo da literatura séria**. O papel admitido da ficção científica é um pouco o de apresentador de idéias interessantes e pitorescas a serem absorvidas posteriormente por autores mais sérios ou adaptadas pra filmes de apelo popular (alguns deles genuinamente fortes, como os do Cronenberg), com Philip K Dick da vida sendo um tanto parecido com o Poe na sua vasta e importante influência, na introdução de uma série de figuras expressivas e idéias realmente interessantes transmitidas com uma relativa pobreza de estilo e de sofisticação formal que impedem ambos de galgarem um degrau mais cabuloso de eminência canônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma exceção bem notável à essa desatenção da crítica é o livro The Mechanical Muse, do Hugh Kenner, reconhecido principalmente pelo seu trabalho sobre os altos modernistas, especialmente Joyce, que são também os alvos ostensivos desse pequeno livro, analisados aqui especificamente pela sua relação com tecnologia. Além das diversas pequenas observações inteligentes pra caramba, o livro de Kenner poderia ser útil justamente pra ajudar a fazer os críticos mais entenderem as diversas maneiras diferentes que transformações tecnológicas operam nas nossas sensibilidades e na imaginação literária como um todo, como a reorganização prática da vida moderna (os escritórios e os metrôs e relógios) está fortemente presente em Eliot, como Ulysses seria inimaginável sem a ordenação da matéria impressa e como Beckett tem ecos bem fortes de uma racionalidade computacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parte, claro que a tecnologia já influencia bastante a ficção, mesmo que isto não se reconheça diretamente, influencia tanto a confecção de novos romances quanto a sensibilidade dos novos leitores e críticos (a imaginação visual de alguém que cresceu com rádio é diferente de alguém que cresceu com televisão que é diferente da de quem cresceu com internet, etc), então por que a contínua surpresa quando algum autor dedica muito do seu recorte ficcional a tentar narrar a relação das pessoas com tecnologias relativamente recentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proust, o alto modernista mais etéreo, de registro lingüístico e imagético mais enlevado e aparentemente imune às revoluções da cidade moderna, dedica um tantinho do seu tempo a falar com espanto e entusiasmo esteta do telefone, do carro e do avião. O que ele está fazendo não tem nada demais, é o procedimento altamente natural de um escritor de ficção relatando novos objetos no mundo, os usos possíveis deles e os efeitos que eles trazem à nossa imaginação comum. E no entanto alguns críticos acham estranho ou afetado que se queira dar alguma ênfase a internet, a redes sociais, blogs e etcs. Como se a vontade de narrar isso decorresse de um artificialismo, uma impostura, uma vontade superficial de ser contemporâneo. Tratar desses instrumentos é o mínimo que podemos esperar de um escritor de ficção que tente operar com alguma medida de realismo num livro passado nos dias de hoje. Ainda acham mais contemporâneo (no bom sentido, no sentido correto) e urgente focar em invenções modernistas que se acham pós-modernistas, as colagens e as vozes fragmentadas, as faltas de linearidade, as metalinguagens e os hipertextos, ou sugestões já cansadinhas de narrador instável, de que tudo é texto, do fora, do outro, do corpo, de autoficção, de tudo líquido, subjetividades que não deixaram abstratamente de ser interessantes e que obviamente ainda podem dar um caldo, mas que deixaram há muito de urgir com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contemporaneidade &lt;/span&gt;que neguinho parece supor, já se prestando a um bom tempinho à versões kitsch e automáticas (do tipo da desorientada da Tatiana Salem-Levy, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que eu não ousaria chegar perto de uma babaquice de manifesto do tipo que prescreve o que deve ser narrado, não acho minimamente que há uma obrigação dos escritores de se interessarem por tecnologia (quem quer que você queira considerar os outros maiores escritores de ficção vivos - Coetzee, Marías, Cormac Mccarthy, Philip Roth, McEwan, Lobo Antunes, Zadie Smith, Franzen, Piglia, Amos Óz, Aira, Marilynne Robinson, Alice Munro, etc - dificilmente é alguém que se importa muito com isso). Mas me parece pouco controverso que a humanidade tenha passado nas últimas décadas por algumas revoluções técnicas sucessivas que redefiniram um sem número de coisas bastante sérias, no mínimo reposicionando a relação cotidiana que temos uns com os outros, a relação que temos com o espaço, a maneira de culturas distintas se comunicarem e a disponibilidade de informação e cultura que cada um tem. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;No mínimo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Num período onde a literatura (esse golem, esse megazord) parece tão choramingona com sua crise de identidade, parece meio ansiosa e esquizofrênica com a disponibilidade paralela de quase todos recursos, sensibilidades e movimentos históricos que a ficção já apresentou, todos aparentando ser dispositivos formais igualmente válidos e igualmente emprestados, não-exatamente-nossos, talvez seria interessante buscar algo timidamente próximo de uma identidade ou uma direção naquilo que mais claramente parece nos distinguir de todas gerações literárias anteriores: os instrumentos brilhosos e altamente esquisitos de que nos servimos agora o tempo inteiro, essa rede absurda de informação que parece funcionar como uma autoconsciência do mundo. E que esse esforço sirva pra reconfiguração imaginativa de tudo aquilo que sempre importou, é claro, todos os temas que realmente valem a nossa atenção e fazem sentido (morte, solipsismo, identidade, o mal, ciúme, a acidentalidade aparente das coisas, a possibilidade teimosa de transcendência, etc) mapeados mais uma vez num novo terreno e numa nova sensibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*e consequentemente do mundo, dá vontade de dizer, mas aí vocês vão chiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Um caso bem curioso é próprio é Ratner’s Star, do Don Delillo, que é o único livro de ficção científica de extrema sofisticação lingüística e formal que eu conheço. Talvez por isso mesmo seja um dos livros mais negligenciados e menos apreciados do Delillo. É fato que ele termina de forma desajeitada e é bastante estranho, mas isso é verdade de metade dos livros dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2674212539997434171?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2674212539997434171/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2674212539997434171' title='17 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2674212539997434171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2674212539997434171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/11/normal-0-21-false-false-false.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3453788796417589584</id><published>2011-10-09T11:43:00.001-07:00</published><updated>2011-10-09T12:13:38.854-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Blessed rage for order, bro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Logo depois de algum evento desses que mobilizam por alguns instantes a consciência dispersa da internet nós podemos ver em todas as nossas timelines caudalosas e histéricas  um direcionamento, forças brevemente entrando em coerência, como pássaros migratórios em formação súbita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas respostas imediatas e genuínas (morre um visionário, morre um CEO trancador de tecnologia) seguidas de suas subversões irônicas (nossa gente grandes merda todos shora) e reclamações morais sobre reclamações morais, culminando em esvaziamentos absolutos (foto do jesse eisenberg interpretando o mark zuckerberg escrito rip steve jobs 1956-2011), dando a impressão formal muito curiosa de um evento cultural sendo digerido tão diversamente por estruturas fixas de resposta e se tornando rapidinho um tropo. Isto é, um meme, um elemento convencional e estilizado de uma linguagem vasta e móvel onde as coisas importam principalmente por suas capacidades mínimas de articulação estética imediata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa comunidade vasta e principalmente anônima de fazedores-de-meme impressiona principalmente por sua capacidade de definição de um vocabulário comum, de estruturas estilizadas e gramáticas expressivas. Seria talvez mais fácil imaginar que neguinho se dispersasse em vozes sempre imediatamente realizadas, eu acho um tanto surpreendente que tantas formas expressivas fixas sejam estabelecidas de maneira espontânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;a href="http://www.google.com.br/search?q=rage+comics&amp;amp;oe=utf-8&amp;amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;amp;client=firefox-a&amp;amp;um=1&amp;amp;ie=UTF-8&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;tbm=isch&amp;amp;source=og&amp;amp;sa=N&amp;amp;tab=wi&amp;amp;biw=1920&amp;amp;bih=953"&gt;rage comics&lt;/a&gt; são o exemplo mais curioso disso, talvez. Neguinho desenvolveu ali rapidinho uma estrutura figurativa convencional cujos paralelos com formas altamente estilizadas de arte popular são bem óbvios. Os rostos compõe uma gramática básica de sentimentos estilizados e funções narrativas recorrentes, mas tanto a expressividade pictórica específica de cada um  deles quanto os sentimentos ambíguos que eles representam são surpreendentes, mais sofisticados do que eu imaginaria provável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quase nenhuma das figuras  foi desenhada a partir do nada, elas quase sempre derivam de alguma foto ou desenho já existente, apanhado do quase infinito arsenal figurativo disponível na internet. Seria interessante ver uma genealogia dessas figuras estereotipadas e notar de que forma que cada uma foi sendo selecionada como particularmente expressiva e artisticamente fértil. O anônimo brilhante que decidiu retirar de um frame específico do vídeo duma &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=S-9xVUmmg1s&amp;amp;feature=player_embedded"&gt;coletiva de imprensa de um jogador de basquet&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=S-9xVUmmg1s&amp;amp;feature=player_embedded"&gt;e&lt;/a&gt; um rosto para expressar uma atitude generalizada de desprezo e superioridade* irônica merece ser valorizado como um artista popular genuíno de uma tradição espontânea tanto quanto um artesão anônimo da idade média responsável por um pequeno demônio notável incrustado na fachada de uma catedral, ou um bróder inca fazedor de urnas funerárias particularmente bonitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção que ele fez é particularmente curiosa porque o jogador no vídeo não expressa aquilo que a figura destacada expressa, portanto foi preciso um tanto de sensibilidade pra notar que num vídeo de um homem rindo de maneira bem disposta há um frame que de fato parece conter uma forma essencial e arquetípica de um sentimento tão pouco simples e tão difícil de se expressar sinteticamente quanto ‘&lt;span style="font-style: italic;"&gt;bitch please&lt;/span&gt;’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como dizer que a figura só é expressiva por ter sido selecionada e forçada numa forma convencional. Várias outras figuras são forçadas sem ganharem vigência e sem se fixarem dentro do vocabulário comum. Todas as que conseguem se fixar dentro do vocabulário são de fato bastante expressivas na sua especifidade e na sua contribuição pro vocabulário. O fato do artista anônimo ter retirado esse rosto de um lugar tão arbitrário quanto um vídeo de uma coletiva imprensa de um atleta diz bastante sobre a relação que neguinho mantém hoje com imagem, a disponibilidade absoluta de qualquer forma ser transformada em qualquer outra forma a partir de uma mínima equivalência ou sugestividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou a &lt;a href="http://unrealitymag.com/wp-content/uploads/2009/11/totally-looks-like.jpg"&gt;semelhança &lt;/a&gt;apontada entre uma foto do Richard Dawkins e uma da Emma Watson (que beira o literalmente inacreditável e levanta imediatos gritos de '&lt;span style="font-style: italic;"&gt;this looks shopped&lt;/span&gt;'). Essas dúcteis e aleatórias equivalências estão aí para serem assinaladas e divulgadas com o mesmo ímpeto com que são feitas as analogias e as relações profundas da poesia, que segundo Baudelaire e Wallace Stevens sugerem sempre a existência possível de um mundo de analogia perfeita ou metáfora total que seria a causa formal da imaginação poética (uma noção que o Northrop Frye remonta ao arquétipo mítico de um cosmos pleno de significado e de autossemelhança)**.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo jeito que qualquer cultura lentamente enforma sua tradição pictórica a partir de suas possibilidades técnicas e pressupostos cosmogônicos, neguinho formou rapidinho uma tradição pictórica rudimentar e popular ali a partir da ferramentas mais simples e generalizadas (ms paint) e de um mundo de imagens todas prontamente manipuláveis por seu potencial expressivo imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*matizada com variantes tipo ‘bich please’ ou ‘dumb bitch’ ou ‘fuck that guy’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**desculpa, mas eu estou falando sério.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3453788796417589584?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3453788796417589584/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3453788796417589584' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3453788796417589584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3453788796417589584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/10/blessed-rage-for-order-bro-logo-depois.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-7297977909972748132</id><published>2011-09-27T14:54:00.000-07:00</published><updated>2011-09-27T14:58:06.549-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;RESENHA DE LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORANEA DO LIVRO 'CIDADE LIVRE' DE AUTORIA DO AUTOR-DIPLOMATA-INTELECTUAL JOÃO ALMINO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;resenha que eu escrevi pra outro lugar (por isso meio engessadinha) e que agora jogo aqui pra não desperdiçá-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;*música-tema de resenha de literatura brasileira*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;          O romance de João Almino reconstitui a época da construção de Brasília, no final da década de 1950. O protagonista relembra sua infância nesse período e mistura a narrativa histórica e macroscópica aos focos mais íntimos da sua família e de seu amadurecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           A voz em primeira pessoa que organiza a história tenta se tornar mais interessante e complicada através de filtros subjetivos e oscilações ambíguas. Além das previsíveis menções à imprecisão da memória e de uma loucura temporária (que todo mundo sempre faz questão de incluir), o narrador ainda menciona duas complicações: um suposto autor que teria transformado o seu relato objetivo e direto numa obra mais literária e a publicação fictícia da história num blog&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt; A tentativa de se elaborar um composto retórico complexo com formas e vozes variadas é bem válida, mas os esforços de Almino não trazem praticamente nenhum efeito visível, não conseguem de fato tornar a voz mais interessante e ambígua, são quase só acenos abstratos na direção de uma complexidade narrativa que não chega a existir propriamente. Não sentimos essa suposta tensão entre as vozes do autor primeiro e segundo e os supostos comentários do blog trazendo informações factuais da época são mencionados de maneira bem apressada. No final das contas o registro se mantém sempre o mesmo, curiosamente estável e unívoco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro recebeu diversos elogios entusiasmados da crítica, além de ganhar o prêmio Passo Fundo Zaffari &amp;amp; Bourbon de melhor romance. A respeitada Walnice Nogueira Galvão, por exemplo, disse que no romance de João Almino a cidade de Brasília se torna “microcosmo e metáfora do país, do universo, ou desse torvelinho vertiginoso que é a subjetividade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, de fato dá pra dizer que Almino faz um movimento bem evidente no sentido de transformar Brasília em metáfora pra tudo, mas é difícil encontrar algum trecho do livro que realmente encerre uma expressividade do tamanho e do alcance sugeridos por Galvão. O torvelinho mixuruca de subjetividade até existe, mas não causa nada nem remotamente próximo de uma vertigem. Não temos nenhuma metáfora ou descrição original envolvendo a construção absurda, quase fantástica, de uma cidade no meio do nada, não temos nenhuma descrição realmente precisa e interessante dos vários cenários estranhos e situações curiosas que compunham a capital, na época. O material é fértil, e Almino sabe compor alguns momentos de prosa descritiva competente, mas nunca sai do que já sabemos. É um registro pesquisado e mais ou menos meticuloso, é verdade, mas muito mais factual e didático do que imaginativo. Os personagens (o narrador incluso) são remontados com pouco mais do que um nome e uma ou duas qualidades genéricas. Figuras históricas (JK, Elizabeth Bishop, Aldous Huxley) aparecem sem desenhar nada mais interessante do que sua mera presença anedótica, como um ator famoso cuja ponta num filme só tem graça pela sua presença pitoresca ali. Mesmo Bernardo Sayão (o único desses ilustres que Almino efetivamente tenta tornar personagem) parece pálido e esquemático, apesar da facilidade com que sua figura tomaria ares titânicos e curiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é principalmente insosso, e esse problema é generalizado em todos seus níveis. Em parte isso acontece pela aparente incapacidade de Almino de dar voz aos seus personagens, que quase sempre falam pela voz de papagaio do autor, todas niveladas e essencialmente iguais. Da mesma forma, alguns elementos mais interessantes que Almino consegue trazer à história, das profecias místicas absurdas que algumas pessoas tiveram em torno de Brasília e dos vários absurdos de especulação imobiliária e má gestão que acompanharam a construção da cidade, são igualmente nivelados de um jeito raso e finalmente desinteressante, registros mais jornalísticos do que efetivamente imaginativos, sem a organicidade que esperamos de um livro sério de ficção.&lt;br /&gt;No meio de todo o burburinho histórico ainda há uma trama misteriosa envolvendo o pai do narrador e a morte de um homem humilde e simples chamado Valdivino. Mas aqui a indeterminação temporal e espacial do narrador não torna as situações mais instigantes ou férteis, ela só esvazia e dispersa a dramaticidade e o peso dos eventos, que mal acontecem, vão se sucedendo em pipocos distantes de sexo e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sugestão final, aparentemente, remete a um dos maiores clichês da literatura das últimas décadas: o de um narrador instável tentando dar conta do peso subjetivo da memória dos mortos (um clichê diluído da obra de gente grande como Sebald e o nosso Bernardo Carvalho)&lt;br /&gt;Como nas armações vazias e semiconstruídas de concreto que vemos nas fotos da construção de Brasília, nós temos aqui o desenho e a ossatura, as sugestões formais (até competentes) de um romance histórico subjetivamente informado. Mas não temos nenhum lineamento preciso de verdade, quase nenhum estofo dramático, e nenhuma figura expressiva vivendo lá dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-7297977909972748132?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/7297977909972748132/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=7297977909972748132' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7297977909972748132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7297977909972748132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/09/resenha-de-literatura-brasileira.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1732379117883704376</id><published>2011-09-23T15:56:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T16:12:01.443-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The mouthfeel of a discontinued cola      &lt;/span&gt;     &lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;                              Eu ainda assisto televisão, acredita? 2011 correndo, a  singularidade logo ali, pessoas implantando guelras e asas de morcego no  Japão (presumivelmente), a topografia dos países nórdicos toda  renderizada perfeitamente, smartphones transformando a nossa experiência  de esperar no dentista. As coisas agora ficam antigas rapidinho, coisa  de quatro ou cinco anos. Aqueles celulares da nokia que todo mundo tinha  em 2004 já parecem retrô, como se aquela telinha de uns dezoito pixels  esverdeados fosse analógica, montada de cubinhos mecânicos rapidamente  combinados. E dentro desse cenário a televisão é como vaudeville, como  beisebol, como o U2, um negócio cuja valor sempre foi nenhum e cuja  capacidade estimulante agora já se vê irrevogavelmente ultrapassada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Se fossemos levar nossa vida minimamente a sério, claro que  não haveria - fora o futebol - nenhum motivo legítimo para ainda se  assistir televisão. A internet é superior na sua oferta de  entretenimento em absolutamente todos os níveis possíveis (inclusive  dignidade), e mesmo essas recentes reinvindicações de relevância de  seriados dramáticos sérios são todas acessíveis optimamente pelo  computador ou por DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Já parece uma atividade curiosamente linear e comportada,  nossa atenção forçada a demorar numa única coisa a cada momento (mesmo  que mudando de canal rapidinho), os programas decorrendo nalgo como  tempo real, você tendo que sentar numa hora específica pra ver um  programa. E comerciais, meu deus do céu, o povo efetivamente querendo  que você fique ali sentado esperando por um programa que já não vale nem  30% da sua atenção enquanto você negocia a posição das suas pernas pra  cortar as unhas, esperando por aquela bobagem derivativa enquanto alguém  grita no seu ouvido horários de programas ainda piores do que aquele e  manobra filmes curtos fantasticamente produzidos com premissas estéticas  mais sofisticadas do que toda a filmografia do Michael Bay tentando te  convencer a comprar - o quê? - detergente, carro, televisão, umas  escolhas de consumidor que você jamais efetuou na vida e nem pretende  jamais efetuar com muito cuidado (os comerciais na internet ao menos são  selecionados carinhosamente por bots aí que não entendo de forma a me  mostrar produtos que supostamente me &lt;i&gt;interessam&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Mas é em parte por isso que eu assisto. Além de uma inércia odiosa e  de muito gosto pelo sofá azul da sala da minha casa, eu assisto a coitada  pelos comerciais odiosos de perfume que eu deixo no mudo, pela  incapacidade daqueles programas de te divertirem e a generalizada  inadequação de tudo envolvido (como numa enciclopédia antiga, num jornal  dos anos trinta). É até difícil imaginar hoje como que nos anos oitenta  pra trás essa mídia parecia tão hipnotizadora e rápida e ostensiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   E claro que existe sempre algum filtro curioso através do qual  se enxergar qualquer besteira na televisão. Por mais que o mundo  representado naqueles moldes seja tolo e superficial e principalmente  medíocre, há sempre caminhos retóricos curiosos a serem depreendidos de  algum comercial (monografias imbecis de &lt;i&gt;cultural studies&lt;/i&gt; a serem  mentalmente escritas em trinta segundos),  elementos divertidos de  culturas narrando a si mesmas e montando suas auto-imagens em  telejornais e sitcoms de homens barrigudos com mulheres bonitinhas. E  pro meu gosto tão facinho existe o quase infinito interesse em todos os  pequenos acidentes culturais de vinte anos atrás cuja mínima  sobrevivência e compreensibilidade até hoje parece quase literalmente  impossível, piadas do Frasier envolvendo cappucinos ou um trocadilho  rapidíssimo dos Simpsons como inscrições sutis e quase apagadas em  artefatos de couro de um povo pré-colombiano resgatados de debaixo de  pedras imensas, imensas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1732379117883704376?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1732379117883704376/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1732379117883704376' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1732379117883704376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1732379117883704376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/09/mouthfeel-of-discontinued-cola-eu-ainda.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-899077534668120434</id><published>2011-09-02T08:06:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T08:09:17.074-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Ideas from the novel of which this is the unsucccessful Stage adaptation&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;A  noção presente de que existe uma inesgotável bibliografia do mundo,  sobre nossa experiência contemporânea (risos de parte da platéia), sobre  realidades politicas aéreas e dimensões históricas de &lt;i&gt;tudo&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Theory&lt;/i&gt;,  né, o termo guarda-chuva para o qual não sei o equivalente em  português. Pensamento crítico? E isso não como uma disciplina acadêmica  com suas áreas localizadas de relevância e eficácia, mas como uma  extensão de um humanismo, da consciência que um homem-de-letras deve ter  de si mesmo e de suas circunstâncias, os instrumentos básicos que ele  deve ter pra compreender seu suposto posicionamento dentro de uma  contingência histórica infinitamente complexa, de vastos sistemas  que-tudo-compreendem. E pra minha geração tudo isso já esgotado de suas  ambiências políticas imediatas, de sua urgência e utilidade  universitária, disponível em .pdfs e textos xerocados tanto quanto  qualquer outra coisa, tanto quanto o Livro Tibetano dos Mortos ou as  Enéadas, textos a serem lidos já com uma distância irônica, recortados  em uma linguagem datada já reconhecível por seus reflexos diluídos por  aí na cultura. Amontoado com todo o resto, toda a montanha de  lineamentos discursivos da qual pinçamos fragmentos soltos, apanhados  quase aleatoriamente, com uma culpa danada, tentando dar conta de um  peso claramente insustentável da Cultura do Mundo, quase como  personagens em romances alemães tentando dar conta do peso dos mortos.&lt;br /&gt;      &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-899077534668120434?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/899077534668120434/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=899077534668120434' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/899077534668120434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/899077534668120434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/09/ideas-from-novel-of-which-this-is.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-9135618887559257453</id><published>2011-08-25T08:15:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T08:19:10.473-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Um trechinho do Barthes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pour saisir la puissance de motivation du mythe, il suffit de réfléchir  un peu sur un cas extrême: j'ai devant moi une collection d'objets si  désordonnée que je ne puis lui trouver aucun sens; il semblerait qu'ici,  privée de sens préalable, la forme ne puisse enraciner nulle part son  analogie et que le mythe soit impossible. Mais ce que la forme peut  toujours donner à lire, c'est le désordre lui-même: elle peut donner une  signification à l'absurde, faire de l'absurde un mythe. C'est ce qui se  passe lorsque le sens commun mythifie le surréalisme, par exemple: même  l'absence de motivation n'embarasse pas le mythe; car cette absence  elle-même sera suffisamment objectivée pour devenir lisible: et  finalement, l'absence de motivation deviendra motivation seconde, le  mythe sera rétabli.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(não tenho a tradução aqui, foi mal, mas vem do Mythologies)&lt;br /&gt; -&lt;br /&gt;A associação bem oportuna que Barthes deixa de fazer aqui é que uma  mitificação bem parecida com essa que ele descreve do surrealismo foi  feita com igual intensidade e insistência pelo nouveau roman da sua  época, os Butors e Robbe-Grillets que ele tanto curtia (ou até por  alguém posterior menos programático, tipo o Toussaint). O que neguinho  fez foi a transfiguração da falta de sentido moral do mundo no principal  telos narrativo da ficção de vanguarda, na principal chave  interpretativa para o leitor sofisticado, na base de toda uma  sensibilidade estabelecida e na resolução pronta para qualquer  ambiguidade retórica ficcional. A opacidade tornada mito. Ou seja, todos eventos e todos objetos valorizados de pronto como acidentes (no  sentido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;achoque&lt;/span&gt; aristotélico), e de alguma forma resultaria&lt;i&gt; justamente disso&lt;/i&gt; o seu poder estético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(alguém poderia dizer que o Beckett faz algo parecido, mas na real, não.  Ele pode partir de um lugar parecido, mas é tudo filtrado por várias  baguncinhas próprias dele bem mais expressivas, ele nunca tem essas  setas tão didáticas e tão pré-montadas dos franceses).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-9135618887559257453?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/9135618887559257453/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=9135618887559257453' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/9135618887559257453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/9135618887559257453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/08/um-trechinho-do-barthes-pour-saisir-la.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2158591565602670851</id><published>2011-08-18T06:56:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T07:02:35.918-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;            O complexo viário Neumer Voltasso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;outro divertimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    O complexo viário Neumer Voltasso começou a ser erguido há quatro administrações atrás. A cidade toda preenchida de cartazes divulgando seu caráter formidável e extraordinário, um novo horizonte, um novo começo. A sua suposta monumentalidade e a perspectiva de grandeza que ela emprestaria a cidade tornavam-no extremamente queridos à fatias demográficas importantes da população (crianças, donas de casa, obesos), e isso fez com que cada administração explodisse de maneira progressivamente irresponsável as pretensões do complexo. O projeto crescia, mudava de nome, dobrava várias vezes de tamanho sem nunca chegar nem na metade de sua conclusão.&lt;br /&gt;   O canteiro de obras já quase superava em extensão a própria cidade, hoje em dia. Extensões desmedidas de barro revirado, morros dinamitados, começos de viadutos entremetidos com meios de outros viadutos, tudo confusamente misturado em planuras incompreensíveis de materiais largados e transportados, trabalhadores urgindo e descansando, paralisações por greve, embargos ambientais, incongruências contábeis. Garrafas de plástico vazias desdeixadas por todo canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Havia uma pequena cidade dormitório provisória para os operários, no meio das obras, com sua própria também provisória estrutura viária rudimentar, e até um time de futebol jogando na segunda divisão do campeonato estadual (com um menino chamado Jóder comendo a bola, supostamente até já vendido pra algum time Holandês que não era o Ajax). Havia rumores de crianças nascidas lá dentro das obras que nunca haviam conhecido um mundo que não fosse barro, escavadeiras e armações de concreto. Documentaristas suecos vieram para fazer um retrato pungente e denunciatório da condição dessas crianças, mas a bagagem com seus equipamentos se extraviou irreversivelmente (o processo contra a companhia aérea corre até hoje).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os jornais não inteiramente comprados pela administração gritavam quase diariamente sobre o dispêndio jorrado de dinheiro público, a falta de transparência, os contratos confusos, a ausência de clareza quanto ao projeto do complexo viário. De fato, era difícil entender o escopo do projeto. Olhando de cima (de um helicóptero ou dirigível, por exemplo), ninguém conseguiria dizer como aquele tanto de estruturas sugeridas, ainda discretas, em ossaturas incompletas, frases interrompidas de anéis rodoviários e túneis, balões e viadutos, como que aquilo tudo poderia um dia convergir em algo único e harmonioso, com as tantas faixas exclusivas prometidas para ônibus, plataformas para deficientes locomotivos, auditivos, visuais, grávidas e idosos. Existiam mais de doze destacamentos separados de engenheiros e operários, cada um com cores e mascotes distintos (Equipe Jaçanã, Equipe Bouganvília, Equipe Tamanduá, Equipe Barão do Rio Branco, Equipe Daniela Mercury, etc). Reportagens investigativas mal escritas contavam de uma falta absoluta de comunicação entre os destacamentos, de obras que se chocavam, inteiramente contraditórias, passavam por cima umas das outras, e até supostamente (mas nisso já quase ninguém acreditava) de grupos atrapalhando um ao outro, destruindo trechos já construídos, roubando materiais, enforcando as filhas de lideranças operárias ao entardecer.&lt;br /&gt;   Revistas semanais anos atrás dedicaram inúmeras edições comemorativas ao complexo rodoviário, sem jamais conseguir oferecer um desenho satisfatório de como ele pareceria na conclusão das obras. Falava-se de uma complexidade tão assustadoramente complexa que desafiava os nossos sistemas descritivos, as nossas capacidades de representação figurativa. Uma equipe especialista misturada de designers japoneses e noruegueses foi convocada oficialmente, com grande alarde, para finalmente nos oferecer uma imagem compreensível de como resultaria o complexo. Mas seus membros foram quase todos extraviados no jantar especial de recepção, na segunda melhor churrascaria local, onde compareceram mais de trezentos penetras e uma escultura de gelo foi subtraída do saguão. Dizem que alguns dos designers perdidos podem ser encontrados peregrinando pela obra até hoje, as roupas maltrapilhas, olhares maníacos e macbooks com bateria descarregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os poucos especialistas sobreviventes entregaram um relatório imenso em japonês, sueco e esperanto. Uma segunda comissão de especialistas foi recrutada para traduzir esse relatório a uma linguagem mais próxima do senso comum. Até agora, não havia notícia de sucesso. Alguns sugeriam que seria necessário o desenvolvimento de tecnologia holográfica para uma representação gráfica satisfatória do projeto. A administração patrocinava generosamente o desenvolvimento da holografia com isto em mente. A escolha de universidades estrangeiras em detrimento das nacionais nesses investimentos foi severamente criticado pelo senador Glauber Vassourinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O que se admitiu, finalmente, em audiências públicas transmitidas em pay-per-view, era que realmente de fato não havia um único projeto coerente, o que haviam eram instâncias, momentos, eventos onde o projeto era sempre discutido e renegociado de acordo com as contingências, as necessidades democráticas, a cor e o suor do povo. Por isso que o orçamento jamais havia sido fixado. Ele jamais seria. Ele oscilava como um beija-flor, como a posição de um elétron que tentássemos observar de maneira impossivelmente isenta. Essa maneira epistemologicamente madura de encarar as coisas foi aplaudida por diversos minutos em audiência pública televisionada, por membros da platéia não enquadrados pela câmera (possivelmente inexistentes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Alguns partidários da administração propunham que a incognoscibilidade derradeira do projeto se devia a motivos estratégicos, talvez até de segurança nacional. De fato, ocasionalmente podíamos ver grupos das forças armadas praticando manobras de treinamento nas dependências das obras, assim como oficiais misteriosos calados nas reuniões de planejamento semanais, com tapa-olho e charutos apagados que eles manuseavam de maneira misteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O atual prefeito, Jader Nonato, dedicava quase metade do seu tempo a rebater incansavelmente as críticas da oposição no seu twitter @FalaJader. Falava de como o maior complexo rodoviário estrutural da América Latina seria pioneiro não só nas suas soluções de transporte de pessoas, “mas também de transporte de informação”. Ninguém sabia o que ele poderia querer dizer com isso. Àqueles que sugeriam que a capacidade do complexo seria excessiva, desnecessária para uma cidade de médio porte, o prefeito argumentava que a possibilidade de circulação traria a necessidade de circulação, e que a administração já debatia a possibilidade de importar uns chineses para utilizar o complexo. “Eles não podem sair assim tão caros, afinal de contas, sendo tantos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Depois do oitavo carro engolido pelas fendas abertas nas terras da construção, decidiram pela efetivação de um “cemitério dos mártires do complexo rodoviário”, com capacidade para dez mil cadáveres. A administração comprou para a inauguração do cemitério uma centena de pavões comemorativos, uma edição limitada de pavões geneticamente alterados, com cores novas e instigantes. A falta de delegação de uma força-tarefa especial para cuidar dos pavões acabou resultando na dispersão de quase todos os bichinhos, com relatos dos habitantes das obras do complexo matando os pavões para comer sua carne e confeccionar vestidos e cocares. Uma foto infelizmente vazada na internet de um churrasquinho de pavão acabou atraindo atenção de organismos internacionais e a pressão pela presença de entidades isentas para verificação do impacto ambiental das obras. As entidades chegaram com grande festa da mídia local, que não entendia muito bem o que se passava e acreditava que a presença de estrangeiros só podia ser coisa boa. Os relatórios resultantes foram formidáveis, alertando para um desastre ambiental sem precedentes, com centenas de espécie da fauna e da flora dizimadas sem necessidade alguma, remodelações irresponsáveis das propriedades geográficas, risco de contaminação química e nuclear, etc. Livros acadêmicos já estavam sendo escritos sobre aquele que seria doravante um caso exemplar, redefinindo as possibilidades até então consideradas de desastre ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os embargos resultantes desse escândalo parecem definitivos. Tudo foi parando, os operários desempregados construindo suas casas, oficinas e federações desportivas ali mesmo, em volta daquelas estruturas incompletas. Os poços de água parada virando córregos, o barro derramado, as roupas dependuradas nos volteios e arcos de concreto, de ferro, crianças brincando nos cabos e canos, os buracos, as sugestões distraídas, os ossos de um gigante em decomposição.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2158591565602670851?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2158591565602670851/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2158591565602670851' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2158591565602670851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2158591565602670851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/08/o-complexo-viario-neumer-voltasso-outro.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8633347210770533219</id><published>2011-07-03T20:48:00.000-07:00</published><updated>2011-07-03T21:00:01.925-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;EXTRAORDINARY MISUSES OF MILITARY TECHNOLOGY&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Outro dia vi um  comercial de um site que faz um COMPÊNDIO de sites de compra coletiva  (como peixe urbano, groupon, etc). O comercial parecia absolutamente  deslumbrado com toda a situação. Consigo mesmo, com compras coletivas,  com o site que as compila, com a engenhosidade empreendedora por trás e com o comercial que o divulga, com a linda e  perfeita cultura que torna tudo isso possível. E o mais estranho era  que o entusiasmo parecia ser genuíno, ou pelo menos verossimilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma autoconsciência absurda em tornos dessas redes sociais, todas  elas redobradas, comentadas a todo passo como movimentos formidáveis da sociedade, do Espírito (ou como derrocadas do Humanismo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;X está nos deixando mais burro?&lt;/span&gt;). Não só a besteira tão  repetida (ainda que verdadeira) de que não mais se dissocia a  experiência de sua veiculação pública, e tudo mais, ou de sua  estetização plastificada e instantaneamente nostálgica (foursquare e  insta.gram, respectivamente). Não só isso, mas que neguinho realmente  parece experimentar, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;viver &lt;/span&gt;o mero fato destacado dessas redesderelação, de que elas existem.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;O povo parece tão impressionado e enlevado com as estruturas de conexão  quanto com  as conexões que elas possibilitam, digamos. E por estruturas de conexão  lá vou metendo os produtos da apple no meio, na minha vaguidão  que-tudo-compreende. Uma menina com quem estudo ficou uns vinte minutos  me contando das sutis diferenças no sistema operacional atualizado do  iPhone, e me parecia muito claro que pra ela todas as renovadas  condições de interface eram apreciadas como um fato estético, pelo todo  orgânico ainda mais elegante de interação, muito mais do que pela  conveniência que cada pequena diferença possibilitava (que me parecia  desprezível). E eu faço esse gesto vago de incluir iPad e redessociais  no mesmo balde porque eles são experimentados como uma coisa só, mesmo,  uma mesma nuvem de quase-trascendência das circunstâncias chatas que  compõem a nossa vida, quase da contingência do plano material, digamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam lá tatuando maçãzinhas da apple  e ministrando seminários sobre novas redes sociais uns pros outros,  repetindo que informação não é conteúdo, que hoje a gente tem nossadeus  tanta informação mas de que serve? E isto não como um gesto genuflexo de  confessar que ninguém entende porra nenhuma do que se passa, e sim pra  dizer que olha, dominando o megazord das tecnologias da informação tão  formidáveis e gentis, sabendo ler esses gráficos desenhados de maneira  tão inteligente e informativa, organizando as melhores ferramentas  disponíveis para gerenciar os seus escassos recursos pessoais, cada um  de nós pode se tornar o Steve  Jobs de nós mesmos, organizadores dos aplicativos da área de trabalho do  mundo, tornando toda matéria sensível do cosmos em interface agenciável  e colorida, &lt;i&gt;realidade aumentada. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8633347210770533219?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8633347210770533219/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8633347210770533219' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8633347210770533219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8633347210770533219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/07/extraordinary-misuses-of-military.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-144407440200102619</id><published>2011-06-19T15:44:00.000-07:00</published><updated>2011-06-19T15:46:59.323-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ainda é possível um blog nos dias de hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não. Durante algumas horas  em 2005 parecia que o blog seria um negócio assim extraordinário, com  contribuições decisivas para as necessárias imaginações de nossos  tempos, de uma elegância expressiva própria e confiante estabelecida  através de (1) escolhas de design particularmente efetivas, (2) posicionamentos  retóricos irretocáveis, (3) ironias adequadamente alocadas, etc.&lt;br /&gt;Mas aí não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E como que isto aqui ainda existe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A  existência disso aqui é extremamente discutível. Eu posso estar apenas  repostando textos antigos de um blog secreto que todo mundo menos você  conhecia, ou postando comentários irônicos sobre a possibilidade do post  que acabei de postar. Ou usando como plataforma de divulgação da minha carreira de escritor de  livros sérios de ficção *risos da platéia*. Ou posso ter perdido a minha  senha e ter sido substituído por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;'Bebeto, o mais extraordinário spambot  de todos os tempos'*. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como que você escreve essas besteiras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Você acorda de tarde e  percebe que já são cinco e tanto e o dia já está amarelo e fenecido e  pendendo com o peso de sua extremidades murchantes. O que se pode fazer  ainda daquele dia ali? Dois computadores estão ligados em cômodos  diferentes para que você interaja ali com as telas coloridas e extraia  elementos formidáveis, de alguma forma. Isto não acontece, ou acontece  de maneira escasssa, um líquido quente trazido num canudinho fino  demais, sugado com muita desconfiança. Até esta metáfora ela não sabe o  que está fazendo, coitada. O time que você escolheu ainda agora preferir  ganha o campeonato mundial de alguma coisa. Celebridades de atribuição  confusa são abatidas aos montes. O mundo é todo denominado e pequeno, um  desenho animado de si mesmo. Você troca de cômodos, bebe água fria,  pensa em colocar meias. Lembra de memes parcialmente bem-sucedidos. Se  você estivesse agora habitando um estado de espírito mais interessante,  poderia perfeitamente escrever. Pegar esse estado de espírito  interessante e extrai-lo de sua abstração aérea ali distante e suburbana usando de metáforas formidavelmente concretas, dando habitação e pernas  praquela abstração, sistemas límbicos. Erguendo todo um prédio para o  seu estado de espírito, toda uma catedral com arcobotantes e  contrafortes cada vez mais denecessários, auto-concorrentes e  impossíveis. Sua atenção já se detém nessas ramificações, nos apêndices,  nas estruturas burocráticas da imaginação, nas suas consequências  possíveis no mundo, suas caixas de comentários, suas reportagens da  Ilustrada, suas entrevistas equivocadas, vozes indiretas como esta,  enviesadas e supérfluas, e que às vezes parecem as únicas possíveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que você pretende atingir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Contribuições decisivas para as necessárias imaginações democrático-espirituais de nossos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*novela a ser publicada em 2013.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-144407440200102619?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/144407440200102619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=144407440200102619' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/144407440200102619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/144407440200102619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/06/ainda-e-possivel-um-blog-nos-dias-de.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1540427796578668807</id><published>2011-06-08T14:04:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T14:03:17.949-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O artigo da wikipédia sobre si mesmo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;O artigo da wikipédia sobre si mesmo é um artigo da wikipédia sobre si mesmo¹. Ele constitui sua existência a partir da viabilidade formal e necessidade lógica que deriva das premissas e da estrutura da Wikipédia ("A enciclopédia Livre").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode dizer que o artigo da wikipédia sobre si mesmo não existe, ou que não é notável o bastante, já que ao considerar a sua existência e torná-la assunto para debate, inquérito científico e confirmação de acordo com a disponível realidade, tornamos imediatamente imperativo que a sua existência ganhe atenção especializada e esclarecimento discursivo. A forma mais adequada deste esclarecimento é ele mesmo (i.e. o próprio artigo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é notavelmente o único artigo que não depende de fontes externas confiáveis, já que toda a sua fundamentação é emanada das forças assertivas da própria Wikipédia².&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o corpo de editores da Wikipédia decidir descartar o artigo como uma piada ou truque não-tão-espertinho-assim, essa decisão e sua subsequente reverberações nas suas páginas internas de discussão apenas confirmarão adiante a notabilidade do artigo (assim como sua necessidade enciclopédica) com os fogos "ontologicamente confirmatórios da controvérsia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentativa de corrigir a linguagem e postura descritiva do artigo ao dar um passo epistemológico pra trás (ou 'zoom-out') de forma a descrever não o artigo em si mas o fato dele ter sido feito faria com que o artigo deixasse de ser sobre si mesmo e passasse a ser sobre uma controvérsia enciclopédica, o que faria com que ele se auto-destruísse imediatamente. Isso  daria início a uma discussão automática sobre a Ética e Prudência enciclopédica cuja inevitável conclusão seria pela restauração do artigo no seu estado inicia&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;l&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;color:gray;"  &gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver também:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://de.wikipedia.org/wiki/Benutzer:Ulrich.fuchs/Die_Schraube_an_der_hinteren_linken_Bremsbacke_am_Fahrrad_von_Ulrich_Fuchs"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Die &lt;/span&gt;&lt;b style="font-weight: bold;"&gt;Schraube an der hinteren linken Bremsbacke am Fahrrad von Ulrich Fuchs&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://meta.wikimedia.org/wiki/Inclusionism"&gt;Inclusionism&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Lists_of_lists"&gt;Lists of lists&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/On_Exactitude_in_Science"&gt;On Exactitude in Science&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1540427796578668807?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1540427796578668807/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1540427796578668807' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1540427796578668807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1540427796578668807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/06/o-artigo-da-wikipedia-sobre-si-mesmo-o.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1575567300165744993</id><published>2011-06-04T15:53:00.000-07:00</published><updated>2011-06-04T16:23:41.049-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Só uma coisinha sobre Freedom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;        Com todo o estoiro jornalístico meio bobo espumando em torno de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Freedom&lt;/span&gt;, achei  interessante esse texto &lt;a href="https://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.suplementope.com.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D359%253Abarba-bem-feita-e-camisa-por-dentro-da-calca%26catid%3D6%253Aensaio%26Itemid%3D4&amp;amp;h=265f1"&gt;aqui &lt;/a&gt;do Xerxenesky sobre a almofadice do  Franzen.  A reclamação que ele faz é basicamente da transparência da linguagem e das desinteressantes premissas e consequências estéticas que resultam. Acho que o AX acabou resumindo boa parte da birra que muitos críticos tem com o livro. É isso que  eu pretendo comentar rapidinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*música grave de rosal público de discussão literária, de blogueiro comentando publicação da grande mídia*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A objeção à transparência que corre por cima do texto de AX e por baixo de  vários outros  pode ser compreendida de duas  maneiras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Uma seria a de acreditar que a literatura passa por tresholds  (ou umbrais) estéticos definitivos na sua história, e que o século XX  com todas suas atrapalhadas confusões teria tornado impossivelmente  ingênuo uma linguagem ficcional transparente, que não tente dar conta da  materialidade da linguagemm da artificialidade das convenções  literárias e da heteronormatividade do cânone, sei lá mais o quê. Isto  não está tão presente na objeção do AX, mas espreita por aí bastante  observável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       A outra maneira é mais comedida, apontando apenas que as convenções  estéticas do nosso tempo não aceitam bem a transparência, já que as  circunstâncias da sensibilidade contemporânea empurram antes pro lado da  complicação, do enviesamento, dos filtros e das peripécias retóricas*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Eu vejo a transparência como um elemento mais neutro do que isso, menos  minado e ainda bem útil. É verdade que tendemos hoje a preferir a entrega  indireta, a complicação ostensiva, mas esta é uma convenção bastante  limitante e limitada, que não pode querer funcionar em qualquer situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      É também  claro que a transparência literária que eu quero dizer não reporta a um  grau maior de &lt;i&gt;pureza&lt;/i&gt;, digamos, ou a uma objetividade séria. Isto  seria, de fato, bem bobo e bem ingênuo. Qualquer transparência literária é  necessariamente enviesada, indireta. No fundo estamos usando uma figura  de linguagem, assim como quando chamamos um texto literário de sincero  ou autêntico. Quando essas qualidades são apresentadas através do filtro  da intencionalidade estética elas recebem uma camada de  artificialidade retórica adicional, digamos. Ficam entre aspas.**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     E vista  como um tropo, e não como um grau de pureza, a transparência pode, sim,  ser o resultado de uma depuração expressiva complexa e interessante. Acho que é isso que acontece em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Freedom&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Sei que o livro não passa tanto essa impressão, de fato Franzen  tem um estilo quase &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desleixado &lt;/span&gt;nele. Além do deslize técnico absurdo  mencionado por AX, que é verdadeiro e injustificável, também chama  atenção o ritmo apressado anedótico com que os eventos são apresentados, com  pouquíssimas cenas sendo realizadas em atualidade e particularidade,  como se aquela voz guardasse uma confiança tão absoluta na urgência  narrativa que aqueles elementos configuram que nenhuma mediação  posterior ou cinzelada mais aguda fosse necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     É como se o autor quisesse apenas chamar atenção para aquela sucessão de peripécias  humanas, digamos, e precisasse nos puxar pela camisa e apontar para elas  de maneira quase atabalhoada. Parece desinteressante pra muita gente, e  eu entendo que pareça. Mas esta é uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;afetação &lt;/span&gt;de urgência dentro de  uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;afetação &lt;/span&gt;de transparência, as duas construídas para valorizar um  nível específico de construção ficconal, que poderíamos simplificar  como: o de criação de personagens convincentes e de sua interação moral  dentro de uma reconstrução expressiva dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;minute particulars&lt;/span&gt; de uma cultura (que o AX chama com  um certo desprezo de 'comentário social', o que acho um pouquinho  injusto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Pra mim  existe uma inteligência absurda e um grau considerável de deliberação na voz que consegue constituir esse  teatrinho moral como se inequívoco e transparente fosse. De qualquer forma, é nesse nível que o livro tem que ser julgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Alguém que soubesse de narratologia talvez pudesse argumentar que a reversão obtida quando deixamos de confiar num narrador tem funções estruturais semelhantes às peripécias antigas do tipo 'na-verdade-não-sou-um-mendigo-olhem-minha-marca-de-nascença-sou-o-conde-de-Norwich'. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Em outro nível ainda mais babaca, poderíamos dizer que essas qualidades são sempre literalmente impossíveis e vem sempre entre aspas. Fica aí ao gosto do freguês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1575567300165744993?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1575567300165744993/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1575567300165744993' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1575567300165744993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1575567300165744993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/06/so-uma-coisinha-sobre-freedom-com-todo.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6772899519139498962</id><published>2011-06-02T10:49:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T10:52:13.555-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;AVALIAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;foi mal, Ashbery&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que forma podemos nos certificar de que a civilização mundial como um todo jamais repetirá um fenômeno como o de Cláudia Raia?&lt;br /&gt;a) através de datas comemorativas memoriais&lt;br /&gt;b) através de filmes dirigidos por Steven Spielberg&lt;br /&gt;c) através do uso de bottons e demais adereços informativos&lt;br /&gt;d) a criação de ministérios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que maneira se porta o personagem de Will Smith na abertura do seriado Fresh Prince of Bel Air?&lt;br /&gt;a) de maneira jocosa&lt;br /&gt;b) de maneira adequada&lt;br /&gt;c) de maneira digna&lt;br /&gt;d) de maneira espetacular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse criado uma rede social para as demais redes sociais onde as redes sociais (através de lindos algoritmos ainda não possíveis) combinariam informações de maneira sigilosa de modo a extrair padrões significativos que levassem, por exemplo, à captura de terroristas, isto significaria que:&lt;br /&gt;a) todos estaríamos mais seguros&lt;br /&gt;b) alguns de nós estaríamos mais seguros (seletividade das instituições de repressão)&lt;br /&gt;c) a singularidade teria chegado&lt;br /&gt;d) um filme dirigido por David Fincher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos de nossos presidentes republicanos podemos dizer que foram constituídos de maneira plenamente democrática?&lt;br /&gt;a)um&lt;br /&gt;b)dois&lt;br /&gt;c)vários&lt;br /&gt;d)nenhum (resposta 'política')&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um robô de seu trato cotidiano proceder de maneira absolutamente indistinguível de um ser complexo com sentimentos, você deve:&lt;br /&gt;a) destruí-lo&lt;br /&gt;b) chamar as autoridades especializadas&lt;br /&gt;c) questionar o significado de sua própria humanidade (olhando no espelho)&lt;br /&gt;d) procurar em suas fotos pessoais reflexos estranhos no espelho que indiquem que os documentos de seu passado foram forjados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Marcos Palmeira aparece num informe publicitário recomendando o uso de um determinado produto, isso:&lt;br /&gt;a) confere credibilidade ao produto&lt;br /&gt;b) confere um senso de informalidade 'bon vivant' ao produto&lt;br /&gt;c) confere um ligeiro acréscimo de esforço cognitivo por parte do consumidor&lt;br /&gt;d) leva o consumidor a acreditar que aquela cena faz parte da novela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de desastre nuclear e subsequente desfalecimento do sistema financeiro mundial, qual desses quadros nacionais é mais provável:&lt;br /&gt;a) uma ditadura militar-sindicalista presidida por um triunvirato de ilustres da sociedade civil (ex: Sílvio Santos, Zico e Eri Johnson)&lt;br /&gt;b) uma gincana violenta de proporções nacionais organizada pela Petrobrás "A Nossa Força"&lt;br /&gt;c) uma edição extraordinária "guerra civil" do campeonato brasileiro&lt;br /&gt;d) "A Grande Família"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se dois homens de personalidades muito distintas se vêem circunstacialmente forçados a viajarem juntos e cuidar de um bebê, este é um:&lt;br /&gt;a) procedimento com consequências cômicas&lt;br /&gt;b) momento para reflexão&lt;br /&gt;c) todos podemos nos identificar com esses personagens (universalidade de tropos narrativos)&lt;br /&gt;d) "O que é arte", de Leão Tolstói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que maneira as nossas instituições governamentais e civis podem se preparar para um estado de maturação onde estejamos prontos para receber a copa de 2014?&lt;br /&gt;a) seminários sobre redes sociais&lt;br /&gt;b) marketing viral&lt;br /&gt;c) colonização holandesa&lt;br /&gt;d) max gehringer&lt;br /&gt;e) a criação de ministérios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é a China?&lt;br /&gt;a) um composto de documentos&lt;br /&gt;b) uma coleção de estados mentais&lt;br /&gt;c) um território imaginário&lt;br /&gt;d) uma cultura formidável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no entanto somos inelutavalmente forçados:&lt;br /&gt;a) a continuar&lt;br /&gt;b) a adotar medidas paliativas que estabeleçam novas estruturas&lt;br /&gt;c) a reconsiderar a efetividade de nossos mecanismos de pensamento&lt;br /&gt;d) a manter uma distância segura (3 a 5m)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6772899519139498962?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6772899519139498962/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6772899519139498962' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6772899519139498962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6772899519139498962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/06/avaliacao-foi-mal-ashbery-de-que-forma.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1962197029971522748</id><published>2011-05-14T14:13:00.000-07:00</published><updated>2011-05-16T07:50:42.655-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas sobre The Pale King (devem fazer pouco sentido para quem não leu, o que deve ser praticamente todo mundo, eu sei)   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     TPK é o primeiro romance póstumo e não-terminado que leio que já tem embutido como parte de sua estrutura várias lacunas deliberadas, como anúncios de eventos que não acontecerão (ou aos quais não teremos acesso narrativo direto). A sensação é redobradamente estranha, então, já que ficamos bastante no escuro na nossa tentativa de delimitar que lacunas estavam ali prontinhas e cavadas e quais seriam eventualmente preenchidas e narrativamente endereçadas. Quais pontos nebulosos estão lá de propósito, quais não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Todo mundo parece ter pego do livro o seu substrato narrativo (e moral, né) mais óbvio e escancarado: do tédio, de suas inúmeras implicações e que espécie de atitude podemos ter diante dele, algo como a dramatização ficcional de alguns dos elementos presentes no discurso que DFW fez em Kenyon e que desde então se tornou adesivo e tatuagem, atomizado como pregação. É um resumo correto, de fato é o substrato mais óbvio do livro e DFW faz menção direta a ele nas notas incluídas no apêndice. Mas ninguém parece ter percebido o outro nível em que esse núcleo do livro pode ser formulado, tão mais elegante, e que aparece  enunciado em alguns dos momentos mais extraordinários do livro. De como informação excessiva é apenas complexidade irrelevante se não conseguimos extrair padrões interpretativos que realmente importem, e de como hoje em dia a organização intencional de informação (sua humanização ou curadoria, eu digo) é muito mais relevante do que a sua produção. É uma formulação também vaga, sim, mas que consegue reverberar no livro em instâncias diferentes, e que literariamente vai ganhando todo tipo de nível curioso (a literatura ela mesma é, afinal, uma maneira de organizar informação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Sylvanshine com seus acessos místicos aleatórios a informação atomizada, descontextualizada e desimportante é das melhores idéias isoladas que DFW já teve, e sustenta comparação com os melhores personagens alegóricos do Borges, com a vantagem de ser bastante engraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(esse nível do livro é estranhamente atual, aliás; algo inesperado para alguém que parecia ter desistido da coisa do palanque de voz-do-zeitgeist, que mal habitava a internet e que decidiu situar o romance nos anos oitenta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   É muitíssimo difícil interpretar pra onde caminhariam os eventos sobrenaturais do livro, e acho que continuaria muitíssimo difícil fazê-lo mesmo se o livro tivesse sido terminado; ainda é dos aspectos mais misteriosos e menos abordados do IJ. É um dos aspectos mais estranhos e menos explicáveis da sensibilidade do DFW, o que é ótimo. Suas preocupações morais e filosóficas recorrentes e alguns de seus recursos estilísticos insistentes correm  o risco às vezes de montarem um universo e uma sensibilidade controlada demais por determinados procedimentos. A esquisitice dos eventos sobrenaturais é uma forma (bem-sucedida, eu acho) de quebrar nossas expectativas e bagunçar o mundinho que ele estabelece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O apêndice inclui uma quantidade de notas ainda incertas, com rascunhos e possibilidades pra história e pros personagens. Não sei o quanto elas teriam sido editadas pelo Pietsch, e nem tenho idéia detalhada do modus operandi do DFW pra julgar, mas a estranha eloquência preparada e bonitinha dessas notas deixaram setores da minha cabeça considerando a possibilidade delas terem sido escritas já considerando que o livro bem possivelmente não seria terminado, como uma explicação e guia interpretativo para os leitores que ele sabia que existiriam. Isso é horrivelmente triste (mas talvez seja uma imposição imbecil da minha imaginação besta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A ausência do trechinho ‘All That’ me parece muitíssimo estranha. Não só por ter sido previamente publicado como trecho do livro, mas por me parecer ter ecos temáticos bem claros com o TPK, principalmente com a onda infelizmente vaga e pouco explorada de validade-da-experiência-mística-individual-enquanto-experiência-subjetiva que remete ao Varieties of Religious Experience do William James.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Há um diálogo desbragadamente político sobre civismo que aparece  de um jeito um tanto isolado no livro, muito pouco contextualizado. Esse isolamento abstrato não parece acidental, e o trecho é ruim, mesmo, das coisas mais retoricamente simplistas que DFW já escreveu. Ainda bem que nada mais no livro é contaminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   DFW não brincava a sério de recursões metaficcionais desde Octet, e é estranho que tenha decidido fazê-lo de novo aqui. Não é tão fácil entender qual o ponto das complicações retóricas claras que ele adiciona à voz que se auto-proclama dele mesmo, do ‘autor de verdade’. São complicações, tudo bem, estímulos cognitivos adicionais, e são engraçadinhas, mas me parece um esforço dispensado por pouco efeito. No entanto, julgar o negócio pela metade faz pouco sentido, como com quase tudo no livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   É impressionante que mesmo algumas idéias vagas para cenas e rascunhos de desenvolvimento de personagens contidos no apêndice já me pareçam mais interessantes  e férteis do que toda a carreira de alguns autores consagrados que correm e dançam por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1962197029971522748?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1962197029971522748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1962197029971522748' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1962197029971522748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1962197029971522748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/05/notas-sobre-pake-king-devem-fazer-pouco.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3159919280940571493</id><published>2011-04-27T07:56:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T08:12:33.401-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A extinção do Curió-macaco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Concluída em 1987, a extinção do Curió-macaco se deu de maneira metódica  e inteiramente deliberada. Todos os levantamentos de organizações  internacionais e independentes concordam nesse tanto, e ninguém parece  disputá-lo. Os fatos estão eminentemente disponíveis na mídia:  declarações de autoridades sobre a necessidade de extirpar o  curió-macaco de nosso meio ambiente antes que fosse 'tarde demais',  campanhas municipais e estaduais de erradicação do Curió-macaco, com  mutirões e gincanas familiares dominicais onde crianças eram encorajadas  a trazer quilos de carcaças em troca de prêmios como pistolas d'água e  comendas mirins da câmara de comércio, informes federais instruindo no  uso adequado de pedras, peixeiras, arapucas, enxadas e bombas caseiras  para o extermínio dos Curiós-macacos. Políticos em campanha fotografados  segurando pedaços de pau e fingindo participar de uma matança em massa  de Curiós-macaco encurralados dentro de uma caixa d'água derrubada e  abandonada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando questionados por organizações ecológicas  internacionais, as lideranças comunitárias e os transeuntes opinavam de  maneira semelhante. Que o Curió-macaco não tinha apenas índole perversa e  agressiva, trazendo todo tipo de incômodo para o pequeno agricultor e  as pequenas comunidades rurais, entrando em calças e caixotes abandonados,  escondendo debaixo de jornais. Mas que sua presença influenciava  negativamente o clima e a fertilidade do solo da região em que habitava (ninguém sabe através de que supostos meios), além de penetrar em domínios simbólicos imprevisíveis, supostamente  causando pesadelos e erros ortográficos num raio de alguns quilômetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um  pássaro gordinho de aproximadamente dez centímetros de altura, o  Curió-macaco se distingue de outros pássaros em não sendo, exatamente,  um pássaro. A sua cabeça, parecida com a de um macaco, ocupa quase  metade do seu corpo, o que o impede de voar e faz com que ele quase  sempre esteja tombado no chão. Sua penugem se solta com os meses até  cair inteiramente por volta do seu segundo ano (ao qual ele dificilmente  chega).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Curió-macaco passa toda a sua vida gritando um grito desesperado e  pouco musical, de nenhuma função evolutiva discernível. De fato, desde a  engenharia pouco eficiente de todos os seus sistemas internos até o seu  comportamento invariavelmente agressivo (inexplicável sob qualquer  ponto de vista) e a inadequação de seus membros motores, nada no  Curió-macaco parece trazer vantagem para a sua sobrevivência*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desde o momento em que nasce, o Curió-macaco gasta toda a sua energia em  tentar matar toda a forma de vida que encontra, incluindo os seus pais  (em esforço fraternal conjunto geralmente bem-sucedido). O Curió-macaco  não só evita andar em bando como ataca impiedosamente qualquer membro da  sua espécie que vem a encontrar com particular e destacada virulência.  No entanto, seus dentes, asas e membros inferiores oferecem praticamente nenhuma  ameaça perfurante, incisiva ou concussiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira menção ao  Curió-macaco nas letras nacionais se dá no diário do jesuíta Hernão  Nunes, em 1768. Nunes mantinha sozinho um posto de reconhecimento estratégico num  território recentemente desbravado hoje pertecente ao Estado de Goiás.  Ele encontra diversas vezes indivíduos da espécie correndo desesperados  pelo cerrado goiano e tem seus calcanhares prodigiosamente atacados em  todas estas ocasiões, precisando usar de gravetos, pedras ou de suas  desnudas mãos para matá-los de alguma maneira (já que o Curió-macaco  nunca se amedronta, nunca recua diante de qualquer força adversa), uma  violência com a qual o jesuíta não estava nem um pouco acostumado e que  vai inteiramente contra sua índole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele escreve no seu diário (publicado postumamente) que aquele ser  desafortunado depõe inteiramente contra a sua compreensão anterior da  natureza e de suas disposições, e que o inteiro despropósito daquela  criatura e de seus atos o leva a crer que a natureza é ruim, e que os  nossos esforços devem se concentrar em cercá-la, contê-la, refrear seus  avanços e garantir a sua atrofia e inevitável derrocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Kuch-Grünbeg relata no final do século IXX ter encontrado uma pequena comunidade no baixo Xingu que teria adotado o Curió-macaco como mascote, figurando-o na sua cosmologia como representante quase imediato de uma divindade menor com atribuições confusas e contraditórias. Kuch-Grünberg interpreta o papel simbólico do Curió-macaco como uma demonstração do caráter caído e falho do universo desde a morte da divindade, assim como da inadequação derradeira dos seus habitantes. De qualquer forma, essa adoção serviria como explicação parcial para a sua sobrevivência.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás,&lt;br /&gt;meu livro foi resenhado &lt;a href="http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,mobile,711146.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/04/18/resenha-de-os-sinais-impossiveis-de-vinicius-castro-375321.asp"&gt;aqui &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://www.dicta.com.br/os-graos/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. E vou participar dia 1º do &lt;a href="http://www.festipoaliteraria.com/"&gt;FESTIPOA&lt;/a&gt;, lá em Porto Alegre. As desculpas que eu peço por essa autopromoção elas não tem fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3159919280940571493?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3159919280940571493/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3159919280940571493' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3159919280940571493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3159919280940571493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/04/extincao-do-curio-macaco-concluida-em.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-4896857977645834052</id><published>2011-03-17T14:47:00.000-07:00</published><updated>2011-03-29T16:08:03.158-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Figures of adequate imagination&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;De vez em quando você vê gente mais ou menos inteligente falando que desde momento X a literatura nunca mais fez grandes livros. A LITERATURA, esse golem, esse megazord. Que ela não nos entrega mais os grandes gênios lapidares, os narradores da epopéia do espírito humano. Muitas vezes escolhem o modernismo como esse ponto de derrocada, Ulysses como exemplo máximo de exaustão. Mas às vezes são mais modestos, reclamando dos últimos vinte, trinta anos e fazendo algumas concessões de gente do pós-guerra (geralmente Beckett e Borges).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu (que leio ficção recente e contemporânea com o entusiasmo de groupies adolescentes exultantes) fico sempre meio perplexo. Esse povo já leu Delillo, Carver, Gaddis, DFW, Sebald, Handke, Marías, Óz, Mccarthy, Pynchon, Toussaint, Puig, Roth, Pávitch, Coetzee? Se leu, entendeu alguma coisa?*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato alguma coisa parece ter se esgotado, mas não é a possibilidade de talento imaginativo, de narrativas bonitas possíveis, de prosa extraordinária. O que parece ter se esgotado (ou se tornado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bem &lt;/span&gt;mais complicada) é a possibilidade de se montar uma narrativa historiográfica única, de eleger tradutores inequívocos da nossa sensibilidade e experiência. Nesse sentido eu concordo que Borges e Beckett podem muito bem ter sido os últimos. Os dois parecem os cantos de cisne de uma tradição enorme e absurdamente rica ainda se relacionando de maneira confiante e certa consigo mesma*, quase absoluta. Dá pra enquadrar canonicamente esses caras com extrema facilidade, dá pra explicar bonitinho de onde eles vem e o que eles trazem de novo pra festa, estampar suplementos literários e usar de resumo didático para um bando de tags contemporâneas. As vozes que não concordam com sua grandeza até existem, mas são pouco sérias ou idiossincráticas demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa que a historinha da literatura se tornou mais bagunçada, com pertencimentos de tradição e influência entremesclados e difusos, setinhas de progresso entortadas com várias direções simultâneas. Significa que um dos vários filtros estéticos possíveis - o de um autor dançando break na cara da Tradição - se enfraqueceu, tá quase indisponível. Que as vozes mais fortes e expressivas de agora em diante serão mais particulares, não tão unânimes ou definitivas. Que a tão-elusiva posteridade se tornou ainda mais esguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas não significa que os autores sejam &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fracos&lt;/span&gt;, que a experiência individual do leitor diante daqueles textos será menos expressiva. Ela pode ser mais contingente, menos absoluta na sua relação com a tradição e com certas possibilidades expressivas. Os melhores Faulkners são mais inequívocos que Suttree, Cervantes é mais importante do que Pávitch, Tolstói será lido por muito mais tempo que DFW. Nada disso diminui (nem deveria diminuir) a experiência individual do leitor, nada disso impede que eu prefira ler Suttree, Pávitch e DFW.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Ou ainda: Bolano, Aira, Saramago, Saer, Franzen, Munro, Murdoch,  Benhard, Robinson, Houllebecq, Murakami. Isso sem contar os vários inúmeros que eu  nunca li, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Os dois últimos narradores confiantes e certos são, justamente,  narradores de mediação e incerteza, é claro. Há-ha, ai que gracinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-4896857977645834052?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/4896857977645834052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=4896857977645834052' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4896857977645834052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4896857977645834052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/03/figures-of-adequate-imagination-de-vez.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8293260254229515428</id><published>2011-03-13T22:33:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T22:59:09.800-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The presumed landscape&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Como nossas imaginações e sensos de realidade são constituídos por pecinhas de lego e silhuetas recortadas de papelão, nunca dá pra saber exatamente o que vai lograr um nervo, o que vai nos parecer urgente e importante. Um terramoto é certamente algo tremendo e formidável, a terra racha e treme, devora coisas, mata muita gente, é tudo horrível. Mas estamos aqui quase todos nós em lugares prodigiosamente desprovidos de tremores, enquanto ouvimos e lemos o que acontece. A terra deita descansada e calma, sem rachaduras, com cheiro gostosinho de chuva. E acaba que nos percebemos (alguns) tão tocados quanto quando passando brevemente de canal nós vemos a Calista Flockhart – já quase engolida pelas fauces da desmemória – dizer ou ouvir de alguém (apenas lemos a legenda) que está com câncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais quase todos concordaram que a imagem exemplar mais expressiva dos eventos lá no Japão ontem era uma criancinha japonesa levantando os braços para que medissem sua radioatividade. De anteontem, era uma linha de senhoras japonesas abrigadas por iguais cobertores azuis. Antes disso, eram carros novos sendo engolidos e levados pela água (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;carros novinhos!&lt;/span&gt;, diz a voz de alguém na minha cabeça). Estas coisas aconteceram mais do que outras, aparentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como responder? O mundo já sabe de suas deixas e reações, né. Sabe dos seus diagramas infográficos e das suas expectativas de investimento. Ele narra a si mesmo em encaixes de telejornais e hashtags, como uma dona-de-casa francesa num romance do século dezenove. Geralmente temos ainda celebridades e canções beneficentes (com menos pathos, no caso de países de primeiro mundo). Designers desempregados fazem sua parte com imagens bonitinhas tumbláveis de bolas vermelhas e lágrimas estilizadas, com isso não precisamos nos preocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que respeite e admire – de verdade – a disposição afetiva e emocional de quem consegue se afetar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;genuinamente &lt;/span&gt;por desastres naturais distantes, diversamente figurados e infinitamente disponíveis, ainda não sei como devo domar os potros, os burocratas prussianos da minha imaginação. Como diabos eu modulo a minha reação diante da correção jornalística de mortos que já figuram nos quatro dígitos? Com um ajuste de sobrancelhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É sério, eu não sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8293260254229515428?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8293260254229515428/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8293260254229515428' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8293260254229515428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8293260254229515428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/03/presumed-landscape-como-nossas.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-9149222769006406959</id><published>2011-02-12T07:23:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T10:41:01.426-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma capivara que nasceu errado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;outro divertimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma capivara que nasceu errado tenta subir escadas e não consegue. Um senhor de cabelos brancos quase inexistentes fumaçando uma cabeça de crânio denunciado está sentado num café do outro lado da rua, batendo a colherinha na sua xícara. Ele se vê estranhamente detido pela cena, pelos membros mal encaixados da capivara e sua protelada dificuldade. Fica tão comovido que decide levá-la para casa, ensiná-la a subir escadas e ‘poder assim participar integralmente dos movimentos do mundo’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   No jantar, percebe que as suas limitações alcançam outras esferas, que a capivara tem dificuldades infinitas ao endereçar o mundo, empacada em todas as direções, de todas as disponíveis maneiras. Ela não sabe trocar lâmpadas, conversar com estranhos, interpretar o impacto político de filmes na esfera pública, cancelar assinatura de TV a cabo ou rejeitar as solicitações do telemarketing. É tudo mesmo muito difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem prorrompe em compaixão. Põe a capivara para dormir num composto de almofadas no chão da sala e passa a noite bebendo gin no escuro, chorando silenciosamente e considerando a gravidade de seu recém-revelado chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   No dia seguinte estabelece uma série de exercícios cruciais. Ensina a capivara como se faz café, como se dá nó na gravata, como se pede comida em diversos tipos diferentes de estabelecimentos de comércio de alimentos. A lontra tenta comer a borra do café no filtro, chora ao falar com o garçom, quase se enforca com a gravata, etc. É tudo muito divertido. O homem se preocupa, a capivara passa a morar com ele, saindo de casa apenas para ir trabalhar como guardinha noturno numa loja de eletrodomésticos. O trabalho envolve manter uma expressão atenta (o que ela quase consegue) e fazer percursos ociosos pelas dependências da loja, seria todo tranquilo não fosse pelo medo de invasores. A capivara não consegue nem imaginar a motivação necessária para tanto esforço, para sair de casa com caminhonete, cordas, roldanas e armas, usar de violência ou grave ameaça, quebrar vidros, carregar geladeiras, tudo tão difícil! E tudo  para poder refrigerar alimentos ou secar roupas! Sentado no seu tamborete, ela admira a industriosidade concentrada dos eletrodomésticos, inveja a sua capacidade sintetizada de realizar tarefas. Eles todos zumbindo o funcionamento de suas maquinarias escondidas, calmamente realizando suas funções, enquanto ela não consegue, cai por aí, se choca com transeuntes, mastiga termômetros, perde vários dedos do pé em incêndios parcialmente provocados por sua inépcia com materiais nem tão inflamáveis assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os exercícios são invariavelmente infrutíferos, mas o homem não desiste, fica acordado diversas noites lendo artigos científicos que não entende e pensando em como diabos redimir a inadequação total e derradeira da capivara . Ela não parece jamais ter se encaixado apropriadamente em nenhuma circunstância. Quase como se contivesse uma disposição negativa diante dos elementos, algo entranhado que sempre acionasse a resposta errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ele pensa isso no escuro enquanto a capivara se debate dormindo, no chão, seu sono tumultuado por zíperes, formulários, parágrafos de historiadores alemães, catástrofes marítimas enormes causadas por ela, frotas inteiras afundando num mar escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A melhor solução que ele consegue projetar é a de um livro, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manual definitivo de procedimentos&lt;/span&gt; onde toda atividade concebivelmente necessária seria didaticamente enovelada. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como se fazer Bouef Bourguignon. Como se determinar politicamente. Como se portar diante de diferentes práticas religiosas. Como escolher um carro com a melhor relação custo-benefício. Como se prantear os mortos. &lt;/span&gt;Depois da primeira noite de trabalho o arquivo do Word já contém trinta e quatro páginas. Dessa maneira, em poucos meses ele teria milhares delas! Ele esconde da capivara a confecção do manual, pretendendo fazer uma surpresa no seu aniversário (em junho próximo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas semanas, o manual não passa perto de uma conclusão - nem mesmo de uma delimitação aproximada de seus limites - apenas se espraia adiante indefinidamente, ramificando-se como dedos d’água, obsessivo e progressivamente específico.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;    Como demonstrar respeitabilidade diante de um grupo de velhinhas assustadas no elevador. Como se esgueirar para atrás do móvel da televisão para ligar os cabos do DVD sem que nada seja derrubado. Como expressar resignação diante das críticas veladas feitas pelo seu sogro a respeito da educação que você dá ao seu filho. Como julgar a trajetória musical de David Bowie a partir dos anos oitenta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A minúcia dos encadeamentos procedimentais começa a assustá-lo em sua complexidade, o arquivo primeiro de texto abandonado por rascunhos gráficos arvorados, fluxogramas enormes interminavelmente relacionados, cada item abrindo-se em novos e ultrajantes sistemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O homem percebe num sonho epifânico grandioso conduzido por David Caruso que o que ele está fazendo é programar a lontra. Olha que merda. Ele não sabe muito de computação, nem de nada parecido, mas a analogia lhe parece apta. E agora as noites que ele não passa em claro detalhado ou planejando novos segmentos e capítulos ele passa acordado preocupado com a capacidade cognitiva da capivara de processar todos aqueles textos e realizar aquelas operações de maneira satisfatória. Essa preocupação, embora ainda distante de ser resolvida, é por sua vez substituída por uma segunda preocupação, se a capivara, mesmo que consiga atingir um estado óptimo de realização de todos aqueles procedimentos (o que parece altamente improvável), seria capaz de realmente entender o que estava fazendo, e extrair das circunstâncias executadas experiências devidamente sentidas e realizadas, preenchidas, completas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ele pensa em incluir nos procedimentos um tipo de educação pessoal e sentimental que se certificasse desse resultado, mas as implicações práticas disso quase derretem sua cabeça. É tudo mesmo muito difícil. A capivara ofende a filha do embaixador, cria incidentes diplomáticos, estoura crises econômicas em diversos países emergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O homem não mais dorme, as mãos aprestadas à cabeça, arcobotantes tensos pressionando pele nas têmporas, suando. Diante dele as páginas e páginas do manual, sua impossibilidade grosseira. Enquanto na cozinha a capivara derruba a mesa, açucareiro, colheres, maçãs, copos comemorativos de cerâmica, encosto, pires, a cadeira na qual estava sentada, quebrando a bacia, rasgando tecidos diversos e potencialmente comprometendo o funcionamento de uma série de estruturas vitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   No quarto, o homem recebe o prolongado barulho de catástrofe com uma espécie de alívio. Permanece quieto na cama. Sonha com um musical formidável dançado por capivaras esguias e elegantes, arranjos complexos e simbolicamente elaborados dançados à perfeição por um composto quase orgânico de centenas delas, todas de fraque, inexpressivas, seus bracinhos seguindo ondulações seccionadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-9149222769006406959?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/9149222769006406959/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=9149222769006406959' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/9149222769006406959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/9149222769006406959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/02/uma-capivara-que-nasceu-errado-outro.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6762468370588416546</id><published>2011-01-12T08:08:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T05:13:52.916-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Como hacer cosas con palabras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Com o hábito a nossa recepção dos lugares e das circunstâncias parece que enfraquece, vai sumindo. Um enfraquecimento até COGNITIVO (segundo algum estudo vago que li sem óculos de canto de olho no jornal, anos atrás), a gente mal tem o trabalho de processar circunstâncias e lugares e já aprendidos, só atentamos pra alguns gatilhos familiares. E, com isso, eles quase deixam de existir, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;res extensa&lt;/span&gt; da nossa cabeça, fundo de tela para interfaces simplérrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí tédio, né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cursando há quatro anos um curso que passo bem perto de odiar, as aulas e as instalações e seus arredores já quase inexistem. Janelas minimizadas, umas figuras distantes acenando e gritando surdamente, gente rindo do nada, algumas palavras-chave anotadas quase aleatoriamente num caderno cheio de desenhos feios e engraçados. Numa aula de Direito do Trabalho, eu leio Lorrie Moore. A mulher progressivamente doidinha finalmente surta, enfia uma faca no marido. Minhas pernas se crispam, eu todo tenso, e por um segundo eu literalmente não entendo aquele negócio ali em volta, aquela gente falando sobre FGTS &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como se nada daquilo estivesse acontecendo&lt;/span&gt;, como se não tivesse uma faca enfiada no cara, coitado. Ora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6762468370588416546?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6762468370588416546/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6762468370588416546' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6762468370588416546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6762468370588416546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2011/01/como-hacer-cosas-con-palabras-com-o.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8974479415594361862</id><published>2010-11-28T17:57:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T18:05:02.038-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Frozen images, respected few&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Um show de rock é um evento quase sempre desajeitado. É possível imaginar ocasiões de um alinhamento cultural extraordinário onde o humor se assesta, as pessoas  realmente se entendem, mas parecem ser bem poucos. Geralmente você lida com muita gente besta, som ruim,  moço da cerveja gritando. Os materiais disponíveis tão dificultosamente tentando se congregar numa fruição genuína, com tantos cotovelos e nucas literais e metafóricos te acertando e te impedindo, as empresas que patrocinam o evento com suas vinhetas e cartazes ridículos. As presenças apresentadas em variados níveis de pureza e suposta autenticidade (proximidade dos artistas do seu auge criativo, presença exigida de todos os membros da formação original, inclusive dos que nunca acrescentaram nada musicalmente, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falo disso porque sábado agora eu vi a minha &lt;a href="http://www.google.com.br/images?hl=pt-br&amp;amp;client=firefox-a&amp;amp;hs=Yrt&amp;amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;amp;q=pavimento&amp;amp;um=1&amp;amp;ie=UTF-8&amp;amp;source=og&amp;amp;sa=N&amp;amp;tab=wi&amp;amp;biw=1280&amp;amp;bih=619"&gt;banda &lt;/a&gt;preferida de todos os tempos, que eu escuto desde os quinze/dezesseis, e foi uma experiência emocionalmente muito forte e estranha. As dificuldades descritas estavam lá, ajuntadas ao tempo horrivelmente curto e aos fãs impassíveis de Billy Corgan. Mas a maioria delas não diminuía (pra mim) a força daquilo que eventualmente se configurava, e a princípio eu não conseguia entender como, exatamente. Até que me ocorreu que a maior parte da boniteza do Pavement já vem de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;awkwardness&lt;/span&gt;*, de um desajeito, um constrangimento. Daí que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;In the mouth a desert &lt;/span&gt;cantada por um homem maduro e aparentemente constrangido (de voz já dessemelhante de si mesma, diante de uma multidão apenas parcialmente compreensiva) não resulta menor, mais dispersa. Fica até, quem sabe, mais bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*palavra intraduzível, né, das mais lindamente autológicas que existem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8974479415594361862?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8974479415594361862/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8974479415594361862' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8974479415594361862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8974479415594361862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/11/frozen-images-respected-few-um-show-de.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-579072208336907023</id><published>2010-11-07T05:52:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T06:03:55.467-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/TNawAwrypYI/AAAAAAAAACs/3orFypDEZwQ/s1600/convite_sinais.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 253px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/TNawAwrypYI/AAAAAAAAACs/3orFypDEZwQ/s320/convite_sinais.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536806319013668226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Quem quiser ler algum trechino: isso &lt;a href="http://derivativo.blogspot.com/2007/08/see-moon-it-hates-us-em-forma-de.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;tá no livro, ainda que bem modificado. Comprem pra toda família (y).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-579072208336907023?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/579072208336907023/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=579072208336907023' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/579072208336907023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/579072208336907023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/11/quem-quiser-ler-algum-trechino-isso.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/TNawAwrypYI/AAAAAAAAACs/3orFypDEZwQ/s72-c/convite_sinais.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2893912922521862792</id><published>2010-11-05T07:50:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T08:46:46.516-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Eu formo os meus preconceitos estéticos como se estivesse realizando algo exato. Percebo alguns clichês recorrentes atrelados a um escritor, noto como é seu admirador típico, reconheço algumas tags genéricas tacadas pelo jornalismo distraído e vou endurecendo numas impressões vagas como se elas tivessem qualquer profundidade. Montando bustos de barro de gente que eu nunca vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É até útil, impede que eu fique doido de ansiedade por não ser capaz de perseguir todos os vários escritores que eu deveria perseguir. Mas é também traiçoeiro pra caramba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXEMPLO DE COMO PODE SER TRAIÇOEIRO PRA CARAMBA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coetzee acabou caindo nas minhas graças negativas por uma mistura confusa de suspeita do prêmio Nobel com suspeita de crítico fingindo que gosta de qualquer coisa que venha da África e faça alguma menção de tratar de opressão política. Acho que também não fui com a cara da fotinha dele. Dando tempo, essas vagas intimações vicejam na minha cabeça, criam troncos de anéis sobrepostos, musgo e parasitas, como se eu tivesse lido bibliografias, escrito alentados tomos sobre as deficiências do cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda acontece deu dar de primeira com Slow Man, um dos seus piores livros (segundo muita gente que sabe melhor do que eu). Eu provavelmente passaria anos e anos  de cara enfezada sem dar uma segunda chance, se não tivesse tido a tremenda sorte de alguém ter esquecido Desonra na minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a ler o livro com a cara feia já disposta, esperando encontrar clichês, facilidades políticas didaticamente enoveladas, truques literários sem conseqüência. Mas não. Toda essa pré-disposição foi sendo cirurgicamente desmontada por um dos livros mais fortes e irredutíveis das últimas décadas. Foi uma experiência engraçada continuar ainda por várias páginas achando que a minha cabecinha anteciparia o próximo passo, a próxima frase, o próximo efeito desejado, apenas para se ver o tempo inteiro surpreso com aquela sensibilidade tão aguda para desgraça, aquelas frases tão cuidadosas desvelando uns cortes agudos. Gradações do Mal trabalhadas numa voz que as leva a sério, que não troca violência por um signo político armado e que confere toda a gravidade ficcional necessária para que tamanha força auto-importante não se desmonte em algo arbitrário e simplesmente cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Hoje é um dos meus livros favoritos. E eu poderia passar a vida sem lê-lo apenas porque algum bobo copiou&amp;amp;colou bobagens vazias sobre o cara e me irritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MORAL DA HISTÓRIA: Os instrumentos do mundo não são confiáveis e somos todos moralmente obrigados a ler todos o livros já publicados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2893912922521862792?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2893912922521862792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2893912922521862792' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2893912922521862792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2893912922521862792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/11/eu-formo-os-meus-preconceitos-esteticos.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5280158306337750057</id><published>2010-10-21T18:25:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T19:03:43.055-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Le diverse et artificiose machine del capitano Agostino Ramelli&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Blog já ficou tão antiquado, né. Todo mundo aí disperso em outras presenças fantasmáticas mais breves e esguias, e eu aqui todo Roberto Pompeu de Toledo, o futuro do livro e a privatização do aborto, todo Irão e iPad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Ainda mais blogger, meu deus, esse troço pedacento. Mas vocês é que não entenderam ainda que já deu a volta, transtrocou e revirou chique. Quinem que GIF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;    Andam numas de que o seriado sério americano – de TV a cabo, com um ritmo ‘deliberado’, sem as formulações apressadas de várias tramas resolutas por episódio – tá substituindo o romance. Como espelho da sociedade, como espaço comum de reflexão sofisticada, assunto de pessoas inteligentes, coisas assim. Isso num palco muito bonito de atribuições sociais às artes, né, com painéis em rosais públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Esses seriados costumam ter criadores fortes por trás (ao invés de uma massa corporativa de produtores e escritores recorrentes), e um nível até surpreendente de integridade, considerando o nível televisivo. Mas nem dá pra entender o que ser quer com a tal substituição. Fora o Franzen, nenhum escritor de alguma força tenta ‘traçar panoramas’ e figurar em debates de relevância social. Talvez o Vargas Llosa, ou aquele Littel, mas parece difícil se manter acordado com esses tijolos todos mostrando que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;olha, opressão e totalitarismo não são legais, não! olha a banalidade do mal aqui&lt;/span&gt;. E não há um grande escritor ‘social’ de fato massivamente lido desde o século dezenove, provavelmente, quando Balzac e Dickens eram serializados e lidos como entretenimento popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mad Men não alcançou exatamente o respeito crítico de Sopranos e Wire, mas passa perto, e já é cultuada desenfreadamente como um objeto de distinção, algo a ser adicionado e curtido publicamente. Mas a sofisticação alardeada do negócio se contenta, mais do que qualquer coisa, em enquadrar elegância dos anos 60 em imagens tumbláveis e jogar toda hora umas ironias facinhas com alguns clichês vencidos da época (Olha como eles eram bobos, fumando e sendo sexistas, haha! &lt;a href="http://www.lrb.co.uk/v30/n20/mark-greif/youll-love-the-way-it-makes-you-feel"&gt;Nossa, hoje a gente sabe melhor&lt;/a&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mas eu assisto, sim, com algum atraso, e gosto de alguns momentos. Existe ‘complexidade psicológica’*, tem escritores razoáveis ali, às vezes montando diálogos interessantes de fato, com personagens empáticos que inclusive sobrevivem a massa de episódios, até se mantém de pé. Mas me incomoda o truque, ou filtro, ou sei lá o quê, de ‘capturar uma década’ como quem tá arrasando, como quem constitui um tremendo ato artístico. Jameson tem citações lindamente vagas e bem apropriadas que eu tou com preguiça de catar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O seriado parece fascinado com sua própria capacidade de reproduzir as circunstâncias desse período destacado e reconhecível. Ah, a ingenuidade hipócrita desses anos!, de uma elegância e inocência perdidas com Kennedy, Nixon, Marilyn e o Vietnã! Revolução Sexual e movimento de direitos civis sugeridos em inserções gratuitas e vazias. Esse tipo de coisa. A manipulação publicitária se tornando mais poderosa e sofisticada (o que o seriado ao mesmo tempo elogia, estiliza por fodona e elege como símbolo de desonestidade e superficialidade cultural).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Os efeitos dessa reconstituição já estão prontos e vão se encaixando, os conflitos narrativos mais ou menos satisfatórios carregando tudo como lentas locomotivas desapressadas. E as brechas poucas que aparecem são preenchidas com gestos vagos e demorados, só raramente humanos, de uma melancoliazinha esbatida e tão sofisticada, de uns sobrolhos franzidos em quartos à meia luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Geralmente quando dizem isso de um seriado, querem dizer que os personagens são moralmente dúbios e ocasionalmente contraditórios, em espamos arbitrariamente alocados. Mas aqui até que não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5280158306337750057?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5280158306337750057/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5280158306337750057' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5280158306337750057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5280158306337750057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/10/le-diverse-et-artificiose-machine-del.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-649580054364690902</id><published>2010-10-12T18:26:00.000-07:00</published><updated>2010-10-12T18:31:29.760-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;    Esse post é muito vago e eu adorei escrevê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Na minha cidade não chove, e nem mais nada acontece. Bandas internacionais decidem que podem nos incluir nas suas turnês. Elas descem aqui de avião e tocam, boa parte das vezes em estruturas emprestadas e mal improvisadas, já que não temos muitos lugares apropriados pra esse tipo de coisa. O caderno de cultura faz um barulho todo. Existe um provincianismo extremo e muito bonitinho (que eu entendo) de olhar pra aquele povo da TV da sua adolescência e ver que eles estão existindo ali na sua cidade, olha só, as duas esferas se tocam. De extrair disso uma importância enorme, daquele lugar se reposicionar dentro de coordenadas pessoais de importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E é tudo tão pequeno. Uma banda de gente de talento muito ligeiro (mesmo pra esse tipo de coisa). Foi quase um acidente momentâneo de fatores que tornou as músicas deles um pouco mais significativas ou divertidas do que a massa de músicas bem parecidas da mesma época. E esse breve momento de fazer algum sentido pra adolescentes em conjunturas culturais tão particulares se filtra em diversas instâncias corporativas e jornalísticas, se dilui adiante, indefinidamente, qualquer espontaneidade redentora se perdendo. Esse breve acidente se traduz pro resto da vida tocando pelo mundo, na Turquia - imagino, não sei - no leste europeu, no interior do México. Como um filme dublado do Steven Seagal ainda reverberando no espaço, décadas adiante. E isso significando alguma coisa pra adolescentes renovados, para jovens adultos já nostálgicos de algo que nem, exatamente, chegou a acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Um santinho eleitoral me fala de ‘equipamentos culturais para a comunidade’. É uma expressão meio triste, ressonando palavreado aparatoso político, instrumentalizações esquisitas. E por isso mesmo eu gosto dela, da tristeza pequena dela. Equipamentos culturais, faz pensar em algo trambolhoso. Faltam mesmo, esses quipamentos culturais. Na falta, na pobreza variada de imaginação, importamos tudo como podemos, de maneiras curiosamente pessoais. Eu penso sempre num amigo que teve a adolescência povoada por bandas pequenas e alternativas, bandas que só ele conhecia, num raio de possíveis milhares de quilômetros. E, além disso, uma rede de amigos gringos verdadeiros, de familiaridade extrema com os arredores de uma cultura alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Temos uma penca de mundos imaginados à nossa quase-disposição, pendurados no nosso pescoço. E a distância desses mundos todos sempre contrasta decomforça, é sempre sentida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    É bem possível escolher pra si as circunstâncias e ambiências distantes de um pequeno setor cristalizado que lhe agrada. De sei lá o quê, de cinema francês dos anos tal, indie rock californiano dos anos noventa, república weimar, punk inglês, jazz age, maio de 68. Tudo parece igualmente habitável de mentirinha. E, em certa limitada medida, claro, não é nem de mentirinha. Não é impossível que funcione, que se fique bom nisso, praticado. Costuma ser meio ridículo pra quem vê de longe, como qualquer sustentação irônica, qualquer bovarismo,quixotismo, mas isso não torna inválido. Uma palheta reduzida de cores simples e poucas, repetidas, insistidas, trabalhadas durante toda uma vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-649580054364690902?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/649580054364690902/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=649580054364690902' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/649580054364690902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/649580054364690902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/10/esse-post-e-muito-vago-e-eu-adorei.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1491311548801484026</id><published>2010-08-20T23:00:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T15:28:24.819-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Spoils of Poynton&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Eu gosto de tentar dar conta dos motivos que me fazem gostar demais de alguma coisa. Não é traçar explicações, resenhas, slides de powerpoint encaixados, mas  minimamente delimitar na minha cabeça o que há de especial em algo que me toca pra caramba, perceber quais os pontos expressivos distintos que saltam e se repetem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É legal, como se você inventasse toda uma topografia da sua sensibilidade. Um território de indexações que você possa percorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E inevitavelmente (porque eu gosto de fingir que as coisas fazem sentido) vão acontecendo umas conexões. Daí que Henry James tardio e Cézanne passam a ser parecidos, assim como Noah Baumbach e Ann Beattie. Modest Mouse de início-de-carreira vira a melhor banda que Brasília já teve. Um tipo de quadro do Matisse, o Silêncio, Gerry, os interiores do De Hooch. O mundo do Super Mario World junto de todo tipo de cosmogonia e cartografia ingênua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os reconhecimentos movediços vão acontecendo, ainda que forçados pela reunião amontoada, pela mera presença associada nas gavetas da minha cabeça. Como um gabinete de curiosidades das coisas bonitas que existem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1491311548801484026?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1491311548801484026/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1491311548801484026' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1491311548801484026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1491311548801484026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/08/spoils-of-poynton-eu-gosto-de-tentar.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3174985464903600651</id><published>2010-07-27T10:34:00.000-07:00</published><updated>2010-08-02T20:09:18.638-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Sim, é verdade que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;possível &lt;/span&gt;usar ferramentas críticas relativamente complexas pra desmontar a linhagem por trás de Lady Gaga e certos filmes de Zumbi. Isso não significa que há qualquer interesse em fazê-lo. É verdade que alguns filmes do Tarantino contém algo como esquemas minuciosos de uma determinada linguagem popular. Isso não significa necessariamente que eles são bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se faltasse a alguns jornalistas e articulistas até a possibilidade vocabular de se criticar um artista que saiba o que está fazendo. Neguinho se sente diante de um formidável nível de auto-consciência formal, as nuanças poderosas e esotéricas de uma linguagem e vocabulário artístico que progressivamente reconhece a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a interpretação que acha que, ao verificar alguma espécie de complexidade cognitiva deliberada por trás de cultura pop, se depara sempre com algo extraordinário. Como se não fosse possível que algo artificioso fosse superficial ou desinteressante. Como se artifício equivalesse a arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que a gente possa usar as palavras 'pastiche' e 'colagem' &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apropriadamente &lt;/span&gt;de maneira tão desenfreada deveria apontar para um relativo esvaziamento desses recursos, que já são vovôs, é bom lembrar, que remontam a monarquistas anglicanos e surrealistas franceses, a vanguardas de terninho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de formatos que ainda lutam por respeito, isso é ainda mais claro. Nos quadrinhos, Chris Ware, Daniel Clowes e Mazzuchelli são quase sempre resenhados com um fascínio meio condescendente, que se contenta em aplaudir a mera possibilidade formal das obras. Pode ser que exista, mas eu nunca vi alguém que tentasse seriamente falar da linguagem deles além de reconhecer a virtuose e as referências gráficas, que tentasse delimitar melhor as suas potências e deficiências expressivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos jogos, a gente tem algo parecido em volta de Braid, um jogo de 2008 que se pretende como arte da maneira mais encaixada possível, como se preenchesse os pré-requisitos de uma lista. É um jogo de plataforma antiquadamente renderizado, com arte cuidadosa, que se utiliza das convenções mais óbvias do gênero de um jeito auto-consciente para subvertê-las em direção a objetivos meio poéticos, meio metafísicos (uma subversão que acontece não só num nível narrativo, mas através da própria linguagem do jogo, sua mecânica e funcionamento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferente de algo como Passage, que usa a estrutura de agência de um jogo, mas não partilha da história e das convenções da linguagem, Braid funciona muitíssimo bem como um jogo de plataforma, e é uma sensação nova e peculiar sentir-se imerso dentro de um jogo tão deliberadamente montado como obra de arte. Pelo nível de unidade estética intencional acumulada - visível até no nome, e possibilitada tão inteira pela produção independente e autoral do jogo, sacrificada e arriscada - acho que é preciso reconhecer o seu status de arte, sim. Se eu não considero o jogo inteiramente bem-sucedido, é pelo tamanho de suas pretensões, além de uma relativa breguice na suas escolhas estéticas.    Mas o seu sucesso (inclusive financeiro) deve ter funcionado como um chamado às armas para muito artista desencontrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas estão aí, formas até ontem inerentemente populares trilhando os caminhos tão claramente sulcados de uma vanguarda. Existem dificuldades práticas maiores pro lado da emergência de um videogame autoral, mas as possibilidades de exposição e de impacto são ainda maiores do que essas dificuldades. No caso de HQ, pra mim a maior parte da transição já aconteceu, ainda que eu não ache que nenhuma obra isolada mereça nenhum coroamento extraordinário, nenhuma láurea definitiva de obra-prima ou gênio (o que talvez nem seja necessário). Não sei a quantas anda esse ímpeto na academia, mas no jornalismo cultural e quejandos ele já aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro front, o movimento geracional já está feito, os blogueiros e articulistas todos prontos para receberem com trombetas abaritonadas e indexações em ferramentas sociais esses jogos preclaros do espírito humano. Bioshock já ressonou ligeiramente nesse sentido, mas ainda não houve exatamente um estoiro. Talvez aconteça no próximo jogo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Team_Ico"&gt;desses &lt;/a&gt;caras, talvez numa surpresa independente e autoral. É só questão de tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3174985464903600651?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3174985464903600651/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3174985464903600651' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3174985464903600651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3174985464903600651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/07/sim-e-verdade-que-e-possivel-usar.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8638640222751704383</id><published>2010-07-11T08:08:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T16:13:05.777-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Umas notas sobre Cachalote e quadrinhos em geral&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de falar bem de Cachalote, deixa eu gesticular vagamente umas impressões sobre quadrinhos que nunca tenho a chance de tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rafael Coutinho tem seu principal talento em criar ambientes, esparramá-los, abrir e fechá-los como bem entende. Ele sabe como enquadrar uma visão e o que mostrar de um lugar, como estabelecer uma impressão espacial e mantê-la. Sabe como usar as ondulações controladamente distorcidas do seu traço de maneiras sugestivas (em superfícies reflexivas, em vegetação), como integrar as pessoas nos seus ambientes e relacioná-los. É estranho o tanto que suas falhas e deficiências recorrem sobre um mesmo ponto: as figuras humanas. Longe do realismo eloquentemente simplificado e levemente torto da sua natureza e área urbana, as figuras humanas são estorcidas de uma maneira bem menos confiante, de uma incerteza que não é consistentemente expressiva, que em alguns momentos chega a ser quase apressada e tosca (quase nunca de uma maneira afetada, potencialmente interessante).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso parece uma crítica enorme, mas não é tanto. É mesmo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito &lt;/span&gt;complicado encontrar uma maneira expressiva e original de se desenhar gente, pra esses fins ainda mal afirmados de história em quadrinhos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;autor&lt;/span&gt;. Não é só acertar uma voltinha do nariz, envolve todo o estilo que o artista vai arranjar pra montar as suas representações gestuais, e envolve os valores e impressões que o mundo representado deve passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você não tá dentro de um gênero de convenções bem delineadas (como de super-heróis), você tem que tirar tudo da própria bunda. Americanos procedem com frequência em retomar convenções do imaginário gráfico do quadrinho mainstream. Clowes e Ware apresentam como que versões irônicas das figuras de gente como Schulz e Walt Kelly. Acrescidas de olheiras, em tons mais  pálidos, ressacados de realidade*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mazzuchelli e Burns fazem coisas mais ou menos parecidas, ambos de maneira também original. Só o Tomine que parece insistir num realismo mais ‘direto’. Que só funciona porque ele é o escritor mais sutil de todos esses, o menos dependente de outro nível representativo que não o presente na história que ele tá contando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, é difícil pra caramba encontrar o seu próprio jeito de desenhar pessoinha.&lt;br /&gt;Não é à toa que todo estilista acima da média costuma manter a base da sua figura humana, depois que a encontra, às vezes por décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez Coutinho queira fugir de um desenho mais realista, ou que proceda a partir de estilizações tradicionais do cartun (talvez queira fugir do tipo de expressividade simples e lindamente infalível do pai, o que seria bem compreensível). Ele consegue, sim, encontrar nesses traços tortos pequenas negociações que funcionam, principalmente (pra mim) no personagem do escultor e no do ator chinês. Mas a inexpressividade frequente é uma pena. É claro que existem dimensões outras do seu traço e do seu repertório que carregam a expressividade narrativa da história, mas em momentos onde o peso  recai mais diretamente no que é dito e no que devemos entender da cara dos personagens, nós muitas vezes não temos pessoinhas expressivas, vezes demais temos rasgos repetitivos e descolados de contexto (todo homem contido se contém num mesmo tracinho de boca, toda raiva se expressa numa mesma boca desmedida e disforme – e essa repetição não me parece funcionar dentro do mundo gráfico do Coutinho, que não é de simplicidade reconhecível e repetida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tou sendo chato, mas é justamente porque gostei muito de Cachalote, e porque queria que fosse ainda melhor do que já é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a grande vantagem do livro (ou 'romance gráfico', como queira) é que ele não se deixa diminuir tanto por essa que eu considero uma relativa fraqueza sua. Isso porque ele não tem só uma direção narrativa e representativa, não acontece só num tipo de expressividade. E nem tampouco seus níveis podem ser descascados ou engavetados, apontados como acontecendo aqui e ali, agora de tal jeito, agora de outro jeito. Não dá pra dizer onde o talento do Daniel Galera tá se sobrepondo ao do Coutinho, onde um orientou o outro. As qualidades se confundem e se informam de um jeito surpreendente,uma vai compensando as eventuais deficiências da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estranho como quase toda as histórias que compõe Cachalote tem premissas mais ou menos clichê, e como quase todas se desenrolam, no entanto, de maneiras inesperadas. Você acha que já as apreendeu, já conteve nos dedos as suas possibilidades, e de repente há uma espontaneidade surpreendente, uma falta de conclusão e de fechamento que não é simplesmente uma ausência arbitrária, um buraco largado, mas algo cuidadoso e contido, e seguro de si, uma força positiva. O Galera já demonstrou isso antes, e ele parece confortável em escrever histórias realizadas graficamente, sem poder se apoiar em outras ferramentas discursivas. Histórias que pareciam ser só sobre um assunto de repente se abrem, acomodam novos pontos, fluidamente. Eventos vão se quedando sem nenhuma pressa ou desespero por encaixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na real, é muito bom ver o tanto que eu não tenho vocabulário ou paralelos fáceis para tentar explicar o que há de interessante e genuinamente novo nas cadências e explorações narrativas do livro, nas relações compreendidas entre elas, no tanto que elementos temáticos que não consigo relacionar direito parecem se alinhar, se adequar, e a opacidade discursiva bastante particular do meio ganha umas forças inesperadas, que você não sabe de onde vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O Clowes no início de carreira tinha muito exagerada essa retomada irônica da ingenuidade do imaginário gráfico dos anos cinqüenta/sessenta, era cansativo. Com o tempo ele se tornou mais confiante e foi desamarrando um pouco seu estilo dessas implicações, embora a base se mantenha. O Ware, quase virtuoso, retoma no seu tipo particular de nostalgia um repertório absurdo de linguagem gráfica americana, não limitada a uma sensibilidade específica. Ele tem bem forte, por exemplo, a mania de nos entregar representações de uma simplicidade infográfica, de Clip Art. As representações reduzidas ao seu essencial comunicativo mais básico, só que minimamente manipuladas de acidentes, como que entristecidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8638640222751704383?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8638640222751704383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8638640222751704383' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8638640222751704383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8638640222751704383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/07/umas-notas-sobre-cachalote-e-quadrinhos.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1155961065749151887</id><published>2010-07-02T16:50:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T18:42:23.744-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Já de aviso, esse post é tão interessante ou iluminador quanto as outras bobagens desabafadas em mesas-redondas e caixas de comentários. No mesmo nível do TÚLIO DE ITAPETNINGA que diz GALVÃO VC NAO ACHA QUE OS BRASILEIROS PERDEM POIS NAO TEM CONTROLE PSICOLOGICO VIDE VARIOS RESULTADOS ESPORTIVOS e etcs.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Tostão, maior homem vivo,  é o único que tão frequentemente admite a impossibilidade de se contar uma historinha sobre jogos de futebol, a relativa arbitrariedade, impondo histórias quase completamente baseadas nos resultados.  Essa verdade não é tão interessante quanto ele acha, e é aborrecida de se repetir a cada resultado surpreendente, mas não deixa de ser a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, às vezes as historinhas se apresentam encaixadas, esquisitamente adequadas, as coisas fazendo sentido (a Alemanha ser uma máquina tática que não perde disputa de pênaltis, a Àfrica espontânea, genial e desorganizada dos anos 90), geralmente não. Em 82 a história é que não se pode jogar tão bonito assim, que Deus castiga. Em 2006 foi que não pode ter festa, tem que ter alma. A resposta (de mentalidade principalmente publicitária) ao suposto problema foi o Dunga. Uma resposta que nunca fez sentido, em nenhuma esfera de explicação, mas que foi se acidentando adiante como a única possibilidade, e que as pessoas facilmente foram aceitando por motivos apoucados e tortos, como sempre fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o fracasso dessa vez as explicações são tão óbvias e prefiguradas por qualquer pessoa de bom senso que quase não tem graça. Ele se percebia com a sutileza diversamente anunciada de um caminhão de lixo, de um monstro de filme japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O que não impediria, é claro, a gente de ganhar do mesmo jeito, sem fazer sentido. Ou enformando aos poucos um sentido narrativo composto de Lúcio, Juan e Maicon, com a fajutice fabulosa e afins se assentando como podiam, com tapinhas de mão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a gente perdeu a copa ali no Dunga ganhando a copa América, vendo seu mundinho rarefeito e solipsista arrancar confirmações absurdas da realidade, renovadas na Copa das Confederações, ou que perdemos na convocação, que até hoje ressoa como um desafio à qualquer noção de qualquer coisa (justificando com a mesma racionalidade a Ditadura, a escravatura e a presença de Kléberson), ou que perdemos quando o Filipe Melo jogou bem os primeiros jogos e deu impressão que queimaria todas nossas línguas. Etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra quem se identifica tão pouco com sentimentos massivamente veiculados, pra quem tem relativa dificuldade de compreender ou partilhar a dimensão de eventos de larga escala, é sempre estranho poder voluntariamente se adequar a essas delimitações de tristeza e alegria tão simples e binárias. Como se faz em qualquer outra ficção, qualquer outra suspensão de descrença, só que uma encenada grotescamente por milhões de pessoas, e mal interpretada pelos veículos mais crassos (Galvão, anúncios amanhã cedo nos jornais falando VALEU, SELEÇÃO).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que esse sentimento não faça sentido pra muita gente, que alguém não veja graça em futebol, não consiga ou não queira torcer, mas é tão pequeno o extremo oposto, extrair um senso tremendo de individualidade e auto-importância do fato de não se adequar no humor que se apresenta, não se adequar. Gente que de fato acha que vai arrancar à força uma personalidade com esse tipo de demarcação (ou uma, risos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;personal brand&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma amiga comentou, tristes são os fogos já comprados e que precisam ser estourados, pipocando desapontamentos, quinem que os rasgos de um bicho morrendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faltou foi a presença de espírito histórico da RedeTv!, ao não se agenciar Vannucci embriagado pra esse pós-jogo, impecável, infalível, cuidando para todo o sempre às nossas vaidades da única e perfeita resposta apropriada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1155961065749151887?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1155961065749151887/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1155961065749151887' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1155961065749151887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1155961065749151887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/07/ja-de-aviso-esse-post-e-tao.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2306207510626259331</id><published>2010-06-29T08:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-29T10:50:45.815-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Die lehre der Sainte-Victoire&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os gálicos (literais e derivados) que comentam toda ficção realista moderna com risinhos de escárnio não entendem nada. As reclamações mais habituais sugerem que o que ocorre é um seguimento automatizado de linhas tradicionais programáticas simplérrimas, uma ingenuidade tremenda que se acha próxima de alguma forma objetiva de apresentar a realidade, mas na real só envolve a aplicação insciente de umas fórmulas burguesas aborrecidas, ignorantes de viradas e reboladas linguísticas, formidáveis limiares ultrapassados de maneira definitiva por gente assim inteligentíssima. Do tipo olhem-só-para-eles-acham-que-a-"realidade"-se-configura-assim-com-palavrinhas-que-remetam-a-objetos-e-lineariedade-e-um-universo-com-atualidade-apreensível-e-personagens-com-interioridade-e-agência-material-circunscrita-à-subjetividade-européia, tadinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(como se certas medidas do fantástico, de pastiche pop, de fragmentação, de polifonia , etc, não se prestassem todas ao mesmo processo de formulação, ou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parti pris&lt;/span&gt; supostamente mais subjetivista trouxesse atestado de originalidade e complexidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum autor realista interessante apresenta uma cosmologia tão simples, tão inequívoca. uma impressão de realidade tão aborrecida. Nem uma Ann Beattie da vida. Essas convenções não se apresentam tão imediatas assim, são sempre renegociadas, repostas com o estabelecimento  de qualquer voz minimamente autêntica. Não que todo mundo seja um Cézanne (um Henry James), mas o erro - ou a ingenuidade - é achar que realizar o mundo consegue ser simples. Nem querendo. Isso não existe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2306207510626259331?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2306207510626259331/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2306207510626259331' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2306207510626259331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2306207510626259331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/06/die-lehre-der-sainte-victoire-os.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5206129309318508635</id><published>2010-06-25T16:11:00.001-07:00</published><updated>2010-06-27T13:38:16.586-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ViewerFrame?Mode=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(parte de um conto enorme bagunçado que provavelmente nunca vou terminar)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Arrigo recebeu a sugestão num email do Bernardo, entusiasmada, de imediatamente colocar a tal frase ali (uma linha de código? o que significava?) pra pesquisa e controlar câmeras soltas pelo mundo. Não entendeu muito bem o que era pra acontecer, se de fato seria tão fácil assim, tão simples. Mas tava lá, apareceu mesmo uma lista imensa de câmeras de segurança distribuídas pelo mundo, todas desguardadas e acessíveis, algumas até controláveis com setas direcionais, você podendo muito lentamente alterar o que ela enquadrava. Arrigo não entendia como isso era possível, qual tecnicalidade fazia com que isso acontecesse. Isso devia estar errado, que ele conseguisse acessá-las tão facilmente. Mas a lista se desenrolava, interminável, as tantas câmeras oferecidas em endereços de nome atropelado e confuso. A alimentação era lenta, às vezes você quase só distinguia a imagem ali antojada de uma foto fixa por ligeiras perturbações de pixels acontecidas em folhagem agitada por vento, movimentações mínimas de cor, de azul do céu escurecido ou esclarecido, luz refletida tremendo. O mais estranho, talvez, era a falta de origem ou explicação pra aquilo que você via. Às vezes o endereço até explicava aquela imagem como proveniente de um bar na Flórida, de uma praça em Edimburgo, uma universidade Coreana. Às vezes a própria imagem era bem auto-explicativa. Aviões se acomodando numa pista de pouso, crianças orientais numa creche. Mas a maioria não se anunciava, não se delimitava como pertencente a lugar algum. Era a mais desconectada e impertencente manifestação de atualidade que Arrigo conseguia imaginar. Seria como uma mente onisciente que não conseguisse processar ou compreender a quantidade absurda de informações disponível, que conseguisse acessar apenas dados soltos, desconexos, visões e pedaços do mundo que não reportassem a nada, que não sustentassem relações, um Deus dificultado que apenas conseguisse compreender e observar um pequeno recorte do universo de cada vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo acontecia, de fato, aquela visão noturna e alaranjada de uma rua apertada e vazia, sem carros estacionados, aquilo acontecia naquele momento, era um ramo real e presente dos fatos. As paisagens em sua maioria cinzentas, complexos funcionais acalmados, estacionamentos vazios, áreas de descarga e depósito, pequenas torres de transmissão nos longes, cercas de arame.  E no entanto aquilo precisava ser de algum interesse possível, de alguma relevância institucional, sei lá, um dos privilegiados pontos materiais do cosmos eleitos como importantes o bastante para merecer a vigilância permanente de uma câmera, uma oferta de luz cuidada. A maior vontade de Arrigo, algo que o deixava formigando de antecipação com cada janela diferente que abria, era de um dia abrir naquela oferta aleatória de mundos uma câmera que o capturasse. Por mais que soubesse a possibilidade infinitamente remota. O bloco vizinho ao seu era vigiado por câmeras, por exemplo.  Se um dia calhasse de abrir a página com uma delas (o que não era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;impossível&lt;/span&gt;, não era), ele desceria imediatamente, correndo, atravessaria a rua, se colocaria com toda gratidão sob a visão daquelas modestas lentes, metendo seus movimentos para captura, que fossem seccionados e guardados, transmitidos, e correria de volta para o computador, no quarto, com a esperança que os atrasos esperados entre captura e transmissão e processamento e transmissão permitissem que ele encarasse a si mesmo, o eco ainda soado de seus movimentos, como alguém que consegue virar rápido o bastante para enxergar a própria nuca refletida, que consegue encurralar dentro de seus próprios pensamentos uma inesperada recorrência e prova de presença divina, encontra a si mesmo numa história narrada alheia, numa foto histórica, como uma confirmação quase sobrenatural da sua própria existência, dela atingindo esferas outras distantes de importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, nunca aparecia nenhuma visagem minimamente reconhecível. Jardins com luz crepuscular deitando em espelhos d'água, renovados estacionamentos, nuvens adumbradas se misturando em baixa e incerta resolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele continuava abrindo novas janelas, não conseguia evitar a impressão de que a próxima câmera traria alguma visão espetacular. Se não essa, a próxima, ou ainda a próxima depois dessa. Não raro aparecia alguma câmera que apenas entregava um quadro escuro, todo preto. Mesmo essa falta de qualquer detalhe configurado, de qualquer mundo desenhado não impedia a impressão de que aquele também era um pedaço genuíno e distinto do universo, aquele escuro um escuro específico e real, individualmente realizado. Era tudo preto, mas não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;perfeitamente&lt;/span&gt; preto, a imagem se preenchia de granulações e compreensões variadas desse nada, dessa ausência, e também ainda assim se alterava, se atualizava, se renovava de diferentes tentativas, diferentes recuperações de noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5206129309318508635?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5206129309318508635/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5206129309318508635' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5206129309318508635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5206129309318508635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/06/viewerframemode-parte-de-um-conto.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6040711740928714516</id><published>2010-06-16T18:45:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T06:50:26.317-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Now wave your flag&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;É muito bonitinho ver como a Copa do Mundo se dispõe como palco absoluto de aplicação de todos disponíveis instrumentos de entretenimento.  Além da insistência repetitiva nas trinta e duas câmeras de alta tecnologia acionadas a todo momento, na sua qualidade de imagem e imediata disponibilidade ao montar fluentemente a historinha de cada partida pros milhões de pessoas assistindo, nós temos ainda os incontáveis aplicativos pipocando &lt;a href="http://goal.blogs.nytimes.com/"&gt;modos&lt;/a&gt; de visualização de informação ao vivo dos jogos. É previsível que &lt;a href="http://vimeo.com/9426271?hd=1"&gt;artchistas &lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.nytimes.com/2008/02/01/arts/design/01gall.html"&gt;enxerguem &lt;/a&gt;essa profusão como um terreno fértil de contemporaneidad’s, e eles não estão exatamente errados. A linha é mais ou menos a de mostrar a quantidade absurda de ferramentas e filtros através dos quais nós podemos compreender um evento. Nada é simples e unívoco, mesmo esse joguinho aqui se desenrola em dezenas de versões diferentes, dezenas de sistemas de representação, cada um oferecendo um sentido distinto. Um jogo acontece ali diferentemente na narração do Galvão, da ESPN, da Sportv, cada um desvelando suas linhas editoriais marcadas como bandeiras. Acontece diferente nos tópicos do twitter, como sintoma daquilo que mais chama a atenção topicamente articulável dessa comunidadezinha (o Tshabalala se destaca tanto porque todo mundo gosta de dizer e digitar seu nome, por ex.). Acontece na recursão entediante da própria mídia ao descrever a si mesma (a cabeçada de Zidane quase nunca é descrita sozinha, muito mais por suas ramificações infinitas, sua qualidade de meme imediato).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comercial da Nike linkado por toda parte, cabulosamente produzido, carregou esse ponto de uma maneira meio indecisa entre séria e pastiche (além de constituir uma auto-paródia involuntária e meio deprimente do diretor, o tudo-é-global-tá-tudo-conectado Inarritu ). Os atos desempenhados ali naquele momento preparado do jogo se tornam, imperativamente, históricos. Mesmo se não forem tão espetaculares assim, a estrutura de sua importância já está armada inevitavelmente. História (nesses termos, né) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vai &lt;/span&gt;ser feita, já se sabe. É só esperar. Cada pequeno marco é destacado e entronizado. O primeiro gol da copa, o terceiro cartão vermelho, o primeiro técnico sérvio a derrotar a Sérvia dirigindo uma seleção estrangeira. Dá pra imaginar cada uma daquelas cenas compondo um pequeno documentário da Copa passando na TV a cabo na Alemanha em 2054. Um momento marcante que nós assistimos ao vivo é sempre surpreendente, estranho, até ser acalmado e recebido pelo replay – a versão itemizada com a qual os instrumentos do mundo devem lidar com aquilo de agora em diante.  E o slogan que a Nike arrancou disso (“Write the future”) sugere que nós humildes aqui assistindo em casa partilhamos de alguma maneira dessa possibilidade espetacular de agência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicidade esportiva tem sempre isso, claro, de apelar pro moleque dentro da gente que quer fazer o gol na final. O descarado é o salto que sugere que nós de fato já tenhamos como desempenhar esses atos explodidos mundialmente,  sentidos por milhões de pessoas. Uma variação engraçada disso eu vi outro dia, na casa de um amigo, assistindo a final da Liga dos Campeões. O ps3 estava ligado na mesma televisão (para se jogar FIFA World Cup no intervalo), e  no meio do jogo dois amigos empunharam os controles e fingiram por uns instantes que controlavam o que se passava em Madrid, ao vivo, como se controlassem com manipulações simbólicas o corpo daqueles jogadores milionários, suas articulações estéticas visíveis ali na tela. O tanto que isso fez a gente rir e a insistência demorada na brincadeira traíram um fato estranho. Que parte de nós esperava minimamente que eles respondessem aos comandos, parte de nós encarava aqueles vinte e dois indivíduos metidos numa atividade física de um nível técnico impossível de se alcançar como elementos inscientes de um jogo inumano programado para o nosso divertimento. Isso porque o nível de realidade mais imediato daquela partida – a experiência material daquelas pessoas correndo na grama no frio - nos é infinitamente distante. A realidade de um indivíduo igual a nós participar daquele que parece um evento de relevância inimaginável não é devidamente computada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda, em outra direção: o irmão de um amigo durante o segundo jogo da copa comentou que tava prestando mais atenção em que marcas eram divulgadas em volta do campo do que no jogo. Isso não é novo, de um evento midiático estourar tanto que se presta mais atenção na sua aura, nos seus apêndices*. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, não é possível dar conta da complexidade potencial de cada jogo da copa. Você vê a imprensa e a publicidade insistirem naquelas imagens tradicionais de gente em volta de televisores no mundo todo, de culturas e situações sociais distintas, todos reagindo da mesma maneira, niveladas lindamente por esse ‘jogo universal’, etc. Além da torcida no estádio há muito tempo funcionar principalmente como cenário para o espetáculo, reforçando o seu sentido, a gente hoje ainda assiste a outras pessoas assistindo o jogo na televisão – a comunidade de coreanos em São Paulo nos certificando que sim, que aquele jogo chatinho importa, e que você deveria continuar assistindo. Mas não é possível de fato simular mentalmente que aquele gol ali feio da Eslovênia tenha algum significado, que exista no mundo um território administrativo correspondente àqueles vinte e três uniformizados, que milhões de pessoas tenham individualmente sentido aquele evento. A maneira mais fácil para a minha imaginação de lidar com aquilo é como se esses países fossem não apenas invenções meio arbitrárias  - o que eles são - , mas apenas times de futebol, montados para jogar a Copa do Mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6040711740928714516?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6040711740928714516/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6040711740928714516' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6040711740928714516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6040711740928714516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/06/now-wave-your-flag-e-muito-bonitinho.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5471742157049626824</id><published>2010-06-09T19:36:00.001-07:00</published><updated>2010-06-11T15:14:29.828-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;All them dumpsters overflowing&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Enfileirados todos na minha frente, antes de eu dormir. A disposição particular deles é muito familiar, o arranjo de cores, o desenho único que se monta . Pequenas caixinhas, pequenos tijolinhos de consciência. São objetos bem simples. Eu tento voltar minhas fracas luzes pra memória que tenho de cada um daqueles que, de fato, li. A imagem mais exata talvez seja de umas vagas impressões já desmontadas, sem cor, de uns eventos esvaziados, pedaços recortados de frases, lembrando apenas aquilo que eu conto que conto pra mim mesmo, como uma &lt;a href="http://mashable.com/2010/06/03/youtube-i-am-sitting/"&gt;imagem&lt;/a&gt; repetidamente repassada por algoritmos de compressão. Mas a imagem que mais me agrada é bem outra, de todos aqueles hominhos - todas as vozes e acidentes e eventos empilhados - ainda redivivos aqui, ainda que inacessíveis, Tudo ainda resistindo, mundos recuperados, sobrevivendo não sei por que meios. Em hotéis e pensões mal acabadas, corredores enormes inassistidos. Os habitantes de cidades paroquiais inglesas, panoramas de tal e tal sociedade, pequena-nobreza russa, americanos nervosinhos, franceses ironizados, todo mundo vividamente interagindo, as tramas sobrepostas em múltiplas janelas minimizadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5471742157049626824?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5471742157049626824/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5471742157049626824' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5471742157049626824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5471742157049626824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/06/all-them-dumpsters-overflowing.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-4984436696170090877</id><published>2010-05-27T13:08:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T13:30:24.132-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porque que eu não acho o Bernardo Carvalho um grande escritor (y)&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não existe – eu não conheço – escritor brasileiro mais consciente do que ele, com maior domínio dos seus instrumentos retóricos todos, mais deliberado. Ele sabe onde ele está, no que tá sentado, o pertencimento de suas escolhas todas. Ele mantém um raio, um vocabulário e um território bem delimitadinhos, ele é todo contemporâneo, infalivelmente contemporâneo. Ele tem, de fato, uma obra*. Parece que leu muito Barthes, Benhard e Cortázar e teve muitas idéias sobre o que pode e o que não pode antes de publicar qualquer coisa. Ele tem idéias bem específicas sobre que adjetivos ele pode usar, sobre que fim pode ter uma história, sobre como pode se posicionar um personagem ficcional, um narrador, um enredo, nos dias etc. Eu juro que dá pra extrair só de Aberração, As Iniciais e Nove Noites um pequeno manualzinho de motivos e temas da ficção contemporânea, parece brincadeira. Deslocamentos de várias ordens, mediações, mentiras, loucuras, etc. Dá pra dar aulas-panorama em cima facinho. As teses de mestrado escrevem a si mesmas, pingam dos livros, se derramam. Dá pra escrever umas três só com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sinopse &lt;/span&gt;de Mongólia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que eu ache artificial, imposto. Não acho que ele filtrou periódicos de literatura através de tags populares e saiu escrevendo em cima disso. A voz dele** convence e sustenta em grande parte essas suas fixas referências e tentativas, mas a localização de tudo dentro de um léxico já previsto impede que eu veja grande graça se arranjando em qualquer lugar. O jogo já está armado, digamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por jogo eu não quero dizer o enredo. Na verdade, o BC é bem pouco previsível nesse sentido, na maior parte do tempo, e bem habilidoso (embora seja verdade que depois do terceiro livro lido você comece a sacar o repertório razoavelmente repetido de mecanismos narrativos, os relatos/cartas que entregam só uma parte enviesada da história, as viagens ao exterior procurando parentes distantes de gente que talvez não exista, as notas de jornal pescadas acidentalmente que talvez ofereçam pistas que, etc). Eu quero dizer todo o romance, todas as suas escolhas possíveis. Pode até ser que o protagonista seja atropelado por um travesti, ou que ele descubra que ele é irmão do cara que assassinou décadas atrás, mas tudo isso acontece através de um filtro narrativo familiar, tudo é valorizado de uma mesma maneira. Uns mesmos distanciamentos do protagonista e dos outros personagens, conseguidos através de uns mesmos truques formais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vê uma inteligência bem acima da média por trás, evitando banalidade, evitando sentimentalismo, e a sensação é agradável. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele sabe o que tá fazendo&lt;/span&gt;, olha só. Você ajeita a postura, varre algumas migalhas de biscoito da camisa, se dispõe a levar o negócio a sério. Mas o livro parece todo contrito por uma sensibilidade reduzida, como um animal preso andando só até o alcance da sua coleira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe escolher paisagens e territórios interessantes, mas os temas são os mesmos, é tudo bastante familiar. Uma mesma tendência a culminar as potencialidades narrativas em paranóias do protagonista, praticamente toda tentativa de compreensão dos personagens igualmente  sugeridas retoricamente como imposições arbitrárias de sentido. O passado como um peso insustentável e incompreensível que os mortos exercem sobre os vivos, e sobre o qual tentamos construir narrativas arbitrárias, homossexualismo e exostismos vários como símbolos bifrontes de alteridade (uma tensão que ele às vezes chega a negociar de um jeito interessante, mas que se repete demais da conta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa falta de surpresa (que não seria, deixa eu repetir, uma surpresa narrativa, essas são corretamente alocadas) é o que me entedia. Do mesmo jeito que todas as fotos de uma Powershot parecem sempre limitadas de um mesmo jeito, as mesmas cores de plástico, tudo o que o BC nos mostra e nos entrega me parece saído de um mínimo buraquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha objeção não é &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1315&amp;amp;titulo=Bernardo_Carvalho_e_a_arte_da_fuga"&gt;a&lt;/a&gt; do Martim Vasques, de que o BC tem inteligência e noção mas escolhe ser uma artesão do nilismo e da falta de sentido. O problema não está tanto em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quais &lt;/span&gt;premissas que ele elege como base pra ficção dele, mas no fato de que ele tenta com tanta força se apoiar na força isolada de umas poucas e simples conclusões repetidas. Acho que o método seria igualmente cansativo independente das premissas eleitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito raro (em qualquer lugar, não só por aqui) um autor que tenha tanta noção do que tá fazendo, que nos entregue um bichinho todo orgânico, consciente de todos seus pertencimentos, todo deliberadamente posicionado. Existe, sim, uma beleza em ver alguém tão confiante, em concordar com o alinhamento de decisões tão acertadas e coerentes, em poder seguir o desempenho acertado de instrumentos retóricos.  E ela às vezes é considerável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existe também uma segunda camada. Embora você veja com alguma frequência o BC ser destacado como um autor ousado, a imagem dele pra mim é principalmente de um cara comportado, alinhado. Quando eu penso nos instrumentos de recepção de literatura séria no Brasil, o tom do nosso pequeno jornalismo literário, tudo transido de FolhaMais!ness, ele parece de um encaixe tão confortável, tão bem-oleado, que a organicidade formal  e coerência que me agradam nele vao ganhando um gostinho ruim. De um grupo pequeno de pessoas auto-complacentes infinitamente concordando umas com as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí já não sei, pode muito bem ser principalmente birra da minha parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O outro escritor de ficção vivo nosso mais MADURO que eu conheço que tem uma obra assim mais ou menos respeitável é o Sérgio Sant’anna. Mas esse é esparramado em todas as direções em que o BC é contido. É o que o torna bem mais surpreendente, e também bem menos confiável. Algo como 60% do que ele escreve, pra mim, é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ruim&lt;/span&gt;, ruim de quase não dar pra ler, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Alguém poderia reclamar que ele não tem uma voz autoral, ou que a voz dele é uma auto-elusiva cuja pala é basicamente de uma falta de voz, esse tipo de coisa. Mas pra mim isso é fumacinha. A voz é muito reconhecível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-4984436696170090877?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/4984436696170090877/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=4984436696170090877' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4984436696170090877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4984436696170090877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/05/porque-que-eu-nao-acho-o-bernardo.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-969407034225479078</id><published>2010-05-18T19:14:00.001-07:00</published><updated>2010-05-19T17:30:24.171-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The little cartoon at the heart of events&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;O Delillo não é esse autor que as professorinhas de cultural studies dependuradas no seu pescoço levam a crer. Parcialmente até que sim. Cultura de massa e mediação e mídia e imagem, as tags  todas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estão lá&lt;/span&gt;. Mas não é panorama, não é explicação, não é alegoria (embora os personagens inexistam, embora ele tenha a cara de pau de nomear um personagem 'the curator'). O que ele faz em cima disso, nos seus melhores momentos - com uma prosa de ritmo todo próprio, de uma atenção demorada que impede que qualquer momento se passe desapercebido -  é um tipo  de misticismo. Um deliberadamente vago e confuso, né. Misticismo é uma palavra de muitos bracinhos, e não vou tentar me explicar. Mas eu não sou o único que acha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-969407034225479078?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/969407034225479078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=969407034225479078' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/969407034225479078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/969407034225479078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/05/little-cartoon-at-heart-of-events-o.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8088777891589693940</id><published>2010-05-09T20:23:00.000-07:00</published><updated>2010-05-13T10:56:11.669-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Com todo o aço que tinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Dos meus quatorze aos dezessete, eu quase que só lia ficção. O mundo praticamente não acontecia , se manifestava principalmente como uma escola modorrenta onde eu dormia e desenhava, e em amigos de internet com nicks engraçados que estavam sempre acordados às três da manhã. Eu assistia Newsradio depois do almoço e dormia a tarde toda. Eu não lia muito (em horas por dia/livros por mês), mas era, em certo sentido, a atividade mais importante que eu desempenhava, e eu já sabia disso. Gosto de pensar que vem daí a tendência entranhada e recorrente de tomar tudo por ficção, julgar tudo pelos seus parâmetros. Eu não digo daquele sentimento de mediação do Scrubs, e dos romances da garotada, de entender sua vida através de filmes e livros, narrar em terceira pessoa. Isso também existe, mas tou falando de outra coisa. De sempre julgar as ferramentas retóricas e os pontos de focalização de cada discurso que me é apresentado como se estivesse lidando com um narrador do Nabokov, com um conto do Borges. Num texto acadêmico, achar que as bibliografias são sempre falsas, os contextos inventados. Essas barreiras aqui são sempre porosas, precisam sempre ser levantadas com esforço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8088777891589693940?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8088777891589693940/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8088777891589693940' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8088777891589693940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8088777891589693940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/05/com-todo-o-aco-que-tinha-dos-meus.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8781472143126636744</id><published>2010-04-25T20:43:00.000-07:00</published><updated>2010-04-26T07:07:51.724-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lately the concept has been adopted by marketing campaigns.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi ninguém falar nada parecido, mas me parece meio óbvio o motivo de paranóia ter se tornado um tema (ou método) tão prontamente absorvido pela ficção recente. Ela serve basicamente como uma teleologia falsa, uma totalidade impossível que o romance finge fixar, às vezes pelo interesse (em grande parte cômico) que se tem em articulações distantes e absurdas da realidade, às vezes como dramatização bastante séria e sisuda da arbitrariedade de todas essas nossas tão-tolas construções de sentido. Geralmente um meio termo dos dois. O Borges parece ser – como sempre – um dos pais distantes da confusão toda, ou pelo menos da sua possibilidade formal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz sentido que a paranóia enquanto tropo se difunda como praga, se pra nove de dez autores modernosos o procedimento operacional padrão é o de estabelecer ironicamente tentativas fracassadas de compreensão do mundo (o ‘ironicamente’ e o ‘fracassadas’ aí variando bastante muito de tom). Também não ajuda que as pessoas achem que sugerir loucura em personagens - principalmente narradores - torna tudo imediatamente interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paranóia é mais habitualmente chamada pelo seu nome com os americanos, principalmente Pynchon, mas na real ela se vê esparramada por todo lado, ainda que às vezes fininha e dificilmente reconhecível. Nos EUA paranóia ganhou essas calças específicas de dominação política, a narrativa-total-paranóica misturando as várias possibilidades disponíveis e sobrepostas da mitologia política popular americana*. Não é um acidente que Pynchon tenha essa identificação com contracultura e anos-sessenta-ness (Inherent Vice deixou bem claro o tanto que ela é forte e afetiva).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas paranóia não é só isso. Você pode, eu proponho, chamar de paranóia toda redução extrema da realidade a um código absurdo, pessoal e arbitrariamente imposto. Toda totalização de um sistema de referências ou microcosmo aleatório. Não é psicologicamente preciso, deve ter algum outro nome mais exato, mas literariamente o recurso imaginativo é exatamente o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse sentido, paranóia tá lá pura e translúcida em Cosmos, do Gombrowicz, tá pesadona em quase tudo que eu já li do Bernardo Carvalho, em trechos do DeLillo (muito forte em Libra), naquele trecho de M*A*S*H do Infinite Jest, borbulhando indecisamente o tempo inteiro no Cortázar**, acho que até em momentos do Piglia. Se eu não fosse ignorante, aposto que teria mais uns dez exemplos***. Sempre que um personagem, geralmente o protagonista, propor um sistema de equivalências esquisito que pretenda dar sentido ao mundo - e, consequentemente, ao romance -, apenas para vê-lo plenamente frustrado em seguida (uma frustração que pode acontecer estrondosa, ou pode ser apenas retoricamente sugerida), ela tá lá, correndo por debaixo, toda esguia, toda safadona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*No Pynchon ainda tem geralmente umas duas camadas adicionais de complicação, mas não temos tempo pra elas.&lt;br /&gt;**Me irrita.&lt;br /&gt;*** Eu chuto que franceses cont devem fazer isso toda hora. Mas eu não conheço praticamente nenhum. Se alguém souber faz favor me avisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8781472143126636744?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8781472143126636744/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8781472143126636744' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8781472143126636744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8781472143126636744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/04/lately-concept-has-been-adopted-by.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-270202210565862885</id><published>2010-04-13T23:14:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T23:46:05.474-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gli oggetti desueti nelle immagini della letteratura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Não é aceitável que qualquer coisa se perca. Se eu tenho como encontrar imediatamente a completa lista de episódios dos Thundercats, eu deveria ser igualmente capaz de encontrar uma descrição perfeita do que eu fiz à tarde no dia treze de abril de noventa e nove, qual episódio de Newsradio que eu assisti, quantos biscoitos comi, o que eu achei da luz caída no chão do escritório, etc. Talvez na forma de um ensaio escrito por uma mestranda da Universidade de Bogotá, relacionando aquele dia com os outros dia daquele semestre, elencando gráficos que provassem pontos controversos, uma bibliografia enorme, as páginas mais interessantes faltando na visualização gratuita do Google Books.&lt;br /&gt;Sempre que eu tento entreter &lt;a href="http://gl.wikipedia.org/wiki/Omnisciencia"&gt;imagens &lt;/a&gt;de onisciência, me pego escapando pra esses subterfúgios desajeitados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-270202210565862885?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/270202210565862885/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=270202210565862885' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/270202210565862885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/270202210565862885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/04/gli-oggetti-desueti-nelle-immagini.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-729576727128113540</id><published>2010-03-27T13:58:00.000-07:00</published><updated>2010-03-27T15:10:27.859-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É possível uma existência contemporânea hoje sem malware??&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Na real, ninguém sabe o que se passa, a quantas anda a internet, o Japão, a política, a democracia, a literatura, o Botafogo. Ajuntamos feeds obscuros, manchetes da Globo.com, artigos profundos da n+1, reflexões lindas que você faz dirigindo sozinho de noite sobre COMO FIRMAR UMA TELEOLOGIA FICCIONAL NOS DIAS DE. Mas o mundo se levanta com seus NPCs e tudo se derruba¹. Dentro de mim tem um universo de 76k tentando se manter coerente, recalculado a cada quinze minutos.&lt;br /&gt;A gente decide uns pontinhos que a gente finge entender e manipula como pode, contando uns feijões deitados no chão com as pontas dos dedos, soldadinhos, fingindo que isso é aquilo, dando nomes, falando baixinho&lt;span style="font-style: italic;"&gt;  'Aí o Henry James falou assim 'oxi, eu não', aí o mundo cresceu e aprendeu palavrões e  &lt;/span&gt;(...)'-&lt;br /&gt;Enfim. Meus sábados são desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¹BACHELARD, Gaston (1991), p.95&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-729576727128113540?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/729576727128113540/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=729576727128113540' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/729576727128113540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/729576727128113540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/03/e-possivel-uma-existencia-contemporanea.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1143344578251985</id><published>2010-03-20T22:28:00.000-07:00</published><updated>2010-03-20T22:56:24.701-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ths is obviosuly fake, anyone who disagrees is a complete idiot&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Eu acabei de passar uma meia hora lendo uma discussão enorme, vigorosa, pessoal e apenas marginalmente interessante que aconteceu numa das listas de email que acompanho. Umas vozes desconhecidas vindas sei lá de onde rebatendo nuances progressivamente específicos, às vezes três ou quatro emails demorando numa única controversa frase. As pessoas quase todas dotadas de alguma habilidade argumentativa, embora as idéias elas mesmas fossem meio rasas. Li antes o email mais recente e fui descascando até chegar no email que desencadeou a confusão toda, meu interesse quase só na bagunça e na briga, nos mecanismos retóricos se encaixando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que quase todo mundo faz parecido, chega sem querer na página quatorze de comentários do YouTube de um clipe da LadyGaga, ou no terceiro tópico sobre o desempenho de um jogador menor do seu time. Meu interesse geralmente cresce de acordo com a quantidade de opiniões imbecis sendo veiculadas. Dá sempre vontade, mas eu quase nunca participo. É divertido, mas me assusta. De imaginar vidas inteiras preenchidas assim, derrubando os argumentos de moleques de quatorze anos, cortando as infinitas cabeças de umas hidras proteiformes, imediatamente repostas.&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1143344578251985?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1143344578251985/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1143344578251985' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1143344578251985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1143344578251985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/03/ths-is-obviosuly-fake-anyone-who.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3455058041754870704</id><published>2010-03-10T05:33:00.000-08:00</published><updated>2010-03-10T05:57:28.713-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>RESENHA DAQUELE LIVRO FRANCÊS 'LA VIE MODE D'EMPLOI'&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*imagem ruim de televisão pública francesa, entrevistador indulgente, cachimbo, paletó com cotovelo remendado*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o método do livro*, dá pra dizer que ele sempre aponta em duas direções bem distintas. Ou ele captura um momento específico no máximo de sua materialidade e especifidade, numa enumeração minuciosa dos materiais, dos móveis e tapetes e tecidos e produtos industrializados reconhecíveis - perec pioneiro nisso de usar os pequenos reconhecimentos pós-industriais de achocolatado e refrigerante e filme-de-holywood como um detalhe ficcional determinante e afetivo, que restitue e posicione uma experiência em comum - agindo como uma fotografia, sem fazer com que esse momento se distenda ou se compreenda temporalmente direito. Ou ele faz justamente o contrário, narra a vida da personagem numa série de anedotas apressadamente relatadas, como a vida de um estadista romano numa enciclopédia. Essas histórias são muitas vezes de algum potencial considerável desperdiçado, ou utilizado para algum fim inútil - eruditos reclusos, esportistas aposentados, etc. Do jeito que o livro apresenta, é a vida compreendida como um jogo. Alguém totalizando um único detalhe ou aspecto de sua vida, medindo-a toda a partir desse critério solitário, direcionando-a toda a algum fim pequeno, às vezes aleatório. O exemplo mais puro e direto disso, tomado pelo livro como microcosmo de si mesmo (ha-ho), é o de Bartlebooth, um milionário cujo projeto de vida consiste em, primeiro, gastar anos para aprender a pintar aquarelas (algo que ele não tem vocação pra fazer), para depois então viajar o mundo e pintar em diversos locais distintos uma série (oitenta? não lembro) de cenas marinhas, que ele em seguida envia para Paris, onde um artista chamado Winckler é contratado para colar as aquarelas em quadros de madeira e recortá-los em loucamente intrincados quebra-cabeças dificílimos de serem resolvidos. Depois de pintar tudo, Bartlebooth retorna. Gasta mais uns dez anos pra montar todos os quebra-cabeças, para em seguida enviá-los pros seus locais de nascimento, para que sejam descolados dos quadros de madeira e dissolvidos no mesmo lugar onde foram pintados. Sua vida e fortuna gastas numa atividade absolutamente despropositada, que resulte em exatamente nada. Isso sendo uma metáfora assim pra mundo-vida, né, e pro próprio livro. De certa forma enviesada, isso de uma clareza alegórica sobreposta em níveis concêntricos se parece com a Divina Comédia, um pouco. A modernidad's do troço sobrevem, é claro, com a falta de anagogia e com a Moral da História sendo algo como: a vida é um jogo sem sentido que devemos organizar de maneira arbitrária! (assim exclamado, mesmo). Além de ser meio auto-irônica, com esse título todo faceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrativamente, pra mim o livro quase nunca consegue se reunir nalguma força, em detalhes realmente sentidos, nisso de alternar entre detalhamento microscópico que não se estende (e que, portanto, não se presta a consagrar nenhuma atualidade efetivamente sentida) e vidas anedotais com estrutura propositalmente simplista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Perec claramente quer fugir da progressão ficcional de sempre, o que em si é agradável, mas nenhum dos enquadramentos pra mim é interessante. A impressão de todos detalhes e elementos do livro como combinações aleatórias de linhas programáticas rígidas, por ex, não traz pra mim grandes profundidades, nem na configuração de uma ordem, nem num possível sentido oposto, meio safado, de dramatizar a nenhumsentidoness desse mundão. O que realmente se dramatiza é um francês doidão super simpático brincando de sopa de letrinhas, e não qualquer impressão nossa do mundo. Quando ele toma pra si umas ferramentas pouco romancescas, a coisa fica mais engraçada, das bibliografias despropositadas, de enumerações constrangidas ali de seu excesso inapropriado no meio de algo tão sério quanto um Romance Francês**. Mas o livro se concentra mais em efetivamente contar historinhas, infelizmente. E quase todas as anedotas são divertidas, e há uma organização, um direcionamento, mas tudo se realiza de um jeito pequeno. O Perec se recusa às ferramentas tradicionais de ficção bonitinha, mas quer arrancar da gente algumas das mesmas reações (esse povo inovador dificilmente sabe o que quer, sempre aprontam dessas. convenção é um bicho traiçoeiro).  Mesmo a opacidade fundamental das cenas enquadradas e meticulosamente realizadas não consegue - eu não sei por quê - te meter aquela agudeza de quididade, de linda especificidade de um canto realizado e atual do mundo. Isso poderia tornar o livro muito mais estranho (num ótimo sentido), de uma realidade agudamente sentida contrastando a todo momento com a clara artificialidade do mestre-titereiro puxando tudo pra lá e pra cá. Mas nem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RECOMENDAÇÃO FINAL:&lt;br /&gt;Leia, sim, tendo &lt;a href="http://katilifox.files.wordpress.com/2008/10/pereccat.jpg"&gt;essa cara&lt;/a&gt; em mente, imaginando a sua insuperável francesidade ao realmente escrever aquele troço. Fica mais legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*não a maneira regrada e oulipiana das combinações de apartamentos e personagens e materiais se darem, digo do método narrativo compreendido da maneira mais simples possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**O Perec tem aquilo que Butor e Robbe-Grillet não pareciam ter, de uma inventividade bem-humorada, que parece consciente com o ridículo da coisa toda. Ele nunca escreveria um La Jalousie, ou um La Modification. No máximo vinhetas de duas páginas a partir das mesmas premissas, com títulos melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3455058041754870704?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3455058041754870704/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3455058041754870704' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3455058041754870704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3455058041754870704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/03/resenha-daquele-livro-frances-la-vie.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8317901908352643577</id><published>2010-02-09T13:40:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T16:01:22.302-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;waht dr3ms may cum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Ao invés da gente crescer com uns poucos modelos narrativos básicos, com um corpo certinho de contos populares e uma religião oficial e uma historinha nacional sacramentada, a gente tem hoje uma confusão colorida de incontáveis bagunças se copulando em incomprensíveis montagens. Isso é corrente e certo, não é nenhuma novidade. Mas toda história contada funciona como um modelo do mundo, como um microcosmo, um pequeno universo impossível que a gente sustenta com boa vontade. E essa multidão de modelos narrativos não muda as pessoas só pelos supostos valores que transmitem, mas também por suas características formais, o estilo, o jeito do mundo ser apresentado e as vozes se relacionarem. Eu percebo isso decomforça por causa dos meus sonhos*. As ferramentas e instrumentos de tudo que existe ficam tentando se combinar, sem que faça muito sentido. Tipo o elenco dos muppets e do animaniacs com superpoderes encenando um musical dirigido pelo Bergman com roteiro do John Ashberry, tudo acontencendo num mundo de perspectiva confusa com plataformas 2d, torres derruídas e monstros de pelúcia paralisados. As estruturas todas desfalecendo, como um circo desabando, os corredores vazios, as pessoas sumindo, as expectativas todas lindamente frustradas, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*gente, eu adoro eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8317901908352643577?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8317901908352643577/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8317901908352643577' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8317901908352643577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8317901908352643577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/02/waht-dr3ms-may-cum-ao-inves-da-gente.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-4501855801402611247</id><published>2010-01-28T18:52:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T18:56:09.649-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Este é um post sobre Avatar. Para tornar a experiência mais interessante e as contribuições ao google mais ricas, vou chamar doravante o filme de  Substanzbegriff und Funktionsbegriff'. (SPOILERALERT tudo). &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra alguém que gosta de cinema e tenta, no máximo de suas capacidades, levar arte e o mundo e o universo e as obras do homem a sério, eu sou bastante complacente com filmões-entretenimento. Assisto com frequência, gosto de boa parte deles, tento ranqueá-los de acordo com seus merecimentos dentro de diversos mal ajustados critérios. Gosto de Bourne, gosto muito da Pixar. Nunca acreditei muito em &lt;i&gt;Substanzbegriff und Funktionsbegriff&lt;/i&gt;, em nenhum sentido (dá muita fadiga o ar de PREPARE-SE....PARA...UMNOVOCONCEITODEENTRETENIMENTO!) E ainda não entendi a recepção de parte da crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao povo mais velho que nunca jogou videogame, nunca leu quadrinhos, nunca jogou RPG, eu até consigo perdoar que achem criativo o mundo alienígena do &lt;i&gt;Substanzbegriff und Funktionsbegriff&lt;/i&gt;. É uma das maiores pretensões estéticas possívels, acho, né, criar um &lt;i&gt;mundo?&lt;/i&gt; E, fora umas duas coisas, nunca se levanta acima de estupidez, fica caindo toda hora, tudo feio e saído das piores ilustrações do livro dos monstros de D&amp;amp;D, quase tudo uma versão xxtreme de algum ser terrestre, com árvores e rinocerontes enormes, uns pássaros coloridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentativa de se compreender o filme como politicamente ousado é ainda mais estranha. Não só 'humanos malvados com armas querendo recurso natural de povo primitivo com ligação profunda com a natureza' é a premissa de uns &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Atlantis:_The_Lost_Empire"&gt;setenta &lt;/a&gt;filmes, mas ainda que &lt;i&gt;hoje em dia&lt;/i&gt; usar ambientalismos new age pouco específicos como fonte-de-valor-narrativo é a saída mais imediata e inofensiva e segura que existe, oramas (é o único defeito grande de Wall-E, por ex.). E &lt;i&gt;Substanzbegriff und Funktionsbegriff &lt;/i&gt;faz tudo isso da maneira mais óbvia possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais patético é que parte do povo esperto que se vê gostando do filme (Luiz Carlos Oliveira Jr e Inácio Araújo, por ex) tente defender o simplismo nulo do roteiro do filme como se não fosse clichê, não exatamente, fosse algo como uma retomada consciente e hábil de arquétipos, uma tentativa de cinema total que se estabeleça em fundamentos da narrativa. É como defender alguma comédia romântica do John Cusack citando Northrop Frye e falando que há um uso moderno dos motivos da primavera e de renovação. É claro que dá pra achar essas estruturas arquetípicas em filmões épicos - Star Wars se preenche assim quinem receita de bolo, George Lucas curtia Joseph Campbell e tudo -, mas existe um &lt;i&gt;abismo &lt;/i&gt;entre uso consciente de arquétipo e clichê, e não há &lt;i&gt;nada &lt;/i&gt;que &lt;i&gt;Substanzbegriff und Funktionsbegriff &lt;/i&gt;faça que o posicione do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O único ponto mais ou menos novo de &lt;i&gt;Substanzbegriff und Funktionsbegriff&lt;/i&gt; (entenda-se: pra um filmão de massa, não novo assim pro &lt;i&gt;cinema&lt;/i&gt;, né), a relação do cara com um avatar de outra espécie e sua escolha final pelo corpo artificial e mediado pra ser assumido como seu - algo que poderia de fato render cenas semi-interessantes e Cronemberguianas - é tornado absolutamente desinteressante e inofensivo pela assepsia ritualística da transformação definitiva, um povo action-figure-friendly cantando world music nauseante de idiota e tendo transes cientificamente explicados (até nisso foram bobocas!). Acaba sendo só uma confirmação triste de que o mundão consegue absorver temas interessantes (mediação, assumir um corpo não-seu) e transformá-los em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Tem umas duas cenas legais de batalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-4501855801402611247?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/4501855801402611247/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=4501855801402611247' title='25 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4501855801402611247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4501855801402611247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/01/este-e-um-post-sobre-avatar.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6302118804530436199</id><published>2010-01-02T13:27:00.000-08:00</published><updated>2010-01-02T14:01:51.529-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Reveilão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(nem acredito que escrevi um post curto&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;As pessoas remontam para si mesmas os horizontes mais esquisitinhos, as mais improvisadas cosmogonias. Umas maquetes feitas de jornais molhados, papelão, fitas k7, umas montagens envolvendo sucesso e marketing-pessoal-transforma, fogos de artifício, tumblarity, comédias românticas, resoluções de conquistas e emagrecimentos. E o mais maluco é que esses mundinhos mal firmes e engrimponados são tão válidos quanto qualquer outro, as vidas malucas que neguinho vive neles tão sentidas quanto as mais geniais, mais deliberadamente construídas. Homens desenhados pelo Dürer interagindo com hominhos rabiscados de giz de cera, personagens do Dostoiévski casando com personagens de fan fiction do Lost. Os mundinhos contraditórios todos existindo, juntos, sobrepostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e eu não quero dizer com isso, hein, que meu mundinho seja um Rembrandt, nem nada assim. O meu mundinho seria, sei  lá, uma ilustração idiota aceitavelmente rankeada no DeviantArt, ou talvez uma dessas ilustrações bobocas de pixel-art)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6302118804530436199?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6302118804530436199/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6302118804530436199' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6302118804530436199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6302118804530436199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2010/01/reveilao-nem-acredito-que-escrevi-um.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8628024976153580152</id><published>2009-12-17T13:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T14:36:34.777-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>(encontrei isso salvo em rascunhos do meu gmail, nem lembrava da existência)&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Todo mundo se reuniu pra descobrir coisas autênticas. Num galpão, com cadeiras de plástico e sistema de som e uma mesa com salgadinhos. Tinha alguma ansiedade no ar, mas não tanta (as expectativas não eram tão fantásticas, depois das últimas decepções). O homem que deveria liderá-los, daquela vez, seria Arrigo Andrada, a última esperança verdejante. Quando alguém se destacava de alguma maneira (pegando um mosquito com as mãos, ficando debaixo d'água sem respirar por mais de um minuto, chorando por causa de um filme, compreendendo por inteiro a trama da novela), era eleito a nova esperança, alçado aos ares, casado com várias virgens e posto num terno distinto e sóbrio. Depois de experiências iluminadores e purificadoras, ele deveria nos explicar a origem de autenticidade, retraçá-la com gráficos e planilhas, para que finalmente entendêssemos onde é que ela havia se perdido nas confusões. O que se seguia era um extermínio, sensato e organizado e super competente, de tudo aquilo que pudesse entravar a autenticidade. Uma retomada legislativa de todos os códigos disponíveis para impedir que os itens agora expurgados pudessem sobreviver em quaisquer dos setores da realidade. Várias ondas subsequentes e contraditórias já se haviam seguido de explicações e tentativas de purificação, discursos e práticas proibidos e exterminados, um dilúvio que permitisse que vicejassem mais uma vez os lindos carvalhos da autenticidade (as metáforas já haviam largamente se perdido, com muita gente efetivamente achando que carvalhos reais cresceriam aqui em volta, imagine só, nesse tipo de terra, com esse tipo de tempo). Já era bem evidente para todo mundo que não se teria um fim, que o único sentido possível da nossa atividade era um alegórico, da impossibilidade da nossa empreitada, mas não é como se alguém tivesse alguma idéia melhor. Autenticidade ainda era prezada, apesar de tudo, isso ninguém discutia, e o esforço todo ainda era respeitável, com suas circunstâncias burocráticas e práticas (suas instituições e seus corredores e seus motoristas e seus sistemas de crédito e seus amigos ocultos no final do ano) que não poderiam assim ser desmanteladas de forma tão apressada. Nós já estávamos ali, afinal de contas, os processos já encaminhados, profissionais altamente capacitados, treinados até nos finais de semana, prontamente dispostos a efetivarem qualquer linha programática de otimização e planejamento que se estabelecesse. Havia, nos comitês, sempre um cego ou uma criança ou um velho negro que se levantasse dum jeito grosseiro, interrompendo os procedimentos para sugerir que talvez a própria tentativa de se estabelecer uma autenticidade derradeira possuísse em si uma premissa finalmente equivocada, que complicava qualquer de suas possíveis consequências, um até citava um poema bonito de como havia navios fadados ao fracasso desde a podridão das árvores que lhe serviram de madeira (o que eu pessoalmente achei de mau gosto), outros provando a impossibilidade lógica do que a gente tentava fazer, com diagramas e setas e latim (mas ninguém respeita essas coisas hoje em dia). Dessa vez foi quase diferente, apareceu uma moça gordinha falando de como as nossas ferramentas discursivas, redobradas sobre si mesmas, se misturavam como as ferramentas dentro de uma caixa de ferramentas, e que nós estávamos a esse ponto usando chaves de fenda para tentar desmontar um parafuso martelado por um prego. Todos nós achamos a imagem muito eloquente (e bem-humorada), e prontamente descemos Arrigo do pódio (com toda educação, ninguém aqui é bárbaro; ele ganha uma cesta de presentes oferecida pela Jonhson &amp;amp; Johnson) e levantamos a moça lá pra cima. Ela chorou, muito emocionada, era a primeira moça a fazer uma coisa daquelas, o que todo mundo concordou ser muito importante, muito correto. Suas primeiras medidas foram proibir comic sans e gasolina aditivada e gerundismo e oração nas escolas. Escolhas que foram recebidas pela crítica especializada como bem distribuídas e equilibradas em diversos planos diferentes de eficácia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8628024976153580152?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8628024976153580152/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8628024976153580152' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8628024976153580152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8628024976153580152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/12/encontrei-isso-salvo-em-rascunhos-do.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6098403094760971687</id><published>2009-11-30T09:50:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T18:35:08.967-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DESCUBRE EL VICIO DE LA HIPOCRISIA, QUE AFETAM MUCHOS EM LA DISIMULACION DE SUS MALDADES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Uma cultura toda obcecada com demarcar &lt;a href="http://catandgirl.com/?p=2286"&gt;autenticidade&lt;/a&gt;, fixá-la como uma bandeirinha. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isso aqui não é uma simulação&lt;/span&gt; (o que quer que simulação signifique, no caso particular)! &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu juro que não é!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso vai de complicadas e convolutas demarcações pessoais de gosto nos mundos indies (eu gostava disso antes de sair no comercial da Toyota, antes de se tornar popular, antes da Pitchfork, gostava quando ainda se podia gostar-de-verdade) até as bem literais e repetitivas declarações de 4realness do hip-hop. Sem falar da própria obsessão-maior do rock indie de se botar como menor, como mais vulnerável e infantilizado (i.e. mais autêntico). Como se, nos mundões atuais, todo sistema estético contivesse necessariamente todo um rol de falsidade inócua e canalha ao qual se opor, de forma definitiva, antes da brincadeira sequer começar. É uma paranóia tão sintomática e óbvia que dá até preguiça, as citações de Baudrillard que ninguém quer fazer. Até pornografia mainstream caminha em direção do mais gonzo e menos produzido, e carrega a obsessão do Money shot obrigatório no final, como quem diz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aconteceu sexo de verdade aqui!&lt;/span&gt;* Se até publicidade (uma das maiores responsáveis pela paranóia toda, e sempre pontual cemitério de recursos) parece querer isso&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;E aí que uma certa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parte &lt;/span&gt;desse ímpeto ganhou articulação do David Foster Wallace, lá no &lt;a href="http://unrealnature.wordpress.com/2009/05/31/institutionalized-irony/"&gt;famoso ensaio del&lt;/a&gt;e, cuja historinha pode ser grosseiramente reduzida jornalisticamente como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ironia subversiva e bacana dos escritores comediantes pós-modernos é absorvida e tomada pela mídia televisiva e pela publicidade até se tornar perversa e limitadora das forças redentoras da imaginação&lt;/span&gt;. Alguma coisa assim. Na verdade, o argumento dele (que me parece lindo e ótimo e correto, ainda que já datado) é bem delimitado à ficção americana de tal época, mas dá pra ver que ele já vem sendo tomado como call to arms pra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arte verdadeira e honesta!,&lt;/span&gt; como uma solução geral contra um cinismo generalizado responsável por vários tipos de ruindades. Como se essa briga ironia/autenticidade não só fosse algo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;novo&lt;/span&gt;, mas ainda definisse toda a circunstância cultural desse mundão numa cisão clara e inequívoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E parece óbvio o bastante que qualquer discussão de autenticidade nas artes que não se queira fadada à adolescência de um filme indie não pode se traduzir apenas na irrupção de &lt;a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;amp;safe=off&amp;amp;client=firefox-a&amp;amp;rls=org.mozilla%3Apt-BR%3Aofficial&amp;amp;hs=HGB&amp;amp;q=Real+rebels%2C+as+far+as+I+can+see%2C+risk+disapproval.+...+Today%27s+risks+are+different.+The+new+rebels+might+be+artists+willing+to+riskthe+yawn%2C+rolled+eyes%2C+the+cool+smile%2C+the+nudged+ribs%2C+the+parody+of+gifted+ironists%2C+the+%27Oh+how+banal&amp;amp;btnG=Pesquisar&amp;amp;meta=&amp;amp;aq=f&amp;amp;oq="&gt;um novo léxico fixo de intenções&lt;/a&gt;. Quanto tempo até se aperceberem que se dizer curtidor de uma NEW SINCERITY, ou um PÓS-IRÔNICO, que tornar claro a toda hora que você&lt;span style="font-style: italic;"&gt; é de verdade&lt;/span&gt; não torna nada mais certo, não estabelece nem sequer um ponto-de-partida retórico genuíno (que tampouco seria o bastante). Que, ao contrário, a declaração de autenticidade - seja direta, seja por adesão a pressupostos estéticos - funciona retoricamente bem mais como uma inversão retórica pra quem a detecta, pra quem percebe os fios. E com toda a culpa que DFW pode vir a ter na elaboração dessa onda toda** - e por mais maluco que soe um autor assim-dito literário influenciar campos tão distantes do mundo-real, ainda me parece mais ou menos plausível -, ninguém pode culpá-lo de não antever ao menos este mais óbvio dos paradoxos. Que a vontade-de-sinceridade tornada um tropo, tornada uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imagem fixa&lt;/span&gt;, traz seus coices &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imediatos &lt;/span&gt;de invalidez retórica, e precisa ser incessantemente reformulada, repetidamente afirmada, até se esfumaçar em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Essas não as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;únicas &lt;/span&gt;demarcações do money shot, né, nem de longe. Mas faz parte essencial do troço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Muito irresponsavelmente, sem justificar, eu estabeleço essa linha assim: DFW-&gt;Dave Eggers-&gt; Indie Rock-&gt; Juno-&gt; Publicidade -&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mundo&lt;/span&gt;. Ela não deve fazer sentido, mas na minha cabeça faz. Dá pra ver o troço se diluindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6098403094760971687?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6098403094760971687/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6098403094760971687' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6098403094760971687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6098403094760971687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/11/descubre-el-vicio-de-la-hipocrisia-que.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1665956443786594198</id><published>2009-11-11T15:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T06:15:38.897-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;What ordre shulde be in lernynge and whiche autours shulde be fyrst redde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Biblioteca Central da UnB tem um andar de periódicos. Semana passada eu fui lá pela segunda vez. O lugar é inteiramente diferente dos dois outros andares, tem quase metade do espaço para leitura, não é cheio de gente estudando para concurso, de meninas com cadernos abertos e várias canetas coloridas, de gente passeando pelos corredores. É vazio e, na maior parte do tempo, realmente silencioso, com as exceções sendo bem mais exageradas, já que ninguém parece levar o lugar tão a sério (o guardinha sentado num canto, apoiado na parede, escutando rádio pelo auto-falante estourado do celular, dois homens conversando em voz doidamente alta sobre arquivos que eles precisam digitalizar, um menino gordinho feio roncando feroz entre antropologia e história).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira impressão, mais óbvia e pesada, é só de um excesso, much of a muchness, multidão canhestra e constrangida de conhecimentos e discursos materialmente renderizados. Tudo ganha um rosto mais específico e menor, pontiagudo, mais delimitado de sua realidade. As três prateleiras do Korean Journal of Linnear Algebra, as revistas americanas de fotografia com comercial de seguradora atrás, Acta Metallurgica, as Tel Quels dos anos 60 e 70*, Poultry Science, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Архитектурæ&lt;/span&gt;as CCCP dos anos 70, Sports Illustrated dos anos noventa todas amassadas, rasgadas. A impressão imediata, mais acessível à imaginação, mal emprestada da Bibilioteca de Borges, dos quase-infinitos textos puramente contidos em edições de capa-dura e escura, Harvard Great Books, dá lugar a uma outra versão, mais pesada, das edições amareladas, rasgadas, dobradas sobre si mesmas, escolióticas, tantas delas claramente virgens, vozes inassistidas ali impotentes. Qualquer mito ou representação coletiva de uma única cultura, um único troço que todos nós podemos apreender (dado um mínimo potencial cognitivo), um lugar que todo mundo visita igualmente - acompanhado do, sei lá, George Steiner - torna-se muito mais engraçadinho. Não que esse ponto não esteja já feito, não seja já muitíssimo familiar, mas é outra coisa vê-lo tão ricamente ilustrado, ali na sua cara, com poros entupidos e barba por fazer, a contracapa rasgada da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;revista de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nevrologia &amp;amp; psychiatria&lt;/span&gt; entre estantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda dá pra simular alguns desses traços todos antigos, ainda dá pra sorrir e tentar correr um progresso historiográfico panorâmico de algo-parecido-com a cultura ocidental na sua cabeça - sentir que tá simulando um Civilization.exe** - mas você sabe que 'cultura' é também uma pilha de JOURNALS OF COMPARATIVE LITERATURE, 1997/1998, com páginas meio pregadas de desuso, de onde caem cartões amarelados solicitando, tadinha, a sua assinatura, em prateleiras empoeiradas metálicas atendidas durante décadas apenas pelo pessoal da limpeza e por calouros querendo se agarrar (e ainda assim raramente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todo mundo que eu conheço que é genuinamente interessado em alguma coisa tem que se virar com um alto grau de auto-didatismo pra formar uma visão culturamente informada do que lhe interessa. Uma empreitada pessoal e improvisada, largamente mediada pela internet. O que é difícil, trabalhoso e terroso. Artigos da Wikipédia, ensaios acidentalmente pescados, colagens inventadas, lacunas tardiamente preenchidas.  Muita, &lt;i&gt;muita &lt;/i&gt;suposição pouco verificada. Uma cultura-gambiarra***. Eu passeei uns quarenta minutos pelos corredores todos e acabei com uma pilha de uns noventa quilos de quase tudo. Media Studies antiquados, Tel Quel, Arquitetura, Fotografia, Antropologia, Linguística, Revista Cult de uns sete anos atrás . Eu me sentei no chão, apoiado num vidro que acumulava toda uma história movimentada de sujeira, projetada e estendida no chão por um sol já idiota de logo-antes do almoço. A pretensão não era de conseguir ler nada muito seriamente. Na verdade, eu nem sabia muito bem qual era a pretensão. Acostumado antes de tudo com hiperlinque e com imaginar associações feitas nuvens de tags, o que facilita imagens mais aéreas e preguiçosa, eu tinha ali uma aproximação talvez mais verdadeira de como se dão esses troços todos aí no mundo, do que são efetivamente essas tentativas todas.   E no final eram esses pedaços, essas coisas caídas no colo, tudo impossivelmente querendo ser entendido. E eu só com quarenta minutos até estar atrasado pra almoçar com minha vó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*talvez a coisa mais genuinamente legal que eu achei. Barthes e Butor e essa garotada toda. Ver um pouco do contexto deles reproduzido - as edições tão francesas e simples, o povo todo concordando consigo mesmo como pequenas caricaturas - ajuda a entender um pouco a miopia concentrada e provinciana que os franceses dessa época conseguiam ter com literatura (uma miopia concentrada frequentemente genial, é verdade). Ajuda a entender como é possível que alguém escreva coisas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pour num nouveau roman&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**se você tiver uma imaginação tipo a minha, o que rola é uma simulação toda animada, com pequenas miniaturas pantomímicas se agitando em velocidade x32 acompanhadas de tremebundas e abaritonadas onomatopéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***não que uma educação aí nas ivy leagues da vida seja necessariamente toda repleta, com barrinhas ideais se preenchendo perfeitamente numa enteléquia toda linda (como os skills num jogo), mas é certamente diferente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1665956443786594198?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1665956443786594198/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1665956443786594198' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1665956443786594198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1665956443786594198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/11/what-ordre-shulde-be-in-lernynge-and.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8072674709847711772</id><published>2009-11-04T06:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T07:36:46.492-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Enfim, it faut faire leur place à de mysterieux facteurs à l’ouvre dans tant de villes, les chassant vers l’ouest et condamnant leurs quartiers orientaux à la misère ou à la decadence. Simple expression, peut-être, de ce rythme cosmique qui, depui ses origins, a penetre l’humanité de la croyance inconsciente que lês sens Du mouvement solaire est positif, Le sens inverse négatif; que l’un traduit l’ordre, l’autre Le disordre. Voilá longtemps que nous n’adorons plus Le soleil et que nous avons cesse d’associer lês points cardinaux à dês qualités magiques: couleurs et vertus. Mais, si rebelle que soit devenu notre esprit euclidien à la conception qualtitative de l’espace, il ne dépend pás de nous que lês grands phénomènes astronomiques ou même météorologiques n’affectent lês régions d’um imperceptible mais indélébile coefficient; que, pour tous leus hommes, la direction est-ouest ne soit celle de l’accomplissement; et pour l’habitant dês régions tempérées de l’hémisphere boreal, que Le nord ne soit Le siège du froid et de la nuit; Le sud, celui de la chaleur et de la lumière. Rient de tout cela ne transpaît dans la conduit raisonnable de chaque individu. Mais de la vie urbaine offre um étrange contraste. Bien qu’elle represente la forme la plus complexe et la plus raffinée de la civilisation, par l’exceptionnelle concentration humaine qu’elle réalise sur um petit espace et par la durée de son cycle, elle precipite dans son creuset dês attitudes inconscientes, chacune infinitésimale mais qui, em raison du nombre d’individus qui lês manifestent au même titre et de la même manière, deviennet capables d’engendrer de grand effets. Telle la croissance dês Villes d’est em ouest et la polarisation du luxe et de la misere selon cet axé, incompréhensible si l’on ne reconnaît ce privilège – ou cette servitude – dês Villes, à la façon d’um microscope, et grâce au grossissement qui leur est propre, de faire surgir sur la lame de la conscience collective le grouillement microbien de nos ancestrales et toujours vivantes superstitions. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;S’agit-il bien, d’ailleurs, de superstitions? Dans de telles predilections, je vois plutôt la marquee d’une sagesse que les peoples sauvages ont spontanément pratiquée et contre quoi la rébellion modern est la vrai folle. Ils ont souvent su gagner leur harmonie mentale aux moindres frais. Quelles usures, quelles irritations inutiles ne nous épargnerions-nous pas si nous acceptions de recconnaître les conditions réelles de notre experience humaine, et qu’il ne depend pas de nous de nous affranchir intégralement de ses cadres et de son rythme? L’espace possède ses valeurs propres, comme les sons et les parfums ont des couleurs, et les sentiments un poids. Cette quête des correspondances n’est pas un jeu de poète ou un mystifications (…); elle propose au savant le terrain le plus neuf et celui dont l’exploration peut encore lui procurer de riches découvertes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(…)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ce n’est donc pas de façon métaphorique qu’on a le droit de comparer – comme on l’a si souvent fait – une ville à une symphonie ou á um poème; ce sont dês objets de même nature. Plus précieuse peut-être encore, la ville se situe au confluent de la nature et de l’artifice. Congrégation d’animaux qui enferment leur histoire biologique dans sés limites et qui la modèlent em même temps de toutes leurs intentions d’êtres pensants, par sa gênese et par sa forme la ville relève simultanément de la procréation biologique, de l’évolution organique et de la création esthétique. Elle est à la fois objet de nature et sujet de culture; individu et groupe, vécue et rêvée: la chose humaine par excellence. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;-&lt;br /&gt;claude lévi-strauss, tristes tropiques.&lt;br /&gt;(eu que transcrevi, acentos devem estar todos zoados)&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um trecho dos mais legais, nem tão representativo, mas foi o que eu achei de última hora. É algo recorrente no livro, isso de uns pontos vagos e amplos serem expandidos inesperadamente, zoom-out nas ossaturas escondidas e reconhecíveis, assim, DO MUNDO.&lt;br /&gt;Muito legal, pra mim, tê-lo andando por Goiás, por Mato Grosso, comentando as planuras e os longes, o céu largifronte, a terra desinformada, os hominhos confusos. Ele vai divagando de um jeio fistaile muito antiguinho, muito distante e direto, já d'outra realidade. Todo homem-de-letras-francês-fazendo literatura de um jeito gravata borboleta, pouco zoão, nada recursivo. E é estranho e bonito imaginar que ele fosse o último de uma espécie, o último receptáculo de uma episteme, uma consciência hesitante entre esferas, se sentindo de alguma forma responsável por coisa que ele nem entende, um mundo perdurando aí fraco e confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam os filhos dos filhos dos filhos das suas estruturas, sobreouvidas confusamente, resumidas na wikipédia. Assim como suas calças jeans ousadas e revolucionárias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8072674709847711772?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8072674709847711772/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8072674709847711772' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8072674709847711772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8072674709847711772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/11/enfim-it-faut-faire-leur-place-de.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8310059097612398849</id><published>2009-10-31T07:16:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T17:22:27.631-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTA BIOGRÁFICA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;1987: Nasce, em Biguaçu (grande Florianópolis), Andreis Passarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1994: Assiste, pela primeira vez, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jamaica Abaixo de Zero&lt;/span&gt;. Muda-se para Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1997: Primeira viagem a Caldas Novas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006: Segunda viagem a Caldas Novas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011: Passa em vigésimo terceiro lugar em um concurso razoavelmente concorrido do Poder Judiciário. Não passa pelo período probatório, por motivos desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2012: Escreve seus primeiros poemas em hipertexto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2013: Publica “O véu e o espelho: ensaios” (autopublicação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2015: Terceira viagem a Caldas Novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2017: Publica “O direito de participar no trabalho da imaginação” (manifesto on-line)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2018: Cria o seu próprio artigo na Wikipédia, apagado horas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2019:Publica “Identidades parciais, explorações totais: ensaios” (7letras)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2022:Convidado para participar do conselho editorial de uma edição da revista de literatura &amp;amp; design da Universidade de Juiz de Fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2023: Publica o romance “O meio do avesso” (Rocco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2026:Primeira viagem à Índia. Torna-se (por um breve período) budista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2027: Perde o movimento de alguns dedos num acidente com a porta de um carro, ganha um tremendo processo com a Ford que lhe sustentará pelo resto de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2028: Publica o romance “Repetição” (Editora Ecos), amplamente tido como ilegível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2031:Publica o controverso ensaio “Pós-humanos ou pós humanos?” na hoje extinta revista on-line Pará Ex-Machina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2031: Participa do programa de entretenimento-realidade-gincana “Hn:S MX’ING”, torna-se um meme involuntário ao se assustar com alguns hologramas e bater em duas mulheres participantes. Sua fama mundial dura quase uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2032: Publica o romance satírico “Nós éramos nós”, recebido pela crítica como um dos primeiros romances a tratar de maneira crítica a internet e a pós-modernidade no Brasil, que lhe renderá a fama de ser  “talvez até o novo Júlio Abreu”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2033:Ganha uma coluna semanal na revista online portuguesa Tripas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2035:Encerra sua parceira com a revista online portuguesa Tripas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2036:Publica “Brasília: a utopia estática”, com edição subsidiada pelo Governo Estadual, vira alvo de controvérsia e denúncias de improbidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2037: É condecorado com a ordem de Duque de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Impossibilidad &lt;/span&gt;do Reino fictício de Redonda, pelo músico, grafiteiro virtual e chef Gastón Marías, filho de Javier Marías e neto de Julian Marías. A imprensa espanhola repercute de maneira extremamente negativa, sugere que a "amizade virtual" dos dois explique a condecoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2044: Publica o romance “Vidro moído”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2046: Descobre-se que o seu romance “Vidro moído” é uma versão apenas ligeiramente modificada de “Molloy”, de Samuel Beckett. A crítica retrata seus elogios anteriores, e ele é obrigado a devolver seu prêmio Jabuti. Ele explica, em entrevista, que se tratava de uma “pegadinha literária com a idéia de autoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2055:Depois de uma longa e protelada luta com uma infecção hospitalar, vem a falecer de manhã, sozinho, no Hospital de Base de Brasília. Como era dia do servidor público, uma pequena festinha dos funcionários no seu andar impede que seu falecimento seja descoberto por mais de dezesseis horas, evento estranhamente prefigurado por um de seus contos não-publicados “A sobra do resto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2057: Stand (com mesas e fotos) em sua homenagem na XXIII Feira do Livro do Plano Piloto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8310059097612398849?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8310059097612398849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8310059097612398849' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8310059097612398849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8310059097612398849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/10/nota-biografica-1987-nasce-em-biguacu.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-302309692257683381</id><published>2009-10-17T09:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T09:32:34.589-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>esse conto é meio grande, ninguém precisa ler não (ainda mais do jeito que blogger deixa as coisas ruins de ler). e eu tampouco o revisei direito, acabei de acabar. mas hoje é sábado, pédecachimbo, tou aqui super jazzys do bom humor e da verdejante bem-aventurança, então toma, sentaquelávemahistória, tal. aqui não é exatamente a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Partisan Review&lt;/span&gt;, né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*tosse, põe fraque, diminui a luz, franze o cenho de preocupação com o peso acachapante de toda a tradição ocidental*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Barulho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;   De tarde ela trabalhava, e ele não. O sol se batia em tudo no pequeno apartamento de dois quartos, progredia a iluminar todas as coisas no seu progresso, todos os livros empilhados e revistas amassadas e camisetas esparramadas, propondo diferentes sistemas de sombras na parede, ao longo da tarde. E ele se engastava de todas essas coisas, ganhava uma pequeníssima (mas presente) agonia de todas as suas posições possíveis ali, todas as suas pequenas possibilidades de organização (deitado na cama, deitado no sofá, sentado no sofá, sentado no computador, sentado no pufe, deitado no chão, debruçado na varandinha apertada). Tinha dificuldade de ficar parado, de aceitar qualquer posição como definitiva. De fora chegavam espaçados os barulhos que uma tarde de quadra traz, soltos e descompromissados, indispostos a serem explicados, crianças, porteiros, gente vendendo botijões de gás implausivelmente pesados, naquele calor todo, gente oferecendo para remendar suas cadeiras de vime. Ele pega uma guitarra (das quatro disponíveis ali), a Fender azul-bebê comprada por um preço verdadeiramente absurdo de barato num leilão na internet - recompensa de umas incontáveis tardes consecutivas gastas na procura da melhor oferta possível, da mais irresponsável e inocente oferta, de alguém que não soubesse o que estava vendendo - e começa a rodear bem lentamente a possibilidade de alguma composição, pequeníssimos começos de idéia que andam rondando sua cabeça nas últimas semanas, todas severamente inconclusas. Ele sempre que empaca em algum trecho por muito tempo acaba desviando pralguma música antiga que fica passeando pela sua cabeça, imbecil, geralmente algum sucesso antigo da sua adolescência que ele diz que só gosta em alguma compreensão enviesada, supostamente irônica. Toca Greenday, Shakira, mudando o registro e o tempo, fazendo versões em bolero, ruidosas de distorção, versões tristíssimas para músicas tolas e juvenis e fáceis. Fuma um baseado já feito que ele estranhamente não lembra de ter feito, encontrado meio amassado entre duas revistas, e lê uma tirinha de internet sobre um tiranossauro ninja, vê fotos de meninas lindas e lindamente arrumadas de Oslo, de Paris, de Barcelona. Aprova tudo nas fotos e sente vários tipos sobrepostos de carência e desejo, linhas concorrentes e confusas que culminam num ponto meio insustentável, no qual ele acha melhor fechar tudo e sair do computador (já tendo se masturbado nessa última hora). Percebe, desviando as ambiências mais concretas daquele troço pra um lado mais refletido e rarefeito, que falta ao mundo meninas bonitamente desleixadas, conscientemente desleixadas, envoltas em dobrinhas confortáveis de moletom, com cabelo genuinamente bagunçado, fumando tchose e chegando desavisada na casa dos outros, atravessando a Asa Norte a pé com um cachorro que não é seu. Minas slacker. Sabe que isso é provavelmente porque esse nosso malvado mundo não permite às minas que sejam bonitamente desleixadas, um ethos (ele não sabe se a palavra está correta) reservado e exclusivo aos homens. O mais próximo seriam minas hippies, mas aí ele não gosta. Pensa (apenas mais ou menos sério) no quanto que o mundo ganharia em elegância se estivesse disposto a seguir sua consultoria não-remunerada em diversos campos de empreendimento, sua consultoria tão iluminadas, tão disposta e desinteressada. Ele poderia coordenar tudo daqui mesmo, do sofá, do pufe, do chão, mas não, o mundo preferia insistir teimosamente em todos seus erros. Ele pensa em se levantar, tomar um banho. Seu cabelo parece sujo ao toque, e ele talvez esteja carregando um cheiro desagradável. Ele cheira suas axilas (mais verdadeiramente: ele cheira seus ombros), mas aprendeu a não confiar no próprio olfato pra esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;             A sua namorada deve estar, naquele momento, lidando com alguma seriedade muito séria, no Itamaraty. Ela é uma dessas pessoas que fazem coisas, que falam com os outros, que se projetam em direção a problemas para solucioná-los, que descobrem que esse é o telefone do cara do negócio (do Itamar lá do cerimonial, por exemplo), e então anotam no caderninho que anda com ela apenas pra lembretes imediatos, e que então liga, assim, de uma vez, para o Itamar, tratando-o educadamente e simpaticamente, sem parecer falsa – provavelmente sem nem ser falsa -, e descobrem, sem que isso lhe seja dito diretamente, descobrem nas sutilezas, que o cerimonial de tal ministro não respondeu porque o ministro tá emburrado que só ele não recebeu os livros do outro ministro. Ela conta essas histórias e ele concorda adiante, não consegue entender de verdade a realidade na qual ela está metida, de ministros e cerimoniais e autoridades que nunca se alcançam diretamente ao telefone, e ele geralmente inventa versões cartunescas que sua imaginação consiga articular com mais facilidade (com cada pessoa ganhando um avatar amigável e ironicamente infantil, como o monstrinho roxo do McDonald’s ou o amigo do Popeye que come hambúrgueres toda hora). Ele ficou chocado de descobrir, por exemplo, que alguns dos prédios da Esplanada tinham anexos subterrâneos. Imagina agora toda atividade burocrática se passando em complexos assustadores e distópicos de túneis interligados, com luz fraquejante piscando, carpete verde escuro mofado, filtro d’água vazio rodeado de copos plásticos e pôsteres da Amazônia na parede (“A NOSSA FORÇA”), quadros esquecidos do Sesquiat e gente de terno transportando papéis pra todo lado em carrinhos antiquados empurrados com displicência.  Ele se involuta desse jeito em reação a quase qualquer fenômeno, se encolhe e tenta desconsiderar sua realidade (ou ao menos adiá-la), remontá-lo numa versão animada, nos seus próprios termos, feita para TV. Aos nove anos ele associou essa atividade a de um tatu-bolinha - que se fecha tão rápido numa linda e íntegra bolinha, lisinha ao toque - e ainda mantém a imagem, embora meio fraca e um pouco abstrata (tendo já uns nove anos que ele não vê nenhum tatu-bolinha, embora eles permaneçam igualmente disponíveis, inutilizados, em diversos canteiros e jardins perpassados por ele quase diariamente). Empunha sua guitarra agora com renovada seriedade, e agora senta no chão, para comprovar a mudança de postura, apóia as costas no pufe quadrado e dá pequenos tapinhas nas cordas, com a ponta dos dedos, os mais sutis possíveis, quase surdos. Faz isso por dez minutos.&lt;br /&gt;             Ele sabe mais de música do que qualquer pessoa que ele conhece. Música popular, é verdade, e apenas americana e brasileira, é também verdade (e mais americana do que brasileira), mas mesmo assim. Desenvolve há uns meses um texto que nunca mostrou nem deve mostrar pra ninguém, já de uns cinco páginas (Uma altamente crítica e pouquíssimo deslumbrada teoria do Indie, o troço se chama, mas o título ainda é bem provisório). Ele sabe o que é que estão fazendo, sempre, em boa parte dos cantos desse mundão, e entende os motivos e as pertencenças, as origens, sabe traçar mentalmente para cada música que ouve nuvenzinhas de atribuições e influências de uma complexidade impossível de ser traduzida em qualquer mídia que ele conheça. Ele já pensou, até, em desenvolver um software que o faça, mas os planos não passaram de rabiscos emaconhados num caderno que no dia seguinte ele nem chegou perto de entender (e que insistiam em traçar vários diagramas todos parecidos com capacitadores de fluxo). Sabe decompor as influências dos poucos artistas realmente originais, compartilhar sua força de maneira intensamente sofisticada (ele gosta de pensar que entende melhor do que os próprios artistas, até, na maior parte do tempo). E inclusive sabe que sabe disso, enuncia isso pra si mesmo como parte de uma teatral recomposição de si mesmo, auto-irônica e auto-odiosa (geralmente na forma de uma entrevista madura, de final de carreira, com o Jô Soares)&lt;br /&gt;         Olha, Jô, acho que é o que mais me define é essa indecisão entre esses dois mundos, da tradição americana e da tradição brasileira. Eu me defino assim nessa falta de definição, entende?Como um objeto ansioso, se me permite.&lt;br /&gt;          Agora já meio deitado, com a guitarra ainda em seus braços e sendo bem suavemente tocada, ele tenta com os pés apanhar um isqueiro que havia caído da mesinha do computador e que quase saía do quarto. Com o corpo quase todo deposto no chão, ele percebe que consegue sentir uns pequenos tremores e vibrações no prédio, intercadências de maquinaria distante, do elevador, de eletrodomésticos dos vizinhos, do encanamento, funcionamentos vagos chegando até ele como gestos denunciadores de uma materialidade total inapreensível, daquele prédio como um corpo infinitamente complexo de concreto armado e vidro e aço sabe-se lá o que mais, um bicho rugindo. Ele desiste do que estava tentando e se deita todo no chão, percebe que consegue ouvir uma multitude absurda de coisas abafadas e distantes, um universo distante de significado. Já havia ouvido a Helena falar de como aquele pequeno espaço fechadinho entre as varandas (perto da parede ali mais próxima de sua cabeça) comunicava os sons de todos os apartamentos de cada prumada, mas nunca havia sentido aquilo de verdade, até então. Aquele ponto onde ele estava, de alguma forma, deveria ser onde culminavam aquelas reverberações todas, em tanta nitidez. Ou então - e ele entretia também essa possibilidade com igual atenção - ele estava doidão pra caralho, e aquilo não passava do ruído normal que qualquer um consegue escutar a qualquer momento, se prestar mínima atenção.&lt;br /&gt;          Sempre que sob a influência ele sentia essa capacidade de estender indefinidamente a importância e o peso de uma pequena sensação específica, um único dado minúsculo da realidade de alguma forma explodido e tornado total, tornado importante.&lt;br /&gt;          Sua guitarra estava ainda no seu peito, repousada com algum conforto, uma extensão carinhosa de si mesmo, infinitamente confortável, e ele não havia parado, durante esse tempo, de tocá-la lentamente nuns acordes espaçados e pouco coerentes, ruidosos de muita e acumulada distorção reunida de quatro pedais distintos. Mas agora ele parou, tirando o cabo, para melhor ouvir o que ele tinha para ouvir, aquele apanhado pontiagudo e disperso que ele pudesse reunir em coerência, explicar, de alguma maneira. Ele conseguia distinguir janelas sendo abertas e fechadas, com vidro correndo estridente e relutante, uma televisão (ou rádio) com canais sendo trocados toda hora por alguém indeciso, uns alarmes eventuais que poderiam ser de bem qualquer coisa, microondas, rádio-relógio, celular, uma música repetitiva que ele decidiu ser de um videogame, embora sem muito motivo, e uma vibração meio uniforme e distribuída que se interrompia e se retomava em intervalos que poderiam muito bem ser os de um elevador.&lt;br /&gt;        Ele demorou muito tempo para entender quais daqueles barulhos – aqueles surdos, abafados e meio uniformes que se sobrepunham a todo o resto em ritmos e intervalos próprios e aleatórios – que seriam vozes humanas.&lt;br /&gt;        Ele passou a se concentrar nelas, então, tentar entender o que tavam dizendo. As palavras em si pareciam bem impossíveis de serem compreendidas, mas talvez o ritmo e algo da inflexão poderiam ser intuídos, reunidos e explicados (e também o próprio processo de interpretação ele narrava pra si mesmo, com os dedos encadeados no peito, uma recursão que ele precisava frear toda hora para que não o distraísse da primeira e mais importante atividade). Entremetidos a todo o excesso, ele percebeu duas linhas constantes que pareciam compor uma conversa mais sustentada. Uma masculina e outra feminina (aparentemente, na verdade tudo que percebia era que uma era bem mais grave que a outra). Estavam exaltadas, e por isso se destacavam ao resto, na verdade, ele percebeu, elas quase gritavam em resposta uma a outra. Ele não conseguia entender o sentido possível de nada, mas os ritmos eram bem reconhecíveis, se alinhavam numa forma qualquer imediata de briga de casal (no mínimo, certamente uma briga de duas pessoas íntimas). Na verdade, naquelas vozes tão abafadas onde nem a língua portuguesa conseguia se verificar de nenhuma forma definitiva, aquilo se tomava como um modelo meio abstrato de briga-de-casal, ele percebeu, como se estivessem apenas praticando uma forma vazia, ali, preenchendo os gestos sem um conteúdo real, talvez porque praticassem. Com uma pontada de dor súbita de mau jeito na cintura, torcida pro lado ali no chão, ele veio a si por um instante, percebeu que estava há bem uns dez minutos ali ouvindo aquele troço todo, deitado no chão. Ele não estava nem de longe doido o bastante para que isso não se lhe afigurasse como exagerado.        &lt;br /&gt;         Mas ainda conseguia ouvir as duas vozes, ainda se esbatendo incessantemente, duas linhas que resistiam uma à outra, um imitando a frase anterior do outro, ridicularizando-a, reproduzindo aqueles tons extremos, vociferados.&lt;br /&gt;         Ainda discorria a preocupação de que ele estaria talvez fazendo algo imbecil, indultando suas partes mais reprováveis e perdendo mais uma tarde inaudita em algo tão distante e opaco, o dia escorrendo irreversivelmente sua luz pra fora das janelas, prorrompendo em perdas, irrecuperáveis e incompreensíveis perdas, oportunidades imensas desperdiçadas, espatifadas, com uma das vozes na sua cabeça se prontificando a tentar entender o que se passava de alguma maneira um pouco mais objetiva, menos dispersa e doidona. E aí que Os vizinhos do quarto andar. Aquele casal que Helena tão frequentemente dizia esquisito, ele fortão e barrigudo, de cabelo um pouco grisalho, naquele ponto meio estranho entre uns trinta poucos e uns trinta e tantos (estranho pela maneira adolescente que o cara tinha ainda de se vestir, bermudas surfistas e camisetas esportivas, sempre) e ela um tiquinho de gente, moreninha até bonita e minúscula, meio olhuda, ele sempre andando com a mão de orangotango aranhada em volta do pescoço frágil dela, parecendo que ia quebrar, e meio que conduzindo o progresso dela, pra dentro do elevador, pra fora do elevador, pra baixo da escada. Helena ficava puta com tudo aquilo. Ele argumentava com Helena que a mulher não tinha olhos submissos e fracos, na verdade, e que às vezes ela gostava dessa imposição física e mandava no marido em todo o resto. Ele não acreditava particularmente naquela interpretação, mas era possível, e ele se sentia de alguma forma invocado a dispor um ponto contrário ao de Helena, apenas porque parecia assim mais simétrico. Mas agora ali ele começou a se preocupar com a possibilidade daquele barulho ser deles dois brigando (eram o único casal não-aposentado do prédio que não trabalhava, passavam o dia vendo TV e gritando um com o outro, passavam os fins-de-semana todos fora de casa, ele em campeonatos de Rally sobre os quais falava longamente no elevador, inclusive depois de parar no seu andar, segurando sua porta meio como se te desencorajando de sair antes de terminar a história), e começou a temer pela integridade física da mulher. E realmente não sobraria muita coisa se aquele cara decidisse bater nela, em termos de assim ossos. Uma murranca dele devia afundar tudo ali. Ele imaginou a cabeça dela cedendo como metal líquido, cavando pra dentro, o que acabou deslanchando em algumas cenas sustentadas de uma mulher-de-metal-líquido apanhando impunemente de um cara fortão e confuso, gargalhando sua invencibilidade. E como seria legal ser feito de metal líquido, como o T-1000. Mas aí de repente houve um barulho mais forte, ainda difícil de se compreender, soado de mais de uma maneira, com vários tipos de materiais se combinando, um barulho seccionado, e que silenciou as duas vozes por um instante. Ele percebeu que seria bem isso que ele ouviria, provavelmente, se o marido desse uma porrada na mulher. E uma porrada forte, mesmo, já que o barulho não se seguiu de mais gritos raivosos, ou de uma reclamação, ou de alguma espécie (mais simbólica do que qualquer coisa) de revide, ou choro. Havia sido uma porrada definitiva, de algum tipo, ele pensou. Ele possivelmente seria a única pessoa do prédio a entender aquilo. A única a deitar no chão e captar as vibrações todas. Se não estivesse prestando tanta atenção, os barulhos tão teriam se acumulado naquela narrativa que ele conseguiu compor. Mas também, ele sabia, haveria uma chance gigantesca de uns barulhos ligeiramente sugestivos terem sido interpretados doidamente. Às vezes esse último barulho soou claramente longe daqui, fora do prédio, e ele que não conseguiu perceber. E se fosse a primeira opção? Ele não poderia fugir daquilo, da realidade daquela merda, então. Aquilo estava acontecendo de verdade, naquele momento, apenas alguns andares abaixo. Tipo coisas verdadeiras verdadeiramente se combinando de maneira efetiva. Como em filmes, o personagem do marido ainda tentando enrolar suas ferramentas cognitivas em volta da realidade da situação, checando o pulso da mulher, tentando entender se haveria indícios na cena que o incriminassem, sua mão levemente machucada do soco, a quina do armário onde ela bateu a cabeça, tudo insolitamente limpo, sem nem uma gota de sangue. Ele então esperaria a madrugada para descer com o corpo da mulher enrolado em algum material improvisado, talvez cortina do chuveiro, talvez lençol, talvez um tapete, direto para a garagem, evitando as câmeras do prédio (o que não seria fácil de se fazer, como ele vivia comentando com Helena, absurdamente compondo planos fantásticos de assaltos ao prédio). Ou então fatiaria em vários pedaços e dividiria o corpo em diversos sacos plásticos de supermercado (“Alcatra”, ele diria, no elevador). Ou às vezes  ela ainda estaria viva, mas o marido estivesse assustado demais, paralisado pela merda que tinha feito, pelo azar de um soquinho de nada ter resultado tão catastrófico, amaldiçoando a fragilidade absurda dela, de bonequinha (que tanto o excitava em situações bem diversas daquela). Talvez ele realmente gostasse dela, em algum nível, e estaria chorando agora copiosamente e calculando as maneiras mais fantásticas de se redimir daquilo (e, embora o marido fosse bem claramente o vilão da história, ele lembrou que era bom e correto lembrar que ele possivelmente cresceu num ambiente imbecil, circunstâncias culturais imbecis, onde tudo potencializava aquela sua masculinidade animalesca e simples, violenta, de mãos de orangotango) incluindo o suicídio imediato, correndo desde a sala até a varanda e pulando fantasticamente, com a propulsão que suas pernas absurdamente fortes deveriam proporcionar (talvez caindo até perto do estacionamento lá embaixo). Se essa opção fosse a correta, ele pensou, certamente se seguiria um barulho mais fantástico de um corpo se espatifando em algum material lá embaixo, seguido, é claro, de exclamações variadas de toda a quadra, comoções várias, articulações decompostas e ramificadas daquele impacto em várias novas vozes e registros (como uma fuga, ele pensou, mas não tinha rigorosamente nada a ver, ele também pensou). Era difícil imaginar como é que soa um corpo batendo em asfalto. Ele pensou naquele barulho comicamente amassado de coisas se espatifando como massinha, em desenho animado, algo como ploft.  Ele pensou no tanto que seria incrível se isso realmente acontecesse agora e ele tivesse conseguido antecipá-lo. De como ele poderia explicar aquilo em meses e anos subseqüentes, todo Sherlock Holmes, todo retoricamente diminuindo a importância (“eu consegui entender o que tava rolando, e percebi que ele talvez agora fosse se matar, porque dava pra ver que, apesar de tudo, eles gostavam um do outro, de algum jeito maluco, o que a Helena sempre negou, mas não tive tempo de impedir nada, infelizmente”). E se qualquer daquelas coisas tivessem se passando, como que ele poderia explicar que não tomou nenhuma atitude? Que continuou deitado no chão com uma guitarra no peito e apenas uma das meias no pé, sem ainda ter almoçado, peidando repetidas vezes e julgando estudiosamente o cheiro de seus novos peido em comparação com os anteriores (um juízo que ele meio misticamente relacionava ao seu bem-estar assim espiritual) às três hora da tarde, e não tendo feito nada digno de nota naquele dia todo (embora, sendo justo, o seu dia tivesse começado apenas às onze e meia, e ele tivesse lido quase um terço do jornal e tomado suco de laranja). Que sua garganta agora pudesse ser retraçada por um matizado gosto de cigarro e Passatempo, com pedaços ainda generosos de massa de biscoito sendo resgatados com a língua de buracos entre os dentes na última meia hora. Ele tinha conseguido interpretar o negócio todo de uma maneira genial e não havia tirado nenhum proveito daquilo. Nem sequer se apresentava como possível sua intervenção, qualquer que fosse, ele nem chegava a imaginá-la de verdade. Até parece que ele desceria as escadas e bateria na porta e perguntaria se estava tudo bem. E se tivesse? E se não tivesse? Mesmo se o que tivesse ouvido fosse mais conclusivo, mais óbvio, se não tivesse doidão agora e conseguisse determinar que sim, que certamente havia acabado de escutar um marido dando uma porrada na esposa, ou (quem sabe?, sejamos inclusivos) uma esposa dando uma porrada no marido (fisicamente a coisa parecia improvável, mas há sempre um abajur, um cinzeiro, uma chave-de-fenda ou castiçal que facilitem o trabalho). Ele provavelmente continuaria aqui deitado do mesmo jeito, recebendo esses sons macios e espaçados e abafados como espasmos abstratos de um mundo impossivelmente longe, igualmente composto de concreto e vidro e tinta descascada e vazamentos  e vizinhos estranhos e impostos e homem do gás e luz derramada no térreo e ônibus queimados e motoqueiros com urgências e triplos assassinatos e mobilizações da categoria e reformas da previdência, um mundo do qual ele participava apenas formalmente, sem de fato se compreender como imerso dentro de seus funcionamentos e integrante das suas estruturas de participação.&lt;br /&gt;             Ele pode tentar, pode tentar ainda refinar a sua interpretação, tentar uma retomada dos barulhos escondidos, uma repetição dos augúrios, das relações compreendidas. Dos ruídos que ele tenta reunir. Suas costas estão inteiras no chão, até incômodas, sua nuca duramente deposta em madeira lisa. Ele vira de lado, recolhe suas pernas, repousa o braço da guitarra no chão. Seus olhos estão fechados, ele não sabe o que fazer. Em algum momento Helena deve chegar, assoviando alguma música brega e romântica, como sempre faz (ontem Claudinho e Buchecha), chamando ele de Guto, de lindinho, perguntar o que ele fez o dia todo. Impedi um assassinato e um suicídio, ele poderia dizer, com as forças do pensamento positivo. A luz recortada da janela se alonga na parede, se estica num losango distorcido que enfraquece, quase se confunde ao cinza do resto do quarto. Ele começa a sentir a consciência fraquejando, as bordas das coisas se misturando, os limites já porosos, sabe que logo-logo vai adormecer. Ele percebe isso com alguma gratidão. Ele deveria, no mínimo, escovar os dentes. Reunir-se a esse tremendo e memorável e necessário feito de higiene e, secundariamente, até saúde, de certa forma. Não pode haver nada de imediatamente reprovável em escovar os dentes, ele acha. Nenhuma culpa se derivaria disso. Ele sente os tremores e os ruídos circundantes todos se embaçando num mesmo pulso, um mesmo excesso indistinto e distante, cinza, que cede, um gesto vago significando nada, ou bem pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-302309692257683381?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/302309692257683381/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=302309692257683381' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/302309692257683381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/302309692257683381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/10/esse-conto-e-meio-grande-ninguem.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-7270237363624449841</id><published>2009-10-03T23:30:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T08:27:26.617-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O futebol de júnior baiano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Nós nos damos o tempo inteiro com uma cultura que não conseguimos ter como nossa diretamente, que não nos diz nada (os modos de expressão mais imediatos estão tomados, cinema é tudo publicidade, etc). Por isso todas essas circunvoluções retóricas quando neguinho quer fazer arte (e com isso não quero dizer só arte maiúscula toda séria, não), todos esses redemunhos confusos. Todo mundo quer encontrar focos de autenticidade, reuni-los, de alguma forma, tentar se apoiar neles. E daí esses focos sempre bem frágeis, equilíbrios geralmente acidentais de forças retóricas grandalhonas como placas se chocando e deslizando uma contra outra, dando em posições e acomodações eventuais bem-sucedidas por motivos geralmente pouco explicáveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o post começava assim pra falar de música indie, mas aí eu não fiz isso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*se exalta*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí que eu, pessoalmente, aqui no fundo da minha humildade e pequeneza e perna esquerda torta, de frente a essas fantasmagorias se agitando como se importassem, como se dissessem alguma coisa, me vejo envolvido  mais uma vez com o Campeonato Brasileiro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Envolvido&lt;/span&gt;. Do tipo saber vários jogadores de times tipo Atlético Paranaense e Vitória, de me revoltar com declarações de jogadores e saber de cabeça pontuações. De ter opinião sobre o futebol de pessoas chamadas Thiago Feltri e Neto Berola e Marquinhos Paraná e Muriqui. Saber nomes de árbitros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E torcer, ainda, o que é mais maluco. De me importar e ter meu humor alterado por causa de resultado de jogo (eu sou cruzeirense, aliás). E o tempo inteiro com algumas vozes dentro da minha cabeça repetindo o tanto que o negócio é maluco e não faz sentido, chamando a minha atenção pra arbitrariedade, os movimentos constrangidos da grandeza meio tola que tenta se articular, impossível, os fundos corporativos pequenos e feinhos por trás de tudo, com suas tentativas técnicas de maximizar as potências dramáticas e épicas (a Globo e toda sua relação involuta com as torcidas, Galvão, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;super-câmera&lt;/span&gt;), os impulsos de masculinidade besta, a ingenuidade tremenda e insciente do povo metido ali, as facções de torcidas de um mesmo time ganhando complexidades orientemedianas, as mesas redondas se redobrando sobre si mesmas em análise de umas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pequeníssimas &lt;/span&gt;coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda torcer em Brasília, onde a coisa nem faz sentido num nível imediato de identidade coletiva local, de ir pro estádio, de ver a cidade minimamente transfigurada pelo resultado da rodada anterior nas bandeiras na janela e motoqueiros uniformizados no dia seguinte. E ainda nem gostando de tirar sarro dos outros, como eu não gosto. Em Brasília a coisa tornada ainda mais abstrata, as denominações heráldicas dos times ainda mais engraçadas e longes, significando apenas a si mesmas (e olhe lá), uns nomes aí antiguinhos hipostasiados e fingidos de identidade, reunidos uns fatos e momentos cuidadosamente selecionados e devidamente protegidos da realidade, contidos com as mãos, pra consagrar uma suposta presença qualquer aí confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade esquisita que o negócio tem de pretender uma totalidade, com suas infinitas esferas de importância se decorrendo de cada evento, comentadas e subcomentadas, explodindo em tópicos no orkut. E de todas as grandes narrativas aí rolando, de todas as versões do mundo, a mais absurda. Justamente o seu tamanhinho, a sua falta de jeito. E isso sem falar sobre o futebol, em si - o jogo, a coisa tática, os passes bonitos, os golos - porque eu não sei nada de futebol. Leiam o PVC e o Tostão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;SEGUNDA PARTE DO POST, QUE É DIFERENTE MAS QUE TEM UM POUCO A VER&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se acostumar com comentaristas de youtube, com yahoo!respostas, com Barbara Johnson propondo um tríptico de leituras composto de Poe, da leitura do Lacan de Poe e da leitura do Derrida da leitura do Lacan de Poe,  com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mezzanine&lt;/span&gt;, com todos esses excessos fumosos, uma parte minha vai se afeiçoando a uma impressão de que qualquer coisa no mundo - qualquer item destacável da realidade - pode se desenrolar em infinitas recursões, tudo pode se redobrar infinitamente sobre si mesmo em linhas discursivas progressivamente complicadas.&lt;br /&gt;Como se toda coisinha (todo jogo do Goiás, música do Djavan) se pretendesse, assim meio sem querer, absoluta. Falhando miseravalmente, em seguida, é claro, toda bonitinha.&lt;br /&gt;Nada parece muito negligenciável, tudo parece da maior importância, participando de esferas tipo concêntricas de masseza. O negócio quase ficaria místico, se eu soubesse me explicar. A gente poderia escolher um único item e lhe dedicar o resto da vida, estudando, anotando, revisando, sem chegar a nenhum fim. Um episódio de Sai de Baixo, um andar do Mercure Apartments de Osasco, um mamilo da Taís Araújo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-7270237363624449841?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/7270237363624449841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=7270237363624449841' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7270237363624449841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7270237363624449841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/10/o-futebol-de-junior-baiano-nos-nos.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2290145301967619336</id><published>2009-09-02T20:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T11:10:14.337-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Se for o segundo caso, é bem triste que ela tenha encontrado esse blog aqui, tão bobão e insuficiente, assim como um textinho sobre “Linguagem e verdade em Autran Dourado” e um outro chamado “O amor se constrói e dói construir o amor”. O cara todo tentando que o mundo mostre algum sentido, e o Google todo cínico, todo robozão burro, entregando pedras para que ele mastigue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-se a pessoa ouve abrulho através de movimentos de moveis q se mexem por causa da presença de um espírito oq quer dizer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ora mas se você já disse que é um espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-como matar passarinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dá pra entender melhor quem queira matar um passarinho pelo exercício de uma técnica, duma arapuca, duma espingarda de bolinha, tal. É bem mais doido alguém que esteja tipo diretamente interessado na morte de passarinhos, em si, com a técnica sendo um acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-adjetivos engraçados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Este é o mais popular. Chegam aqui aos baldes querendo adjetivo engraçados&lt;br /&gt;Bojudo é um, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-como eu ponho a linguagem no jogo age of empires&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Esse é tão lindo. A linguagem já está no jogo, Guilherme (posso te chamar de Guilherme?), de tantas maneiras diferentes, em tantos níveis! As linguagens de código doidamente complexas que carregam tudo adiante por baixo da interface, a linguagem pictórica tão elementar e básica de hominhos civilizando uma terra randômica, cortando lenha e construindo casas, a jogabilidade intuitiva que nos direciona a rapidamente se adequar às propriedades do jogo, etc. O subtexto não-intencionado de que empreender civilização significa dominar território e matar os cavalos alheios e roubar as ovelhas e as minas de ouro, etc. Mas você provavelmente quer dizer aquela caixinha de comando de texto. É apertando enter, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-vijogueime&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;De novo, é quase impossível penetrar na circunstância de alguém que se depare com o Google e demande algo tão simples. O que ele esperava, exatamente? Minha conjetura favorita é de um moleque impossivelmente novo (tipo, sei lá, dezoito meses) que se contente com a mera força taumatúrgica da ferramenta de pesquisa, com as ocorrências pressurosas avalanchando aos milhões, tão imprecisas, com fotos de baixa resolução do console de PS3, do Wii, e que já fique contente com isso, com essa invocação (meu irmão de quatro anos tem algo parecido com fotos de animais e tratores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-furta-cebolas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-Quem escreveu mundo dos pseudoeventos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ah. Somos nós quem escrevemos esse mundo, meu rapaz. Todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É legal se ver como de alguma forma participando dessas pesquisas todas, de alguma forma metido junto deles dentro de um mesmo corpo amorfo e desengonçado de articulações pouco intencionais, de alguma forma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;responsável &lt;/span&gt;por elas, também. Conjunções muito específicas as quais eu não entendo me ligaram a essas pesquisas todas, só resta concordar e juntar os dedos e tentar divinar a sabedoria maior de deus Google, né, que tudo aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda (bonus tracks):&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;macacos brigando ate a morte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;orelhas pequenas quase infantis &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como arranjar um homosecsual&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2290145301967619336?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2290145301967619336/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2290145301967619336' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2290145301967619336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2290145301967619336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/09/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3632026196285783636</id><published>2009-08-05T11:30:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T11:39:24.492-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como ninguém me dá o que fazer no trabalho, eu lhes ofereço outro post enorme, vlw&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;LIT BR CONT &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;Num artigo que eu li uns meses atrás, um bróder chamado José Castello falava de como literatura brasileira contemporânea teria agora uma tendência de reinventar a realidade, e não mais apenas se postar como imitadora banal e obediente, automática (como se fosse possível imitar automaticamente a realidade, como se houvesse um discurso claro disponível a se obedecer), fundar suas ficções com princípios tortos e deliberadamente estranhos, turvos, complicadinhos.&lt;br /&gt;    Afora a banalidade maior dessa constatação, da tão pequena tentativa de tentar pegar emprestado uma tendência óbvia e mundial e já velha e tentar dar uma cara ousada e maisoumenos fixa a algo tão informe e despegado de cor como a nossa literatura, a coisa se torna &lt;span style="font-style: italic;"&gt;particularmente &lt;/span&gt;imprópria quando o cara tenta botar no meio o Cristovão Tezza e o seu filho eterno.&lt;br /&gt;    Esse livro, pra quem não sabe, é um romance que fez um sucesso do caramba ano passado, história de um pai tentando lidar com o fato do seu primeiro filho ter síndrome de down, estilão realista tradicional com discurso indireto livre competente e acima da média. O suposto encaixe do Castello estaria no fato do livro de Tezza ter se desenvolvido a partir da tão-ousada decisão do escritor de,  não só fundamentá-lo diretamente na sua experiência (já que o autor viveu justamente a história do livro), mas de ainda botar um filtro entre ele e o personagem, e torná-lo um tremendo babaca bestinham que despreza o filho com síndrome de down durante a maior parte do tempo, chegando a desejar sua morte, e tudo mais. A complexidade, segundo o Castello, se encontraria em algum lugar por aí (ele não faz muito mais além de gesticular vagamente). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na tão moderna confusão entre o fictício e o real&lt;/span&gt;, é o meu chute. Ele não é o único a achar isso. É impressionante como se insiste em enxergar esse pulinho do Tezza como algo corajoso pra caramba, mesmo depois da recepção tremendamente entusiasmada e rara que o livro ganhou, de quase unânime. Com os prêmios todos, com pilhas de resenhas elogiosas, num lugar tão distraído como esse, deveria de se tornar óbvio que o livro – suas qualidades quais sejam – é uma satisfação bem imediata das expectativas estéticas d’hoje em dia, do gosto desse povo que resenha literatura. Devia se tornar claro que ele não é uma quebra de porra nenhuma.&lt;br /&gt;   Pelo que me parece, a dificuldade do Tezza estava em cumprir um ato significativo que não se esbatesse contra uma breguice incontornável de livro de auto-ajuda, com mensagem óbvia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Foi Difícil Mas Aprendi A Amar Meu Filho Deficiente Do Jeito Que Ele É E todos Crescemos No Processo&lt;/span&gt;. Sem dúvida que isso seria difícil, que seria quase impossível. A solução dele, então, foi extrair qualquer possibilidade de moralismo ou sentimentalismo óbvio, não só compondo o livro a partir de um filho-da-puta como evitando qualquer moralização maior por parte da narrativa (porque nós estamos, é bem claro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito acima disso tudo&lt;/span&gt;), evitando inclusive a segunda opção técnica óbvia: se distanciar mui sutilmente do personagem para criar aquela ironia fácil que o povo tanto adora por aqui, de que o Chico Buarque claramente se serve no Leite Derramado (que eu só folheei). O que ele põe no lugar não é de nenhuma ousadia moral, sofisticada e assustadora, ou de qualquer complicação que possa te perturbar de qualquer maneira. A miopia do autor não chega tão longe. É apenas rasteiro, é apenas uma operação de sinais trocados, de uma neutralidade moral tão simples e covarde quanto a moralidade óbvia e automática de um romance tolo do século XIV, uma resposta automática e igualmente ingênua na sua compreensão de que está, de alguma forma, sendo fiel à complexidade de qualquer versão coerente da realidade.&lt;br /&gt;    Isso porque o livro não é opaco, não é que as coisas se passem sem valorização nenhuma, nouveau-roman-like. Isso fica bem claro quando o livro apresenta os frequentes arroubos do personagem diante da opressora falta de sentido da vida. Tecnicamente, o livro se demonstra nesses momentos bem convencional (o que não é um problema), bem direto na sua enunciação retórica. O tom amargo e repetitivo do personagem, de conclusões óbvias, medíocres e inexpressivas, desimportantes, se coloca tão diretamente e tantas vezes que o autor acaba descendo e sujando as mãos, mostrando a cara um pouco e dando tchauzinho. Torna ainda mais evidente que as pinças cagonas com as quais ele trata o seu personagem e a complexidade (real) do seu problema não constituem uma técnica formal sofisticada, mas sim a falta de qualquer visão profunda sobre temas um pouco mais complicados, e o medo de se aventurar por terreno (esteticamente) pedregoso.&lt;br /&gt;   Não seria justo esperar de Tezza que ele nos entregasse uma solução moral perfeita e esteticamente agradável de um tema tão complicado, mas tampouco me parece satisfatório aplaudir tão efusivamente o que não passa, no final das contas, de uma realização técnica mínima, que se mantém rente ao chão, de nenhuma coragem ou originalidade expressiva.&lt;br /&gt;   E, tocando no tal do José Castello, o que não dá – não dá mesmo – é  dizer que qualquer coisa tecnicamente sofisticada esteja se operando aqui, que Tezza tenha se distanciado da realidade para fundar seu próprio mundo de agudeza de significado, de turvamento retórico, um parque colorido de recursões autor-personagem do tipo que o Roth mantém. De fato, não há nada nesse livro que não seja claríssimo, imediatamente apreensível. O seu tom, sua técnica, sua escolha vocabular, suas situações, suas conclusões. Ele é todo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pequeno&lt;/span&gt;*.&lt;br /&gt;   Sim, síndrome de Down é um tema cercado de dificuldades estéticas, minado de clichês. Mas a solução não está – não pode estar – em fingir então que o tema não tem nenhuma importância, em tratá-lo da maneira mais rasteira possível, onde absolutamente nada se arrisca. Os resenhistas parecem se divertir justamente com isso, Estamos evitando tomar julgamentos morais!, estamos contornando posições politicamente corretas e prontas!, isso deve ser grande literatura! Não é.&lt;br /&gt;   Os leitores parecem bastante animados com essa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;via negativa&lt;/span&gt;, com esse medo cagão de clichê, além da mera possibilidade de sentirem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alguma &lt;/span&gt;coisa (que a técnica do Tezza possibilita). Mas o que estamos sentindo é só pena. Do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O que não é necessariamente um problema. Grandíssima arte já se fez com tudo pequeno (Chekov, Carver). Mas o pequeno do Tezza se quer grande, se quer Coetzee, quer que a raivinha meio existencial meio burguesa meio medíocre do seu personagem tenha a força de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Disgrace&lt;/span&gt;. Aí não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;Mãos de Cavalo é bacana, sim. Comprem para os seus amigos, seus primos, seus tios, suas namoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Muito divertido, &lt;a href="http://bogotissimo.com/mapas/clarah.htm"&gt;isso aqui&lt;/a&gt;. Os sinais estão corretos e bonitinhos, fluidos e naturais, os pontos de referência (maiores e menores) estão todos firmes, o ímpeto é certo, dever de casa feito. A organização engraçadinha funciona em vários sentidos, ultrapassa o imediatamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gimmicky&lt;/span&gt;, e, curioso, dá numa leitura não-linear bem mais fluida do que uma impressa daria, e mais divertida, menos aparatosa.&lt;br /&gt;O truque é simples, até intuitivo, mas a graça é justamente essa. A naturalidade com que a coisa se organiza na nossa cabeça, usando de maneira nova de umas ferramentas que a gente já tem, lá, prontinhas na nossa cabeça. Boas sacações formais funcionam assim. &lt;br /&gt;É verdade, também, que os eventos todos se repassam um pouco de desculpa pra brincadeirinha formal, sem aparecer aquela – me desculpem – LIBERDADE PLÁSTICA, aquela – me desculpem de novo – NEGOCIAÇÃO COM A CONTINGÊNCIA, é verdade que o tom irônico não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;precisava&lt;/span&gt; diminuir quase todos os personagens da mesma maneira facinha. Mas tou sendo chato, não dá pedir tudo de uma vez, também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3632026196285783636?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3632026196285783636/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3632026196285783636' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3632026196285783636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3632026196285783636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/08/como-ninguem-me-da-o-que-fazer-no.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6723182389461388881</id><published>2009-07-29T12:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T12:39:57.905-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um intervalo auto-indulgente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;    Eu juro que não gosto de ser chato, e deus sabe que eu costumo engolir seco os tão freqüentes impulsos (no mínimo diários) de OHMEUDEUS, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Someone is wrong on the internet! &lt;/span&gt;Mas meu trabalho tá chato e o dia não passa e, olha, hoje vou ME PERMITIR (tipo uma mulher mãe dona de casa executiva comprando um Sundae no Drive-Thru e comendo em três garfadas, ainda no estacionamento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem pelo menos duas coisas erradas com&lt;a href="http://www.dicta.com.br/os-brutos-tambem-amam/"&gt; isso aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Primeiro:&lt;br /&gt; Existe já um discurso prontinho, reanimado frequentemente, de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Essas coisas moderna aí são tudo besta, o que importa mesmo é a beleza&lt;/span&gt;.  Isso costuma significar muito pouco, ou quase nada, e nesse caso não é diferente. Até dá pra conferir algum tipo de validade pro argumento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;as-modernidades-precisam-sossegar-um-pouco-de-tanta-bagunça&lt;/span&gt;, embora ele dificilmente seja de interesse para qualquer um,  e seja igualmente articulado por críticos medíocres e a novela das sete, o que não dá pra entender é a parte &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que importa é a beleza&lt;/span&gt;. Certo. Não dá pra entender se com isso se quer dizer que arte moderna não conseguiu produzir nada de bonito, ou que ela nem sequer está tentando. As duas alternativas são tolas. Ninguém é obrigado a concordar com as premissas engraçadinhas da arte contemporânea, nem da música, nem da literatura, mas achar que existe algum sentido real em simplesmente dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas gente, o que aconteceu com a beleza???&lt;/span&gt; é de uma ingenuidade constrangedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo (mais grave):&lt;br /&gt;O autor desqualifica a crítica de o vídeo ser uma propaganda de uma multinacional, tratando o argumento como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;papo de intelectual&lt;/span&gt;. Pelo tom do texto, dá pra supor que ele vê essa crítica como uma imposição meio abstrata, meio teórica, algo que as pessoas se sentem artificialmente na obrigação de sustentar - por estarem imersos num discurso acadêmico, talvez – contra algo que é, assim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;simplesmente bonito&lt;/span&gt;, e que portanto estaria acima dessas críticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele não parece antecipar é o a possibilidade do status publicitário de alguma obra necessariamente atingir qualquer força estética que ela possa ter. Sendo bem didático:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; publicidade quer alguma coisa de você, quer te vender alguma coisa&lt;/span&gt;. Isso compromete qualquer definição sustentável de arte, e compromete a nossa relação direta com boa parte das ferramentas estéticas disponíveis. E, sim, existe algo de particularmente perverso na veiculação casual de publicidade, como é o caso dos virais. Vídeos despretensioso de internet são, afinal de contas, uma produção cultural popular genuína, de um alcance considerável e um impacto até bacana. Pode não ser exatamente Brakhage, mas é um canal verdadeiro de interação, com gente tentando se expressar, e tudo mais. O fato de a publicidade tentar tomar esse mundo pra si torna muito mais difícil que a gente confie neles, torna mais difícil que eles consigam transmitir qualquer coisa*.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nenhum resmungão do tipo do Gaddis, do Adorno, esse confusão aí *gesticula amplamente* é a minha casa, e eu vivo feliz nela. Já estou um tanto acostumado com o espaço que publicidade &lt;a href="http://contracampo.com.br/92/pgpublicidadevenceu.htm"&gt;ganha &lt;/a&gt;como força cultural (prêmio em Cannes, imprensa cultural tratando tudo nos mesmos termos, tudo criatividade, Washington Olivetto na capa da Cult), mas é meio deprimente ver partilhar desse tipo tolo de cegueira a revista que tão altivamente tenta se colocar como contrária à mediocridade nacional, à banalização da cultura. Então tá, então. Depois não me venha falar dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Exemplo pessoal e pouco representativo: tem um poema lindo do Frost, dos meus favoritos, que termina &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Here are your Waters and your watering place / Drink, and be whole again beyond confusion&lt;/span&gt; . Quando eu li isso pela primeira vez, me veio à mente um comercial de água, essa frase escrita em comic sans numa garrafa da Evian. Eu sei que isso é muito da minha cabecinha escrota, mas existe um sentido aqui. Ela estava acionando um reflexo condicionado, ela tava tentando, tadinha, não ser enganada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e ainda tem o fato do vídeo ser, ele mesmo, propaganda ou não, bem bestinha, bem pouco original, mas isso nem tem graça dizer)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6723182389461388881?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6723182389461388881/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6723182389461388881' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6723182389461388881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6723182389461388881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/07/um-intervalo-auto-indulgente-eu-juro.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5086388480437713905</id><published>2009-07-23T10:29:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T10:46:42.968-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notes on awesome (um post horrivelmente grande)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;    Though I am speaking about sensibility only -- and about a sensibility that, among other things, converts the serious into the frivolous -- these are grave matters.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho até um carinho considerável por toda a cultura de awesomeness (que eu traduzo, meio idioletamente, como cabulosidade), mas me  incomoda um pouco a valorização que anda se dando, a confiança deposta nos seus ombros, achando-se que o buraco não tem fundo e a força do negócio pode ir se auto-afetando indefinidamente, cheio das implosões bulbosas, dos Zumbis caubóis e tiranossauros ninjas e piratas chtulhu dirigindo suas motos e seus dirigíveis até o infinito, os termos negociados numa pequena e confusa retomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A coisa vai progressivamente ganhando seus carimbos de reconhecimento e legitimidade, vai se consolidando e &lt;a href="http://www.dapperstache.com/index.php?contenttype=ptoa&amp;amp;title=ptoa"&gt;endurecendo&lt;/a&gt;. É um progresso sempre contrito e contraditório para uma sensiblidade, um troço tão fugidio, que progressivamente perde um pouco da sua graça frágil ao ganhar contornos oficiais e se estabelecer melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Dá pra ver&lt;span style="font-style: italic;"&gt; um dos lados &lt;/span&gt;da coisa progredindo de um jeito bem simples, e feio, no caso do Duro de Matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    *ahem*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O primeiro filme – talvez até o segundo* - tem uma relação ingênua e direta com seus termos heróicos de masseza absurda, a ligeira subversão de convenções se deve muito ao carisma meio acidental do Bruce Willis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O filme veio na esteira de um milhão de filmes do tipo, de policiais durões que não seguem as regras e improvavelmente salvam o dia, ao mesmo tempo afirmando e contestando a autoridade das instituições, e tudo mais. Mas ele foi o único filme que manteve uma graça confusamente irônica, do Bruce Willis realizar seus atos implausíveis com uma aparente consciência de cantinho de boca do tanto que estava sendo absurdo e improvável. É um marco do que viria a ser esse tipo de sensibilidade, mas a aparência é de um processo bem acidental e natural, até quase inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mas aí vem temos o Duro de Matar 4, tão recente, já mil anos depois, com seus produtores e roteiristas presumivelmente crescidos com a assimilação dos primeiros filmes,  com tipo sessões bêbadas de VHS do filme em dormitório de faculdade, já processada a aura cultural, a pala já sustentada e coerente, e reproduzida aqui de um jeito não tanto espontâneo e engraçado quanto calculado e frio, e triste. Todo mundo entende, nesse último filme, que o que se passa é ridículo (John Mclane derrubando um caça nas mãos, atirando através de si mesmo para atingir o malvadão, etc), e, perversamente, já se arquiteta o filme com essa retomada, essa segunda qualidade subjacente à qualidade mais imediata. É meio que um motivo já fixo dos tempos: alguma apropriação divertida e razoavelmente genuína de algum item de cultura popular é retomada artificialmente pela própria indústria, com aquele cheirinho de publicitário. Como quando os produtores perceberam a piada que se fazia em torno de Snakes on a Plane e tentaram forçá-la adiante, chamando o Samuel L Jackson (talvez o maior talismã nerd hoje em dia, e embaixador de awesomeness auto-consciente, conseguindo ser ao mesmo tempo um jedi, protagonista do Tarantino, Nick Fury e vilão do Spirit) e ridicularizando o troço. Não funciona. Seria o equivalente a um novo filme do Chuck Norris onde seus recém-adquiridos atributos cabulosos fossem devidamente aplicados, e ele constituísse uma paródia genuína de si mesmo. Os fãs iriam animadões pro cinema e não entenderiam o porquê de tanto desapontamento, da graça se gastando em alguns minutos, a auto-afeção tremenda morrendo ali quando oficial, quando  institucionalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Isso de se apreciar justo o ridículo e o improvável dos filmes simplistas e formulaicos de ação não é uma complicação crítica genuína, é só uma autoconsciência formal. É o que acontece depois de décadas de um gênero tão apressadamente reproduzido e pesadamente consumido, são os consumidores se acostumando quase &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mecanicamente &lt;/span&gt;ao reconhecimento dos tropos, e passando – faltando qualquer outro estímulo significativo - a apreciar justamente essa auto-consciência. Hipertrofia, tipo, uma previsível, triste e recorrente em quase todo canto. Não é como se esse suposto espírito crítico quisesse no lugar um realismo decente, que desse conta de alguma versão coerente da realidade. Apenas se quer que as convenções sejam reformuladas de maneira esperta, que dê conta de uma mais potente capacidade de apreender reversões e sacadas narrativas (por exemplo: Bourne). Mas ainda tudo se passa sempre no mesmo nível.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Daí que a curtição de awesomeness parece se contentar com a afirmação - irônica, né? (eu sei, também tou cansado) – dessas convenções meio ridículas de importância e grandeza épica, parece se contentar com uma confirmação delas, e com um certo carinho que se adquire pela sua artificialidade formal e estilizada, pela satisfação tão pequena e previsível das convenções imbecis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*o 3 não conta muito, porque, que nem que Super Mario 3, é um caso muito evidente de imposição de uma franquia numa estrutura alheia, com uns esforços mínimos pra que a coisa faça algum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5086388480437713905?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5086388480437713905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5086388480437713905' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5086388480437713905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5086388480437713905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/07/notes-on-awesome-um-post-horrivelmente.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1677379900496068180</id><published>2009-06-14T09:36:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T09:54:12.896-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;He is fertile as reality itself in arresting incronguities&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; -&lt;br /&gt;Todo romance do Bellow parece ter a tão bonita tarefa alquimística de tentar salvar a opacidade das rudes aparências, reconhecê-las em alguma forma significativa confusa. E isso sem nenhuma das soluções habituais, nenhuma geringonça formal de redenção e explicação, buracos de encaixe evidente, ironias oniscientes, sem complicações retóricas que toldem as águas, para que pareçam mais profundas do que são. Sempre um narrador de primeira pessoa de quase nenhuma distância do autor, olhando pra gente nos olhos, (quase) todos os níveis diretamente enunciados. Tentando cumprir um ato significativo a partir de uma dolorosamente verossimilhante realidade, que esperneia de impurezas, que não quer significar nada de tão extraordinário assim, não. Coleridge falou que arte devia nos livrar das  ‘&lt;span style="font-style: italic;"&gt;disturbing&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;forces of accident&lt;/span&gt;’. Bellow colocava seus hominhos agitados atentamente recolhendo tudo, tudo, todos os pontiagudos acidentes irredimidos, que eles se intregrassem e se consagrassem pela sua força expressiva até algo além deles mesmos. O que, claro, nunca se operava de verdade. Mas a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tentativa&lt;/span&gt; escancarada deixa seus mundos povoados de uma dificuldade e de uma gratidão. Eu gosto tanto dele.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Música &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veckatimest &lt;/span&gt;muito bacana, como tanta gente irá te dizer. E também, e mais ainda, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bitte Orca&lt;/span&gt;. É engraçado que desde Radiohead nenhuma banda realmente legal faz mais o caminho do mais-acessível pro ruidoso-e-doidinho. Agora é o contrário, você começa fazendo barulho auto-indulgente e arrastado e progride a coisas mais acessíveis e, curiosamente, bem melhores. Música pop tem aptidão presse meio termo, mesmo, parece. Animal Collective, Grizzly Bear, Broken Social Scene, e agora Dirty Projectors. Alguém mais esperto me diga o que isso significa, se alguma coisa.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Design&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Eu não gosto de design.&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1677379900496068180?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1677379900496068180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1677379900496068180' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1677379900496068180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1677379900496068180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/06/he-is-fertile-as-reality-itself-in.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-1487563970893410872</id><published>2009-05-22T15:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T20:22:16.805-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Eu agora estou também &lt;a href="http://andreisp.tumblr.com"&gt;aqui&lt;/a&gt;, todo multimídia e agitadinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-1487563970893410872?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/1487563970893410872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=1487563970893410872' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1487563970893410872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/1487563970893410872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/05/eu-agora-estou-tambem-aqui-todo.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5529967253138801752</id><published>2009-05-15T12:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T13:22:13.798-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CVINCIU%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CVINCIU%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CVINCIU%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt; 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O texto é tido como um clássico jornalístico, um exemplo de como dá de se fazer Arte a partir do jornalismo. Quando eu li, pensei imediatamente em Santiago, ainda mais sabendo a importância que o JMS dá para o jornalismo literário (que ele, burramente, tem como tão importante quanto a ficção, pra segunda metade do século XX, sóseforhein).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santiago também tem um autor que traça equivalências pessoais com o seu objeto documentado, tentando formar (ou encontrar) um discurso em comum, um tema meio pronto ali entre os dois. Mas essa equivalência temática dos dois acaba evidenciando o tanto que o tratamento do JMS é um tanto mais sofisticado do que o do Mitchell, né, o tanto que os pressupostos estéticos atuais resultam numa obra bem completamente diferente. O que não é acidental, e acaba por ser eloqüente sobre um bando de coisa (que tentarei explicar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santiago é todo complicadinho, todo repleto de camadas e temas diretamente enunciados, quase didaticamente dispostos. O que é engraçado, e que torna o filme distinto, pra mim, é que os temas sejam todos literários. Não só tradicionalmente literários, mas que estejam mesmo dispostos de maneira literária (isso não deve ser tão raro quanto me parece, com os Chris Marker aí e tudo, filmes-ensaios, mas pra mim é curioso). São poucos os recursos do filme que dependem exclusivamente de linguagem cinematográfica (o que quer que isso seja).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas seu eu tivesse que escolher um tema central, por mais chatas que sejam essas tentativas, seria a da terrível dificuldade que espreita por trás de qualquer produção de sentido, um certo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;constrangimento final &lt;/span&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tou numa fase de itálicos&lt;/span&gt;). Um constrangimento que compreenderia tudo. De todos os vários tropos e recursos e elementos temáticos da obra, eu reconheço esse fio em comum, esse padrão onde tudo se enreda. Isso está na própria figura (quase trágica) do Santiago, ao tentar se colocar como o personagem do documentário que o JMS-de-93 quer fazer, isso está na sua gigantesca e caseira e inútil empreitada de se capturar e listar a nobreza mundial*(que se equivale maisoumenos ao espírito falho e bonito da empreitada também canhestra e excêntrica do Joe Gould), isso está no lirismo-de-memória do filme**, enviesado e típico, de desconfiança amarga-e-doce dos nossas tão-suspeitas faculdades de produção de sentido , etc. Tá em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a principal maneira desse fio em comum se manifestar no filme esteja na sua recursividade metaficcional, que é o seu recurso mais imediatamente notável (e mais imediatamente notado, em resenhas e tal). O filme, principalmente ao tratar direto do primeiro corte do documentário, de 93, fala toda hora dos seus movimentos formais, das premissas retóricas de algumas das convenções que ele abandona, além de um certo constrangimento estético e retórico (e finalmente moral) que existe nas tentativas óbvias e ingênuas do primeiro corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De se tentar firmar o Santiago como um personagem numa narrativa prontinha e artificiosa, superficial***. O que está em ação aqui, é bom notar, é um tropo já assente, já familiar, do artista candidamente desvelando-se em honestidades, descascando as premissas formais da sua arte para atingir uma suposta autenticidade final, um apuramento infinitamente confiável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é tão rotineiro que até publicidade (que é como um deserto pra onde recursos e imagens artísticas vão quando morrem) faz. Po-mos americanos já tentaram fazer o que seria o passo lógico seguinte, submetendo a própria prática metafficonal à mesma tentativa de desvelar seus mecanismos e tentar atingir uma autenticidade retórica final. É evidente que o negócio espirala involutamente num progresso engastado, sem nenhum fim previsível. Há sempre um mecanismo retórico a ser revelado e exposto em honestidade (‘eu estou te falando dos mecanismos da ficção pra você confiar em mim, e admitindo isso para que confie mais ainda, etc’). Barthelme tá cheio disso, mas a tentativa mais exagerada que eu conheço nesse sentido é Octet, do DFW (cujo sucesso é bem discutível). É difícil imaginar uma tentativa séria ainda mais extremada do que aquela, acaba funcionando meio como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ok, já deu, bora desligar a luzinha dos nosso chapéu de minerador e voltar pra superfície.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no entanto o negócio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;funciona &lt;/span&gt;em Santiago, eu digo. O filme realmente consegue usar de todas essas ferramentas literárias, já meio cansadas, para trazer uma autenticidade pro seu discurso, para se tingir de uma autoridade retórica que não se costuma conferir a muita coisa hoje em dia (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;além do Obama, a-yo!&lt;/span&gt;). E é curioso que funcione, com o filme se apresentando tão imediato de temas relevantes, de recursos familiares, de um clima &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senta-que-lá-vem-uma-arte&lt;/span&gt;, piano-feeling, p&amp;amp;b. Eu confesso que a minha reação inicial, meio martelinho-no-joelho, foi de desconfiar, de achar tudo muito encaixadinho, como um pássaro mecânico que tenta demais, ou uma cebola de infinitas camadas descascáveis****. Mas o filme me ganhou, de verdade, de com força, talvez principalmente pelo carisma do Santiago, que é um grande dum bróder, e que parece pronto a sair significando adiante em qualquer romance do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez esses engenhos literários meio artificiosos todos ganhem legitimidade no filme justamente por ser um documentário, e não um trabalho de ficção. Ficção que se meta a recursos formais ou temáticos muito vistosos e evidentes corre sempre o risco de perder parte de sua força, de nos deixar suspeitos quanto a importância ficcional da realidade que se mostra e se constrói, derrubando a suspensão de descrença à procura das intenções por trás das cortinas. A realidade dos eventos de Santiago não deixam que isso jamais aconteça. Apesar do rastro tão pesado dos recursos e temas, nada jamais se diminui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Também esse parece, curiosamente, um elemento literário, embora seja, é claro , algo real. e não trazido pelo JMS. Há muito tempo que se considera especificamente o constrangimento da lista enquanto produtora de sentido. Há o exemplo divertidão de Borges, da enciclopédia chinesa, que Foucault cita e que é, por sua vez, citado pelo Gass (risos). Mas o filme foi bem esperto em se centrar naquilo que só um filme poderia trazer, trazendo o constrangimento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;material &lt;/span&gt;da lista, sua tipografia tosca, suas fitinhas fiapadas. É lindão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Que seria, segundo não-lembro-quem-mas-juro-que-existe, o principal tema da literatura no século passado. Eu pessoalmente sou meio engastado com ele, com Sebald e parte da galera, leio sempre com reticências automáticas (“Minha memória me trai” -&gt; “Minha memória me trai...”), mas isso é provavelmente bobajada de quem não leu Proust direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***Pode-se dizer que o filme faça a mesma coisa no corte atual, só que de uma maneira mais sofisticada. É estranho que o JMS não pareça admitir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***mal aew.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5529967253138801752?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5529967253138801752/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5529967253138801752' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5529967253138801752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5529967253138801752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/05/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8364051590302328543</id><published>2009-05-02T12:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T12:23:01.028-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>////////&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SfydQSWt9BI/AAAAAAAAACY/UupPB8EJvTA/s1600-h/X6sh6C0oTmif9e8fpP4WqvBVo1_500.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 224px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SfydQSWt9BI/AAAAAAAAACY/UupPB8EJvTA/s320/X6sh6C0oTmif9e8fpP4WqvBVo1_500.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331308962030416914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;UM POST ATUAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;////&lt;br /&gt;Gente olha que coisa. O que se traz com a irrupção cabulosa de blogs, de perfil-do-orkut e, agora, do twitter, é a consolidação de toda uma multidão de pessoas cujo, *ahem*, self-fashioning está estritamente conectado com um hábito lingüístico. Acho que ninguém esperava por isso, quinze anos atrás. Já houve tempo onde empreitar uma formação-do-eu a partir da escritura de um texto era vanguarda, era revolução, era coisa&lt;span style="font-style: italic;"&gt; tremendamente sofisticada&lt;/span&gt;. Montaigne ensaiando a si mesmo, Santo Agostinho se confessando, Rousseau brincando (sei lá como, nunca li) d’o homem moderno. Hypomnemata laboriosa e séria (mesmo no caso tão esguio do Montaigne). As versões atuais são vulgares e pequenas, e principalmente superficiais, mas não se distanciam completamente de uma idéia parecida de uma construção pessoal.&lt;br /&gt;Quem é mais esperto consegue, suponho, se adaptar com mais sofisticação à realidade expressiva do negócio, e presumivelmente deve se criar toda uma cultura agradável e engraçadinha, uma forma de se enxergar as coisas e de se reproduzirem graças e níveis suplentes. Mas os usuários mais clueless (que são, como sempre, quase todos) devem logo deixar essa pequena técnica informar terrivelmente a vida deles. O que é engraçado de qualquer mídia nova e brilhante e pervasiva como essa é que não deve influenciar apenas a capacidade expressiva das pessoas, circunscrevendo a imaginação delas a esse impedimento de 140 caracteres, a um caráter tão específico de publicação, mas - e isso é mais importante - imagino que eventualmente essa forma deve também influenciar o modo de neguinho viver as coisas, tornando a vida delas uma sucessão de oportunidades twittáveis, o mundo averbado em pseudo-eventos reduzíveis a 140 caracteres. *põe dedos nas têmporas* &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oooh Shiiit.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;///////&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo se reduz a uma antologia ou repertório de pequeníssimas, minúsculas articulações estéticas. Civilizações existiram para completar Age of Empires, Buda existiu pra dar em estatuazinhas gorduchas que nos preenchem de boadisposição genérica e multiculturalismo, vidas ilustres existem para acabar em cinebiografias com estrelas de Hollywood, os anos 50 existiram para que Mad Men, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\\\\\\\\&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sobrevida laggada de um perfil desativado do Orkut causa um efeito engraçado, com aquele lirismo já empacotado de luz-de-estrelas-mortas. Porque estamos acostumados a enfrentar perfis como extensões da pessoa, uma impressão que se valida não só pelo alto grau de personalização que ocorre em cada elemento do perfil, quanto pelo fato dele poder ser atualizado e modificado a qualquer momento (o que traz um efeito de atualidade, a  impressão de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;presença &lt;/span&gt;esquisita pairando sobre aquilo). Quando se perde o controle de edição sobre um perfil desativado, ele fica verdadeiramente fora do alcance da pessoa, torna-se uma extensão morta, mas que ainda estamos acostumados a julgar de acordo com os critérios antigos (já bem falsos e confusos). É uma coisa que existe&lt;span style="font-style: italic;"&gt; tão pouquinho.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8364051590302328543?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8364051590302328543/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8364051590302328543' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8364051590302328543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8364051590302328543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/05/um-post-atual-gente-olha-que-coisa.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SfydQSWt9BI/AAAAAAAAACY/UupPB8EJvTA/s72-c/X6sh6C0oTmif9e8fpP4WqvBVo1_500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2496433277612566238</id><published>2009-04-16T12:23:00.000-07:00</published><updated>2009-04-16T12:29:37.809-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;UM EITO DE CITAÇÕES &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;4 U&lt;/span&gt; /                                                                                                que andei acumulando nos últimos, sei lá dois meses. pedaços curtos cuja graça não depende (pra mim) de contexto, funcionam (pra mim) como pecinhas soltas imediatas de graça. Eu poderia ter um tumblr só dessas coisas, ou um twitter, um equivalente escrito de um &lt;a href="http://wordofcommand.tumblr.com/"&gt;bom &lt;/a&gt;indexador de imagens. mas não, vou colocar todas aqui misturadas assim mesmo. Mesmo quando sou moderninho, eu sou antiquado, tá vendo que coisa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Todas as coisas estavam juntas&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;The process of the breaking day was unknown to them. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;(such a world of total metaphor is the formal cause of poetry)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Há um pastar meu e de ovelhas, &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;so all things hobble together for the only possible.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Todos os abutres são fêmeas, fecundados pelo vento. Não resta qualquer dúvida a respeito.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;It is a curious tendency in human nature to believe in disillusionment: that is, to think we are nearest the truth when we have established as much falsehood as possible. &lt;/span&gt;Sendo considerado um pleonasmo falar em 'liana lenhosa'&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;The sky takes on content, feeling, an exalted narrative life. Remembering disasters.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; This dark alterity, simia dei. Yet this absence of imagination had itself to be imagined (see also pantheistic solipsism).&lt;br /&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;E há de parir um sapo / metido num guardanapo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;TIGER ROBOCOP NELES, ARQUITETOS DA INFORMAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2496433277612566238?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2496433277612566238/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2496433277612566238' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2496433277612566238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2496433277612566238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/04/um-eito-de-citacoes-4-u-que-andei.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3151763029860934287</id><published>2009-03-31T11:45:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T11:48:44.307-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;-Mas daonde é que vem tanta água?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A árvore era grande e desorganizada, ela se abria indecentemente em galhos grandalhões que terminavam em folhas pequenininhas poucas, desapontantes, como se desfalecesse.  Seria feia, se árvores conseguissem ser feias. O raio da sua copa era delimitado no chão por bolinhas pequenas que haviam todas caído recentemente.&lt;br /&gt;    Verde, cinzas e verde-cinzas, e que ainda caíam, de minuto em minuto. Como se a árvore tentasse com esforço manter um ritmo impossível com aquilo, percutindo no chão de pedra.&lt;br /&gt;    -É que eu queria ir pra Austrália.&lt;br /&gt;    Eu olho pra baixo pra cara dele e ele continua olhando pro céu. Mesmo sabendo, mesmo tendo já uma casca meio dura, eu quase sempre tenho um meio segundo de tentar entender o sentido e o possível contexto do que ele quer dizer. É ainda sempre mais fácil do que acreditar que não há mesmo contexto, que são sinapses qualqueres que decidiram dar a mão e fazer bagunça. Porque sim.&lt;br /&gt;    Eu passo a mão no cabelo dele, devagarinho, concordo.&lt;br /&gt;    Minhas mãos são pequenas, pequenas o bastante pra eu não me acostumar com a pequenez delas. Pra toda vez eu olhar e pensar Caramba, como minhas mãos são pequenas. Parecem as mãos de uma outra coisa, de uma boneca. Eu ponho a mão no queixo dele, envolvendo a cara pequena e frágil, sentindo o osso debaixo da pele. Ele não se mexe.&lt;br /&gt;O chão é de alguma pedra que eu não sei o nome, uma pedra áspera e pontiaguda, rachada pelas raízes da árvore, que se pegam à terra num esforço tão bonito. A pedra do chão é também a pedra do banco onde eu estou sentada e ele está deitado. A pontiagudeza quase faz com que o banco descumpra seu propósito de coisa sentável. Ele tem que estar desconfortável, mas eu não sou a mãe dele, né. A pedra está meio fria, mas ainda guarda um calor antigo, que nem o meu corpo, ainda meio acalorado nuns fiozinhos irritantes de suor. Cai outra fruta-bolinha. Eu fico atenta achando que ele vai querer comer uma delas, pronta pra tirá-la da mão dele.&lt;br /&gt;     Mas se ele nem come frutas comestíveis, cortadas e dispostas pra ele em cima de um prato.&lt;br /&gt;    A maior dificuldade de acreditar que as frases não querem dizer nada é que elas não são realmente aleatórias. Não são. Eu faço frases aleatórias na minha cabeça pra testar, e elas costumam soar tipo: Mas o calor não se faz com tijolos, e De tarde o azul tira as botas. Comida boa é comida morta. Elas são só bestas, às vezes engraçadinhas, no máximo. As dele geralmente parecem tentar querer dizer alguma coisa, parecem ao menos fazer referência a alguma expressividade comum, coisas que ele já deve ter ouvido em algum lugar. Ele é quase um artista dentro da doidice dele. É assim que crescem e se multiplicam as produções das águas, eu penso.&lt;br /&gt;    Mas nem tem nada a ver.&lt;br /&gt;    Ele tá deitado no meu colo, com a camisa meio feia que ganhou de presente (da silhueta um surfista, e escrito SURF IS MY FREEDOM) e o short preto habitual e tênis de futsal, que ele nem joga. A orelha dele pequena e tão perfeitinha, que eu admiro como se só ele fosse capaz de produzir cartilagem no mundo, e como se isso fosse, de alguma forma, algum mérito dele. O cabelo recatado e curtinho dum corte recente e trabalhoso (ele não aceita as mãos do cabeleireiro, tem horas que eu que tenho que segurar a cabeça dele).  Eu olho pro cabelo bonito dele na testa, tão melhor que o meu, o que é injusto de umas três maneiras diferentes. A orelha sujinha e os ombros de garoto, ossudos daquele jeito limpo e infantil, fresco. Seu joelho tá machucado de uma queda qualquer inconseqüente, ralado numa casquinha já desaparecendo. Eu não consigo me lembrar da última vez que tive casquinha, é quase como se seu corpo parasse de produzir, parasse de se importar tanto com algo já tão estragado. Cai outra frutinha, perto dele. Ele treme um tremelique desconcentrado através do corpo todo, quase abstrato. Elas caem rapidamente e estacam no chão com um baque surdo baixinho, quase imperceptível, tão rápido, parece que puxadas.&lt;br /&gt;    Isso é porque elas são puxadas, né, imbecil.&lt;br /&gt;     Ele geralmente come as casquinhas assim que aparecem, o fato dessa ter ficado tempo o bastante até sumir me lembra da última vez que eu o vi comendo e briguei com ele. Eu penso em sair dali por causa das frutinhas, mas só eu tou dentro do raio da árvore, ele tá fora. Parece covarde sair dali só por causa de uma frutinha, com ele tão confortável e sossegando o meu colo.&lt;br /&gt;    Mas os olhos dele não estão quietos, nunca estão. Parecem sempre no meio de alguma coisa.&lt;br /&gt;    Embora provavelmente não estejam.&lt;br /&gt;    Ele põe o dedo no nariz e eu tiro, gentilmente. Ele sabe que não pode, e não resiste. Cai outra fruta, mais perto de mim. Tem um pássaro bonitinho todo igualmente marrom que fica virando de um lado pro outro toda vez que cai uma frutinha, tentando entender o que se passou. A pose dele é marcadamente inquisitiva, o que é muito massa e nem faz sentido. Eu quero tirar foto dele, mas minha câmera tá dentro da mochila e até eu tirar ele não vai mais estar super legal e inquisitivo, eu sei. Eu sei porque o mundo é sempre assim, sempre te mostrando pássaros legais e te negando fotos deles.&lt;br /&gt;    E ainda tem que eu tiro foto mal pra caralho.&lt;br /&gt;    Ele faz um barulhinho de quem se espreguiça, sem se espreguiçar de verdade. Às vezes ele faz essas coisas, uns elementos normais soltos e descontextualizados. Eu tenho vinte e dois anos e a única pessoa que não me deixa pesadamente solitária e paralisada de auto-consciência é o meu irmão doidinho. Cai outra frutinha, ou bolinha, ou fruta-bolinha, não consigo me decidir. Eu levanto minha cara pra ver onde está a que caiu e todas estão imóveis, como que assustadas. O raio de bolinhas ainda está determinado meio certinho, quase um círculo, o alcance da oferta daquela árvore, a oferta inútil sobre aquele círculo de pedra.&lt;br /&gt;    Eu percebo pela décima vez naquela semana, segunda vez naquele dia, que a minha mania de narrar o que acontece toda hora desse jeito deve ser uma maneira meio desesperada de impor forma e sentido nas coisas. E uma meio infantil.&lt;br /&gt;    Ele levanta o torso e o gira em minha direção, meio desajeitado, apressado e com uma expressão inquisitiva bem exagerada, como se eu tivesse acabado de fazer algo ultrajante com ele.&lt;br /&gt;    -Daqui a pouco a gente vai, daqui a uns cinco minutos.&lt;br /&gt;    Ele parece entender, e faz algo com o queixo que pode perfeitamente ser um gesto de concorde. Gesto de concorde, olhem só para mim, presidente da Academia Brasileira de Letras. Não, obrigado, srta. Fagundes Telles, já comi biscoitos demais.&lt;br /&gt;    E ainda por cima meus braços são mais peludos do que o dele. Por altos ângulos eu imagino que meu corpo nem pareça nada com o de uma menina, e as roupas nem ajudam. Nem tampouco me escapa que o meu reconhecimento de que eu tou narrando tudo de uma maneira infantil seja também uma forma  enviesada de legitimar o que eu estou fazendo, uma também infantil. Para que daí eu possa continuar sem problemas.&lt;br /&gt;    Meio isolado, em volta dessa árvore grandalhona e desajeitada, desfalecente,  dois bancos que se encaram e um chão redondo que não serve pra nada. Não dá pra entender tão bem o que era pra ser isso. Os dois prédios visíveis daqui tem a mesma altura e a mesma traseira perfeita inteira de pequenos cobogós vazando luz pra dentro de suas cozinhas. Os dois são paralelos e partilham uma pequena rua curvada bonitinha e retocada de uma calçada nova. Meu irmão olha pra tudo isso e parece tranquilo, parece assentir de alguma forma pequena. Parece,embora dificilmente esteja, concordar com aquilo, aquela arrumação, concordar com a cidade transida de ordem (não, Sr. Sarney, ainda não tive chance de ler o novo livro; é romance?).&lt;br /&gt;    Uma das vantagens é que ele não se envergonha, e daí que eu possa me reclinar sobre ele e beijá-lo na testa por tanto tempo.&lt;br /&gt;    O céu é gigantesco e auto-importante, cheio de nuvens tremendas e formidáveis, tufos acarneirados e bonitinhos, maduros de chuva.  Ele parece ocupar quase todo o meu campo de visão, deixando só uma coisinha de nada pros prédios baixos e as árvores modestas. Cai ainda outra bolinha. Mesmo agnóstica, a única palavra que soa apropriada ao falar do seu irmão era milagre, o que ela nunca havia feito em voz alta. E nem sabe tão bem o que quer dizer com isso, se é que alguma coisa. O que não a impede de usar a palavra mentalmente, e com frequência, assim como não se impede de se sentir principalmente grata, grata a ninguém em particular. A parelha estável de duas das maiores nuvens se move integralmente, com uma rapidez deselegante. Isso de não ter a quem se sentir grata era meio chato, tipo quando o vento derrubava uma manga madurinha bem na sua frente e ela pensava ‘Pô, valeu’.  Na verdade, ela se via sem querer tomando parte em todo tipo de breguice ao pensar no irmão, todo tipo de coisa que antes não significava nada. Que a maneira dele de entender o mundo só acontecia lá dentro, e em nenhum outro lugar, que era único. Esse tipo de coisa. Dentro dessa caixinha, desse limite que ela determinava agora com as mãos, na dureza das têmporas. Uma palavra pronunciada uma única vez, hapax alguma coisa, hapax legonãoseioquê. Meu irmão continua levantado ao invés de se deitar de novo, um gesto tradicionalmente visto como um gesto de impaciência. Ele olha pras unhas, suspeito (mas ele dificilmente tinha jamais tido algo parecido com uma inocência, pra agora estar suspeito). Passam um esmalte nele que deixa as unhas amargas, pra ele não roer, e eu nunca entendi exatamente quê que tem roer as unhas, qual o problema. Deixa ele roer, ué. Por cima dele as nuvens rodando, apressadas. As produções das águas. Ele guarda o que ouve e vê e imita, e isso é normal, apenas não é normal que ele o faça tão bem, com uma aparente seleção, hierarquia. Ninguém concorda comigo sobre isso. Ele volteia algo que vai dizer, faz que vai desistir e depois que não. Ele parece tentar reaver algo do fundo da cabeça, na ponta da língua. Quando ele finalmente fala ele tá olhando diretamente pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nem revisei de verdade, postar rapidamente aqui antes que passe o RAPTO de FALTA DE VERGONHA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3151763029860934287?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3151763029860934287/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3151763029860934287' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3151763029860934287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3151763029860934287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/03/mas-daonde-e-que-vem-tanta-agua-arvore.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-3963866919727788512</id><published>2009-03-07T16:03:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T16:16:20.515-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SbMOCWusVnI/AAAAAAAAACQ/w_Bcuy3fG1M/s1600-h/VF5WQdmu0iyf9amcltCzj205o1_400.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SbMOCWusVnI/AAAAAAAAACQ/w_Bcuy3fG1M/s320/VF5WQdmu0iyf9amcltCzj205o1_400.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310603819223897714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o universo, hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TIPO CULTURA, ASSIM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Vendo &lt;a href="http://imomus.livejournal.com/435556.html"&gt;COISAS &lt;/a&gt;desse tipo, parte de mim se assusta genuinamente com o tipo de sofisticação que se desenvolve tão descaradamente em volta de termos tão tímidos, tão finalmente desimportantes. A coisa já se apresenta com toda a complexidade circunstancial de uma Tradição maiúscula, um cânone, com refrações e ecos de segunda e terceira ordem, etc. Como se apenas o fato de nós termos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;necessariamente&lt;/span&gt;, esse ponto de contato cultural popular tão avassalador, esse cobertor que-tudo-comprende e que nós remete a algum conforto meio quentinho (atualmente: os anos 80, mas vareia, já quase vira os 90) indicasse para muita gente que a recursão e a utilização devidamente esperta dessas referências e subníveis bestas deveriam configurar uma espécie de ato significativo, a articulação de alguma verdade estética, de alguma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;totalidade, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;até&lt;/span&gt;. É certo que todo o - err - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lixo cultura&lt;/span&gt;l é nosso, e deve ser tratado como nosso, compreendido como nosso vocabulário e paisagem, mas a interação simples desses elementos, re-arranjar de cartas, não tem como dar em nada que seja mais do que engraçado ou curioso. Parece que as pessoas se sentem nas bordas de algo, ao lidar com isso tudo, mas deve ser só uma hipertrofia esquisita, mesmo. É ainda mais deprimente que esse garimpo e revitalização e ressureição de itens e elementos de vinte anos atrás se dê com uma suposta carga negativa e assim-dita irônica. É como se estivéssemos tão profundamente soterrados nos termos desse tipo de cultura que a única sofisticação possível fosse a afirmação negativa de tudo que conseguimos reconhecer como banal e ineficiente, como brega. Todos os acenos de cabeça incessantes. Aquilo que já se considerou tão seriamente O MAL, NA ARTE, agora é a maior área em comum, o ponto de contato imediato, a referência em comum de toda uma geração. Isso tem que ser assustador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-3963866919727788512?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/3963866919727788512/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=3963866919727788512' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3963866919727788512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/3963866919727788512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/03/o-universo-hoje-tipo-cultura-assim.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SbMOCWusVnI/AAAAAAAAACQ/w_Bcuy3fG1M/s72-c/VF5WQdmu0iyf9amcltCzj205o1_400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-6741334338131454842</id><published>2009-03-01T19:13:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T19:32:12.808-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;And the dead kelp like the hair of the drowned&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Parece que romance não-terminado do DFW vai ser editado nalgum ponto. Much rejoicing, tal, mas leiam o troço da New Yorker sobre (bem longo, tem que ter saco) e vejam se não aparece uma porra duma torranja trevosa travando sua garganta. Mesmo se o livro não for metade do sucesso que IJ é (e IJ já tem sua boa dose de falhas e concessões aqui nossas), vai ser uma das pourras mais dolorosas que eu vou ler na vida, eu já sei. E um tema que me parece apropriado, aliás, assim PRO MUNDO. Tédio. Os buracos pra retórica dele fraquejar estão lá, mas isso talvez seja uma coisa boa, quem sabe. Tentar imaginar a dificuldade dele em escrever aquilo&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;a seriedade dolorosa e incompreensível, o inferno que deve ter sido&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, &lt;/span&gt;as pequenas felicidades em torno dos pontos mais bem-sucedidos, a cabecinha explodedoura dele tentando se agarrar em volta daquelas pessoinhas que ele suou, em volta das realidades tão dolorosamente trazidas. E tentar, ao longo da coisa, toda, ser um leitor merecedor disso tudo, de todo esse esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(esse post não tem links, pois tenho preguiça. quem se importar googla)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-6741334338131454842?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/6741334338131454842/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=6741334338131454842' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6741334338131454842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/6741334338131454842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/03/and-dead-kelp-like-hair-of-drowned.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-612266005673972962</id><published>2009-02-01T19:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T19:55:46.365-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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De como estátuas gregas semi destruídas e de contexto incompreensível nos são expressivas e naturais, e como estranhezas várias em algum texto podem ser tão-facilmente tomadas por empreitadas à frente do seu tempo. É o que torna mais difícil determinar criticamente a fase tardia do Henry James, além das várias dificuldades que o filho da mãe já sempre ofereceu. Não se concorda sobre muita coisa dela, ele se entrevê numa pureza bem esquisita, untouched by ideas, resoluto a tratar de ficção em termos próprios e bem largamente tirados da própria bunda. O que é evidente é que a vagueza e a entrega tortuosamente indireta são intencionais, são parte inteiramente deliberada da construção dos livros, mas não dá pra se determinar com muita facilidade o que é que ele tava tentando, na maior parte do tempo. Ok, atingir a realização de coisas bem esguias, é certo, esticando metáforas e tornando o ar cruelmente rarefeito, mas ainda assim, ainda assim. Partes do Golden Bowl são mais estranhas, pra mim, do que os Three Poems do John Ashberry, que é tipo um totem pomo desses dos mais óbvios. Estranhas num sentido WTF, mesmo. É sempre bem possível que ele tenha ficado meio doido*. Você pode ser um fã de olhos aquosos e piscantes e conceder tudo, imaginar que ele saiu escrevendo livros indiretos que parecem falar de si mesmos toda hora, da impressão da impressão da impressão, e que isso fazia parte de uma dificuldade séria e deliberada de realização que ele sempre teve, e que se sofisticou tanto no final de carreira que acabou por antecipar – com uma sutileza filhadamãe que não se deixa apanhar facilmente – boa parte das empreitadas do Alto Modernismo que se seguiria. Eu gosto de fazer isso às vezes, e é super divertido**, mas as evidências nem sempre apontam nessa direção.&lt;br /&gt;Você pode ser o Gass e fingir que a arquitetura das frases basta, o dedo apontando pra si mesmo e toldando as águas da visão moral***. Mas isso não passa tanto de viadagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O Leavis acha isso, e cita pra reforçar uma anedota bem engraçada do HJ com a Edith Wharton tentando pedir direções na rua, sem conseguir formular uma frase direta e simples que o bróder da rua entendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**ter fronteiras tão porosas na sua cabeça têm suas vantagens, sabe. Outro dia tava lendo Golden Bowl e folheando Golden Bough, mais ou menos ao mesmo tempo, e eu tava com um baita sono, acabava que se entreviam altas parecenças difusas entre os dois livros, irmandades de algum tipo. Coisas paralelas encontrando nos longes do &lt;a href="http://coolest-homemade-costumes.shippony.com/images/characters/buzz-lightyear/buzz-lightyear-costume-01.jpg"&gt;infin&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=17545748"&gt;Blogger: altamente derivativo - Criar postagem&lt;/a&gt;&lt;a href="http://coolest-homemade-costumes.shippony.com/images/characters/buzz-lightyear/buzz-lightyear-costume-01.jpg"&gt;ito&lt;/a&gt;. No dia seguinte fui pensar e elas nem existem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***hahaha, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;as águas da visão moral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\\\\\\\\\\  (agora eu uso barrinhas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha que isso &lt;a href="http://www.newsarama.com/comics/010928-Grant-Final-Crisis.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;é legal, em várias direções. Dá pra olhar pela janela e pensar nos nossos tempos, e tudo. Mas também qualquer coisa dá. Exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SYZswqkG_4I/AAAAAAAAAB0/9k6IcEW8vZs/s1600-h/020e6L3q7in7ss6usr1JhKaio1_500.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SYZswqkG_4I/AAAAAAAAAB0/9k6IcEW8vZs/s320/020e6L3q7in7ss6usr1JhKaio1_500.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298041594963230594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                    &lt;span style="font-style: italic;"&gt; essa imagem e a suas várias reações diante dela certamente são assim desesperadamente eloquentes sobre zeitgeists assim altos. escreva redação de 400 caracteres e mande para andreisp2000@bol.com.br.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-612266005673972962?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/612266005673972962/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=612266005673972962' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/612266005673972962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/612266005673972962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/02/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SYZswqkG_4I/AAAAAAAAAB0/9k6IcEW8vZs/s72-c/020e6L3q7in7ss6usr1JhKaio1_500.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-2699687811269689839</id><published>2009-01-20T07:31:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T09:31:59.744-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Pra quem é relativamente tranks na maior parte dos frontes, tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;metafisicamente &lt;/span&gt;tranks, como eu sou, ver &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Persona &lt;/span&gt;é legal não só como filme, como obra de arte, como EXPRESSIVIDADE HUMANA, mas pra efetivamente se sentir como gente complicada sente. Funciona mesmo, quase como algum tipo de droga, amortece partes da sua cabeça e massageia outras e te deixa num estado alterado por um tempo indeterminado. Ainda mais se você assistir sozinho, de madrugada, com os trabalhos todos facilitados. Tudo fica bem sério, repassado de gravidade. Você vai lavar a mão, lá, de boa, e de reptente sua mão é A MÃO DA FALSIDADE E DO DESESPERO. Você vai jogar Mario e ele é tipo O MARIO DA FALSIDADE E DO DESESPERO. Você espirra e é O ESPIRRO DA DESESPERANÇA. E etc e etc.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;É interessante que boa parte da nossa linguagem assim mais sujinha seja tão antiga, não é? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mijar, cagar, caralho&lt;/span&gt;, tudo já tá lá no Gil Vicente. É justamente onde se imaginaria que as expressões deviam se variar mais, tipo de década pra década. Deve ter um motivo legal que eu não consigo imaginar.&lt;br /&gt;(e, aliás, se eu trabalhasse nos meios aí de massa, faria semi esforcinho pra difundir xingamentos do Gil Vicente na linguagem corrente.  Corinthianos na rua se xingando de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Furta-Cebolas&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-2699687811269689839?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/2699687811269689839/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=2699687811269689839' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2699687811269689839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/2699687811269689839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/01/pra-quem-relativamente-tranks-na-maior.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-7836867945936736937</id><published>2009-01-13T03:47:00.001-08:00</published><updated>2009-01-13T05:22:01.058-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Oi bom dia.&lt;br /&gt;Fico triste de não postar nada, uma url me traz sentimento de responsabilidade, não consigo evitar compreender isso aqui como um lugar que se fica fisicamente abandonado, com poeiras e teias de aranha, coisas se gastando. Há uma equivalência engraçada que a nossa imaginação tenta forçar, ao entrar pela décima vez e ver o último post irritante lá ainda. Falta-nos todo um vocabulário para falar das internets, né? Um vocabulário assim no sentido mais largo possível. Deviam botar gente a postos para criar um, de preferência portugueses. Do jeito que tá, as coisas vão se definindo por multidões de fórum e crianças de quatorze anos. O que pode ter o seu charme, né. Toda essa atualidade na qual a gente não consegue se movimentar direito, ainda incompreende e fica confuso, com tipo porções do cébro se chocando. O que, nos meus olhos, é bom.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Age of Empires 2 é tão bonito, é tão correto. Eles achavam que tavam fazendo um joguinho, mas estavam na verdade realizando um ideal necessário e prefigurado, que agora não envelhece e não se compreende, não se consegue compreender, como contigencial e humano. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acheiropoeita&lt;/span&gt;, tal.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Também muito bonito é aquele livro Gilead, que eu só fui descobrir agora que existe. No brasil não se dá bola praquela moça, mas se deveria. Recomendo pra toda família.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-7836867945936736937?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/7836867945936736937/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=7836867945936736937' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7836867945936736937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/7836867945936736937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2009/01/oi-bom-dia.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5462665833975055841</id><published>2008-12-17T11:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T11:51:48.291-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não me parece aceitável que macacos morram todos os dias, e de maneiras evitáveis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Entre um pastelzinho de Trás-do-Monte e um último gole no café frio que não se deixaria desperdiçar, ele decidiu pelo primeiro, e o engoliu todo de uma vez deixando apenas uma das três pontinhas se pronunciando pra fora do buraco feito redondo da sua boca, e continuou a ler LA PARTICIPACION EM ST THOMAS DE AQUINAS, de um autor cujo nome ele nem lembrava tão bem, e a considerar seriamente cada frase com mãos pensas que se abraçavam e formavam um arco que encimava seu nariz e o fornecia algo parecido com uma moldura incompleta. Do seu lado também estavam os poemas de Robert Browning e os discursos de Rui Barbosa e uma versão fac-símile em catalão de Tirant Lo Blanc (emprestada) e contos chineses coletados em uma versão reconhecidamente antiquada e preconceituosa (que portanto deveria ser lida “com uma pitada de sal”, segundo a orelha) e a correspondência íntima de Chekov e a contracapa de uma nova tradução Da Divina Comédia da qual só se encontrava para vender, por hora, a contracapa, que oferecia um holograma de Dante sendo alternadamente acompanhado à direita por Virgílio e à esquerda por Beatriz, o que nem lhe parecia tão adequado mas que, tendo à mão apenas a contracapa e sua cultura insuficiente, ele nem poderia verificar.&lt;br /&gt;Ele era um pai, um marido, um filho (duplamente, embora um dos vértices esteja hoje falecido), um engenheiro, um eleitor, um amante, um comprador da banca de revistas de sua quadra, um cristão assim meio mais ou menos, um brasileiro, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cidadão &lt;/span&gt;brasileiro (olha só), um palmeirense, um heterossexual, etc. Nenhuma dessas coisas era assim evidente no momento, embora ele tentasse assumi-las agora, como sempre, inteiramente nos braços e nos dedinhos, se possível nos cabelos e nas unhas. Ele lembrou-se da morte de Ayrton Senna e chorou copiosamente por quinze segundos, parando apenas para pensar na crise financeira e em suas possíveis conseqüências, nos números da bolsa, concluiu que o negócio era muito sério e muito grave, e em seguida que todas as coisas eram muito sérias e muito graves, toda elas, inclusive o final daquele filme onde a Susan Sarandon morre de câncer. Lembrou de um grupo de crianças de dez anos de idade que estava construindo uma escola ecologicamente sustentável. Sem ajuda do governo ou da sociedade, de fato até sendo atrapalhada por alguns membros, com gente xingando e tentando derrubar as escadas enquanto eles tentavam aplicar as placas de absorção de energia solar no teto que eles fizeram principalmente de papel-machê e cuspe. Eles eram para ele um motivo constante de inspiração, crianças multiétnicas e multiculturais, na verdade possivelmente transétnicas e transculturais, e de estágios avançados e incompreensíveis, potencialmente impossíveis, de complexidade de gênero e afetividade sexual, vendendo biscoitos para arranjar fundos, trabalhando dia e noite, algumas delas vencendo também cânceres de vários tipos e estágios de avanço, e também pais alcoólatras e expectativas heteronormativas - às vezes todos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Ele pensava nas crianças e se sentia inspirado, mas nada em volta ajudava, nada em volta lhe parecia imediatamente solucionável com seu ânimo. E ele ainda havia abandonado a leitura de LA PARTICIPATION EM ST THOMAS DE AQUINAS há alguns minutos, que era escrito em uma língua ainda (página 47) indeterminável, no meio de um parágrafo interessantíssimo, realmente formidável, claro e provocante, adverbiado corretamente, com subordinações essenciais e fluidas que te carregavam adiante de forma macia e íntima, como os braços meio gordinhos – moderadamente gordinhos e até meio geladinhos - de uma namorada. E ele havia abandonado aquele parágrafo tão bonito, tão esforçado, e agora chorava também por isso, e queria de alguma forma se encontrar com aquele parágrafo e pedir desculpas em forma de um presente pequeno e significativo, um chaveiro do seu time, um livro de máximas chinesas adequadas ao mundo business. Mas nada disso o ajudava de maneira alguma a continuar a leitura, e no entanto tudo continuava a parecer essencial e da maior importância, tudo igualmente chorável por horas longas e dificultosas.&lt;br /&gt;E tampouco haveria alguma maneira clara de provar a existência das crianças, ele percebeu, terminando de engolir o pastelzinho, cujo gosto ele havia finalmente se esquecido de determinar com qualquer precisão apreciável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5462665833975055841?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5462665833975055841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5462665833975055841' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5462665833975055841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5462665833975055841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/12/no-me-parece-aceitvel-que-macacos.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8893204406410101765</id><published>2008-12-11T09:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-11T09:18:46.288-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Sabem o Retábulo de Santa Joana Carolina, do Osman Lins? Então, tava eu lá lendo Auerbach falando de outra coisa nadaver, e olha só:   &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;The figures – as on the sarcophagi of late antiquity – are placed side by side paratactically. They no longer have any reality, they have only signification. With respect to the events of this world, a similar tendency prevails: to remove them from their horizontal context, to isolate the individual fragments, to force them into a fixed frame, and within it, to make them impressive gesturally, so that they appear as exemplary, as models, as significant, and to leave all “the rest” in abeyance.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;Não explica um tanto? É isso que ele faz com os pequenos capítulos do conto, que ele chama de mistérios Não só a disposição entre cada um deles imita a de quadros não-exatamente-lineares num retábulo, isso é fácil, mas a concretização esquisitinha mesmo de cada mistério é feita com parataxe estranhamente rígida. Não nos lembra imediatamente narrativas antiguinhas por ter vários elementos modernos ali misturados, por não ter um estilo nobre e distinto que mantém cada coisa no seu lugar (e que pareceria paródia, se tentado). Mas é isso: as cenas não tem nenhuma realidade, como disse o Auerbach, elas só tem significação. Elas recriam poses gesturais sem realizar nunca nenhuma atualidade, são fixas e rígidas. É um negócio bem bastante medieval, e isso não é um acidente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;Eu sou bastante simpático ao que parece ser a tentativa central do Osman Lins, de uma centralização concentrada das propriedades cosmogônicas (eia) da ficção nesse mundo de tantas modernidads, tantas internetes. Mas o jeito que ele opera isso me parece sempre ingênuo, descreditando realismo e operando a partir de coordenadas que ele tira de si mesmo e que não fazem nada pra mim, achando que dá pra sair hierofanizando as coisas a partir de estruturas tão evidentes e declaradas, geometrias e palíndromos e etc. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt;"&gt;Mas ainda assim, ainda assim, há de se achar massa. Deve ser a única coisa formalmente original em ficção no Brasil desde, sei lá, Graciliano.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8893204406410101765?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8893204406410101765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8893204406410101765' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8893204406410101765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8893204406410101765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/12/sabem-o-retbulo-de-santa-joana-carolina.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-842767775689044249</id><published>2008-11-24T05:37:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T05:42:49.159-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SSqut1g0iCI/AAAAAAAAABs/a2BAYDTCm_E/s1600-h/kirby.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 316px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SSqut1g0iCI/AAAAAAAAABs/a2BAYDTCm_E/s320/kirby.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272218416272672802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;                                               Harness the power cosmic, &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/Blake_ancient_of_days.jpg"&gt;Urizen&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Mas o que eu queria assim mesmo era que o William Blake tivesse nascido no século vinte e tivesse sido o Jack Kirby. De algum jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-842767775689044249?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/842767775689044249/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=842767775689044249' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/842767775689044249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/842767775689044249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/11/harness-power-cosmic-urizen-mas-o-que.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8O-jkxMCHlQ/SSqut1g0iCI/AAAAAAAAABs/a2BAYDTCm_E/s72-c/kirby.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-5791146313717742021</id><published>2008-11-14T17:04:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T17:06:25.269-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mal de montano-&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;    A tradição latinamericana toma grande graça da narrativa subjetivista, como se sabe, de narradores pouco confiáveis ou absolutamente doidinhos, de fragmentação pra todos os lados e, infelizmente, às vezes até de depuração estilística à francesa. O que eu não sabia é que a brincadeira continuava dando corda depois de tantas águas passadas, com Noturno do Chile, por exemplo, ou, caso em ponto, Mal de Montano (Villa-Matas é espanhol, mas escreve como se fosse argentino, o que houve com As Grandes Tradições, né?).&lt;br /&gt;*música tema de resenha literária começa, eu viro pra segunda câmera*&lt;br /&gt;Me impressiona que ainda se veja tanta graça em uma forma que me parece tão, tão retoricamente cansada, mas fazer o quê. O Villa-Matas se desprende aqui da carga potencialmente existencialista desse tipo de relato pra brincar de Borges e intertextualidade, e brincar bem mal. Borges, Kafka são incontestáveis, mas eles são, à sua maneira, escritores fáceis, e muito facilmente usados pro mal. O Mal de Montano brinca consigo mesmo e com o fato dele ser ou não um romance, brinca com o literário toda hora, nada é o que parece (como as orelhas de livro gostam de dizer). Não, e nada se consegue, tampouco.&lt;br /&gt;O livro é formalmente e estilisticamente nulo, geralmente permanecendo rente ao chão, e constrangendo quando tenta se levantar um pouco mais. Camus não tenta, o que é irritante, mas, sei lá, válido. Villa-Matas tenta de vez em quando, o que leva a gente a imaginar que a depuração dele é falta de talento, mesmo. O principal por trás do livro seria a carga intertextual, o literário como assunto, mas Borges e Kafka fazem isso imitando com muita habilidade os efeitos e os movimentos da própria literatura, são gênios formais de manipular convenções. Villa-Matas não chega nem a imitar os efeitos da literatura, ele apenas tenta imitar o literário, o cheirinho que fica em volta, o ar pesado. Ele usa intertextualidade de um jeito banal e pesado, imita o tipo de coisa que um bom escritor evita trazer à tona, mantém dentro da casa de máquinas, usando o elevador de serviço. É uma afetação kitsch dos diabos. E ainda confusa, que desconfia e faz pouco das premissas de ficção realista sem perceber que o livro tenta usar delas mesmo assim, ainda depende delas, sem conseguir estabelecer seus próprios termos.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;UMA EXPLICAÇÃO:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mesmo coisas extremamente bem-sucedidas costumam falhar em algum de seus níveis, costumam ainda ser ridicularizáveis por algum ângulo. Perfeição só se consegue escolhendo um cantinho bem específico (e limitado, portanto) do plano atual e possível e concentrando nele, acumulando, fazendo força.&lt;br /&gt;EXEMPLOS:&lt;br /&gt;Quindim, buldogues, Elliott Smith, Giorgio morandi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;POR ÚLTIMO, UMA ENTREVISTA COMIGO SOBRE GÊNERO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Q-&lt;br /&gt;A-Gênero, na verdade, é a maior confusão.&lt;br /&gt;Q-&lt;br /&gt;A-Nossa, muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-5791146313717742021?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/5791146313717742021/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=5791146313717742021' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5791146313717742021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/5791146313717742021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/11/mal-de-montano-tradio-latinamericana.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8851710024192579029</id><published>2008-10-22T12:09:00.001-07:00</published><updated>2008-10-22T12:09:45.373-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Such awkwardness at the heart, such awkwardness at the heart of being&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9ov7BGd8FlY&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9ov7BGd8FlY&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8851710024192579029?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8851710024192579029/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8851710024192579029' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8851710024192579029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8851710024192579029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/10/such-awkwardness-at-heart-such.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-4449033927786233775</id><published>2008-10-17T07:25:00.000-07:00</published><updated>2008-10-17T07:27:20.271-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Depois de encarar a terceira ou quarta tradução das Elegias de Duíno, a coisa toda ganha uma cara maior e mais grave, engraçada. Por melhor que elas sejam, você sabe que tá sempre encarando o negócio através de um espelho enviesado, tá sempre tentando alcançar algo esguio e safadão, que escapa (Insira aqui alguma versão da coisa toda de Mas O Que É A Tradução Afinal). Isso não teria tanta graça pra tons mais sossegados (livro de horas, por exemplo), mas as Elegias colaboram tremendamente com essa impressão, sendo aquela coisa tão tremenda e olhem-para-mim-eu-converso-com-anjo, tão oracular, tão (vou falar merda) freestyle auto-importante do Heráclito ou do Heidegger. E não acontece o reflexo que eu tenho às vezes com essas coisas tão graves, de olhar pras palavras individuais e nunca perfeitas até que elas quebrem sobre a pressão, até que uma aliteração desajeitada transpareça o rapazote afetadinho por trás, o rapaz em quem Tolstói aplicaria safanão na nuca. Aqui não há nada de individual e pequeno, você tá vendo o reflexo de algo, sempre, então as insuficiências são relevadas, e a impressão de algo terrível espreitando por trás fica quase intacta. É bem bonito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-4449033927786233775?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/4449033927786233775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=4449033927786233775' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4449033927786233775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4449033927786233775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/10/depois-de-encarar-terceira-ou-quarta.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8561430754806677234</id><published>2008-09-25T12:13:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T10:24:26.043-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Eu ando de fazer uns posts pretensiosos, nossa senhora. Se vocês soubessem o que se salva em rascunho, ainda por cima. Tava querendo falar tipo SERIAMENTE sobre o DFW, também, tentar explicar porque que acho mesmo que ninguém da geração dele chegue perto dele, que provavelmente vá sentar de algum jeito no cânone, e tudo, sentar firme nos erros tortos e bonitinhos dele, tal. Mas já vi tanta gente mais esperta do que errar feio, desanima. Se alguém quiser saber, é só me embebedar, tamos aí. &lt;br /&gt;Tomem a&lt;a href="http://www.gyford.com/phil/writing/2004/04/13/donald_barthelme.php"&gt; lista de leitura d&lt;/a&gt;o Barthelme, olha que esquisitinha e legal. Eu já segui algumas recomendações dela e tenho meus polegares erguidos aqui, e um olho piscado. Beattie, Carver, Paley, Gass, O'Connor, Booth. Não é compreensiva, mas nem tenta ser direito.&lt;br /&gt;A vantagem desses tempos engraçadinhos é que qualquer um que goste pode muito mais facilmente se abrigar debaixo dessa longa asa projetada da única tradição restante em ficção, muito mais facilmente ir atrás das coisas. Estudo de ficção contemporânea devia ser COMO LER OS AMERICANOS, seguido de COMO IMITA-LOS.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8561430754806677234?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8561430754806677234/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8561430754806677234' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8561430754806677234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8561430754806677234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/09/eu-ando-de-fazer-uns-posts-pretensiosos.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-4591203750589579720</id><published>2008-09-14T17:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-14T17:43:27.094-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;good old neon&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última peça de ficção dele que me faltava pra ler eu comecei a ler nessa sexta-feira de tarde. A novela do final da primeira coletânea de histórias, Westward etc, a que fica brincando com Lost in the Funhouse o tempo todo. E diante de alguma daquelas luzinhas que ele acendia a cada cinco minutos ni mim (coisas geralmente pequenas, até, às vezes apenas descrição bem feita,) eu senti uma gratidão genuína e, sei lá, quentinha. Dele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;existir&lt;/span&gt;, dele estar lá como parte real e verificável dos fatos que compõem o mundo. Eu sei que parece forçado, mas foi basicamente isso. E isso provavelmente aconteceu algumas horas antes dele se matar, a última oportunidade que eu teria de sentir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora tenho que terminar a história com algo bem diferente revolvendo no estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estão postas em ação todas as carpideiras de blog, e artigos honestos aí de gente sentida, e resumos críticos, e a lista de emails sobre se enche de relatos emocionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu li todos que consegui achar e vou continuar lendo a noite toda, e não é - como costuma ser o caso-  porque me interesso de ver como as pessoas reagem a morte de um escritor, como a crítica se posicona e como uma cultura se acomoda depois de um choque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou lendo porque eu estou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito &lt;/span&gt;triste e quero me conectar com gente que também está muito triste. Triste pela tristeza e a solidão desse cara, que eu nem começo a conseguir imaginar. Eu estou fisicamente triste - meu corpo está pesado. E não vou falar criticamente sobre o que ele escreveu. Este post é sobre mim. Vocês podem falar aí, e até acho bacana, mas pra mim seria indecente, seria como ir no enterro de um amigo e comentar depois que "ah, mas ele falava meio alto quando ficava bêbado, né?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Emotícones de tristeza estão me parecendo vergonhosos, e trocadilhos, e também isso aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-4591203750589579720?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/4591203750589579720/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=4591203750589579720' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4591203750589579720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/4591203750589579720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/09/good-old-neon-ltima-pea-de-fico-dele.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-8649964635657170331</id><published>2008-08-26T19:13:00.000-07:00</published><updated>2008-08-26T19:14:34.538-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Varieties of Religious Experience&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos como a arbitrariedade do sinal em linguagem não impede que se estabeleçam proposições verdadeiras, a artificialidade das convenções artísticas não impede que verdades se articulem ali (ainda que verdades de outro tipo). Depende de mind sets, depende fortemente de hábito e tradição, mas o que se estabelece em objetos e relações tão impuras pode, sim, ser puro e incontornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que se passa por aqui *gesticula amplamente * se passa com naturalidade, tudo tem e precisa ter a cara natural e descompromissada de um acidente, a cara pequena; com suas explicações por trás, seus fios.&lt;br /&gt;É uma tensão esquisita e perturbadora, mas isso não estraga nada não, isso não atinge nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-8649964635657170331?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/8649964635657170331/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=8649964635657170331' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8649964635657170331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/8649964635657170331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/08/varieties-of-religious-experience-mais.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-nz61dUhliho/TwXzNjEc1nI/AAAAAAAAADk/Qy1kBQoyvRE/s220/05scott.large3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17545748.post-924673712429861370</id><published>2008-08-21T08:42:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T16:44:58.827-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>-&lt;br /&gt;Daonde que vem essa galera da Bravo, da Folha? Eles gostam de literatura, mesmo? Ele estão tentando de verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   É particularmente doloroso vê-los entrevistar alguém. Mantendo-se no mundinho fechado e retardado deles, onde nenhuma luz entra ou pode entrar, pode até parecer que eles têm alguma idéia do que tá acontecendo. Mas aí de vez em quando acontece de baterem de frente com os próprios autores, e daí é só vergonha e dores e lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Isso porque saiu na folha anteontem entrevista com o Philip Roth.&lt;br /&gt;Logo de cara se afirma e se repete que em 2009 sai no Brasil Shop Talk!, seu mais novo romance! (um livro de 2001 que até eu, que não gosto do Roth, sei que se trata de ensaios e entrevistas sobre literatura).  Na primeira frase da entrevista a menina fala que o Roth trata da hipocrisia da classe média. Ele responde que não se preocupa com hipocrisia e que não pensa em termos de classe. E ela insiste que, ué, ele trata da classe média. Ele nega mais uma vez. Daí frase do caetano e bobagens políticas americanas que não tem muito a ver com o Roth. No miolo da página, uma ANÁLISE de outro imbecil tem o título: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Escritor tem classe média como alvo&lt;/span&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                             êêêêêê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Fala-se que ele fez uma ruptura marcante com Bellow e Singer ao tratar das contradições da classe média abertamente. Eu queria ver a cara do bróder ao escrever isso, a expressão de rapto e  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;insight &lt;/span&gt;crítico por trás dos óculos quadrados dele. Eu aposto sete reais que conseguiria representá-la com alguma acurácia.&lt;br /&gt;Isso é o máximo que se consegue. Detectar ironia onde não tem, preocupação política tacanha onde não tem (ou onde não é relevante), algumas referências óbvias incompreendidas. Contradições hipócritas e hipocrisias contraditórias! Nada se arrisca sobre o estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Neguinho tá num freestyle absoluto e ininterrupto e inaceitável desde que me entendo por gente, assim, fazendo cara séria e fingindo que sabe do que tá falando.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Toda &lt;/span&gt;reportagem e resenha literária brasileira que eu já li em revista e jornal. Sempre absurdamente vazio, malucamente vazio. Palavras chave bestas se interligando licenciosamente, perversamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Todo mundo sabe disso, eu sei, todo mundo tá cansado de saber. Mas às vezes ainda me surpreende, ainda me arregalam os olhos. Deixa eu. Blog é pressas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17545748-924673712429861370?l=derivativo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://derivativo.blogspot.com/feeds/924673712429861370/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17545748&amp;postID=924673712429861370' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/924673712429861370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17545748/posts/default/924673712429861370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://derivativo.blogspot.com/2008/08/daonde-que-vem-essa-galera-da-bravo-da.html' title=''/><author><name>vinícius castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09519856559406896406</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.
